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  • Tabela de safras

    Tabela de safras: veja quais anos se destacaram nas principais regiões vitivinícolas do mundo

    Instrumento de referência rápida é destinado a auxiliar consumidores na compreensão da qualidade média e das especificidades dos vinhos produzidos em diferentes períodos

    Vinhedo

    por Arnaldo Grizzo

    De tempos em tempos, ADEGA revisita alguns tópicos importantes, tal como nossa tabela de safras. Na edição comemorativa aos nossos 20 anos de existência, decidimos atualizar essa ferramenta mais uma vez. Elaborar uma tabela de safras é uma tarefa tão complexa quanto pontuar vinhos.

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    A tabela de safras consiste em uma representação gráfica que sintetiza a qualidade e as principais características das colheitas de vinho de determinada região ou variedade de uva ao longo dos anos. Trata-se de um instrumento de referência rápida, destinado a auxiliar consumidores na compreensão da qualidade média e das especificidades dos vinhos produzidos em diferentes períodos.

    UvasA elaboração das tabelas de safra considera múltiplos fatores relevantes e também fontes (veja abaixo “Como ler uma tabela”).

    LEIA TAMBÉM: Qual a importância da safra dos vinhos?

    Inicialmente, as condições climáticas são analisadas, uma vez que influenciam diretamente o amadurecimento das uvas e a qualidade final dos vinhos produzidos. Em seguida, são realizadas avaliações qualitativas dos vinhos, levando-se em conta critérios como equilíbrio e potencial de envelhecimento, aspectos fundamentais para determinar se uma safra permitirá o desenvolvimento de sabores complexos ao longo dos anos.

    Assim, as tabelas de safra oferecem recomendações valiosas para a seleção criteriosa de vinhos, servindo como referência tanto para decisões de aquisição quanto para estratégias de armazenamento ou investimento. Por esse motivo, compreender adequadamente a interpretação dessas informações é essencial.

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    Como ler uma tabela?

    Para a parametrização da tabela de safras, foram consideradas não apenas as avaliações da ADEGA, mas também as de diversos críticos reconhecidos internacionalmente, bem como relatórios de safras provenientes de diferentes regiões vitivinícolas. No entanto, é relevante observar determinados aspectos ao avaliar uma safra. Confira a seguir.

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    1. Por que uma safra é considerada ótima e outra ruim?

    Em geral, uma safra ótima é aquela em que tudo está no lugar certo, ou seja, o clima geral da região foi equilibrado e sem extremos, com temperaturas nem muito quentes e nem muito frias, sem chuvas excessivas antes ou durante a colheita, ou escassas durante o período vegetativo. Sem geadas, neve e ou granizo na época de brotação.

    LEIA TAMBÉM: Geada histórica ameaça safra de vinhos na Hungria

    Além disso, a quantidade de avaliações positivas de diversos críticos é uma confirmação da qualidade de uma determinada safra no decorrer do tempo. Ou seja, são uma confirmação de que tudo estava no lugar certo naquele ano.

    Já uma safra ruim é resumidamente aquele ano em que um ou mais fatores climáticos de complicação acontecem e dificultam a produção. Exemplo de dicionário de safra ótima foi a de 2018 no Chile, segundo 10 entre 10 enólogos chilenos, e um exemplo de safra ruim é a de 2017, que assolou com geadas grande número de regiões vinícolas europeias, especialmente na Itália.

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    1. Uma safra considerada ótima numa determinada região significa que todos os vinhos nela produzidos serão ótimos também?

    Uma safra ótima é uma indicação e uma maior probabilidade de que os vinhos tenham mais qualidade, independentemente de produtor, pois, pelas condições ideais de clima, a qualidade das uvas tem um nível mais alto em geral.

    LEIA TAMBÉM: Saiba quais são as uvas que fazem os melhores vinhos do Alentejo

    1. Qual a importância do produtor?

    A importância de um produtor é fundamental. Em safras ótimas, os vinhos dos produtores considerados excepcionais tendem a ser os melhores elaborados e também os mais longevos, com maior aptidão de vencerem o tempo. E em safras ruins, por terem mais cuidado e critérios tanto no cultivo quanto na produção, eles conseguem lidar melhor com as adversidades, elaborando vinhos de qualidade acima da média mesmo nos anos mais difíceis.

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    Nessas safras, tem-se a melhor oportunidade de conhecer vinhos de produtores renomados, pois eles tendem a ser um pouco “menos disputados” e os preços podem ser mais acessíveis.

    Colheita no vinhedo

    1. Como o produtor pode driblar condições adversas para ter mais consistência e muitas vezes vinhos acima da média quando comparados à qualidade média de uma safra considerada inferior?

    Em anos considerados mais quentes, é comum os bons produtores terem um cuidado ainda maior com a data de colheita, muitas vezes adiantando-a para obter fruta madura no ponto certo, sem traços de sobremadurez ou de fruta cozida. Em anos mais frios, é feito o oposto.

    LEIA TAMBÉM: 10 pratos e vinhos que harmonizam com frio

    Em anos com chuvas localizadas no período anterior ou durante a colheita, buscam-se janelas de oportunidade – às vezes, pequenas – para ter a fruta mais sã e menos “diluída” possível, sem perder o foco na maturação correta, para não obter vinhos com traços de “verdor”. A expertise do produtor é crucial para adaptar-se a cada safra.

    1. Impacto nas características dos vinhos

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    Geralmente nas safras consideradas mais fracas, os vinhos bem elaborados costumam ter menos longevidade, mas, por outro lado, tendem a ser mais acessíveis quando jovens. Nas safras consideradas ótimas, com as condições climatológicas ideais, alguns produtores tendem a ter mais pretensão na elaboração de seus vinhos, o que pode gerar rótulos mais exuberantes e estruturados e que, por vezes, necessitam de mais tempo de guarda para mostrarem seu potencial.

    Porém, algumas vezes no afã de fazer algo excepcional, o produtor acaba por fazer vinhos desequilibrados, seja pelo excesso de álcool, de sobremadurez, de estrutura e pela carência de acidez e/ou sensação de frescor.

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    1. De que tipos de vinhos estamos falando?

    Uma tabela de safras dá uma noção geral da qualidade dos vinhos de um determinado ano em uma região. Mas que vinhos seriam esses? O foco aqui definitivamente não serão os vinhos do dia a dia, de consumo rápido. Esses obviamente também se beneficiarão de uma safra melhor, pois entregarão mais qualidade.

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    Contudo, os vinhos que mais se beneficiarão de melhores condições serão os topos de gama, com capacidade para evoluir. Ou seja, não espere que um vinho básico, mesmo de uma boa safra, apresente-se fenomenal muitos anos após.

    A nossa tabela

    Além da nossa própria expertise na avaliação de vinhos, para parametrizar nossa tabela de safras, ADEGA leva em consideração avaliações de diversos críticos e publicações consagradas do mundo, “pesando” obviamente aqueles que possuem mais afinidades com determinadas regiões na hora de avaliá-las.

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    Isso quer dizer, por exemplo, que as impressões do jornalista chileno Patricio Tapia sobre as safras no Chile são levadas mais em consideração do que as de críticos europeus.

    Sendo assim, elencamos os países e, dentro de alguns deles, também as principais regiões. Mas vale lembrar que mesmo fazendo essas subdivisões, pode haver variações em regiões específicas. Ou seja, mesmo em uma safra considerada boa para a margem esquerda de Bordeaux, talvez algum fator climático específico possa ter complicado a colheita em Pauillac, por exemplo. Sendo assim, é sempre interessante buscar referências específicas de produtores.

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    Listamos então todas as safras desde o ano 2000 até 2024 de mais de 30 locais (lembrando que para safras mais recentes, alguns vinhos sequer estão prontos, então a percepção pode variar futuramente e, por isso também, é que atualizamos nossa tabela periodicamente).

    Além da tabela em si, demos detalhes de algumas das principais safras desse milênio, para que você possa ficar atento na hora de comprar.

    Alsácia

    Alsácia

    Destaque para as safras 2015, 2019 e 2022. A safra 2015 foi excepcional com condições perfeitas - clima quente e seco permitiu colheita tranquila incluindo vinhos de colheita tardia, considerada a maior desde 1990. Em 2019 houve excelentes condições climáticas, resultando em vinhos com frescor, estrutura e riqueza, tanto secos quanto doces com bom potencial de guarda. Já 2022 teve verão quente com chuvas estratégicas, produzindo frutas aromáticas e concentradas, preservando o frescor típico alsaciano.

    Bordeaux tintos

    Bordeaux

    Destacam-se as safras 2009, 2010 e 2019 como excepcionais, mas 2022 e 2023 emergem como novos marcos. A safra 2009 produziu tintos exuberantes e ricos, com opulência e acessibilidade precoce. Em 2010 houve vinhos maduros e potentes, com taninos estruturados e melhor definição de fruta que 2009. A safra 2019 foi considerada por muitos críticos a melhor da década. Recentemente, 2022 destacou-se com vinhos sedosos e concentrados, moldados pelo calor, mas mantendo vibração. Já 2023 trouxe o melhor exemplo de Bordeaux clássico moderno, com menor teor alcoólico, frescor e taninos suaves.

    Sauternes

    Sauternes

    Por depender de condições climáticas singulares para desenvolver botrytis, Sauternes raramente acompanha os tintos de Bordeaux. Destacam-se 2001 e 2011 como excepcionais. A safra 2001 foi rica e estruturada com caráter potente de botrytis, excelente textura e equilíbrio. Em 2011 houve botrytis de propagação precoce e rápida, com segunda metade fresca que permitiu retenção de acidez, resultando em vinhos especiados, puros e potentes. Mais recentemente, 2021 e 2022 emergiram como grandes anos, com 2022 surpreendendo pela excelência apesar das condições complicadas – chuvas de agosto promoveram desenvolvimento ideal de botrytis após verão seco.

    Borgonha

    Borgonha

    Considerando safras excepcionais de forma geral, destacam-se 2005 e 2019. A safra 2005 foi um ano lendário com excelente qualidade para tintos e brancos, verão seco e colheita uniforme. Em 2019, considerada talvez a melhor desde 1865, houve concentração harmoniosa de açúcares e ácidos devido ao verão quente e seco. Os tintos são equilibrados, complexos e frutados com excelente acidez, enquanto brancos são profundamente aromáticos e elegantes. Recentemente, 2022 e 2023 emergem como grandes anos - 2022 com consistência e qualidade apesar do calor extremo, e 2023 comparado aos pares lendários 2015/16 e 2009/10, com maior precisão e transparência de terroir.

    Champagne

    Champagne

    Duas safras de começo do milênio se destacaram: 2002 e 2005, mas mais recentemente 2008 e 2012 merecem destaque. A safra 2008 é considerada especial com frutas potentes e acidez cintilante, vindima incrível resultando em vinhos frescos e requintados com fruta rica e acidez equilibrada, considerada por alguns como lendária. Já 2012 foi excelente apesar da estação de cultivo complicada - inverno quente, primavera chuvosa, geadas e granizo devastaram colheitas, mas condições incríveis em agosto predominaram. Reconhecida como uma das maiores de Champagne em décadas. Recentemente, 2020 e 2023 são faladas como safras que podem ser consideradas ótimas.

    Rhône

    Rhône

    As regiões norte e sul muitas vezes se comportam diferentemente, mas considerando safras homogêneas em quase todas as regiões, destacam-se 2010 e 2016. A safra 2010 é muito rica e elegante, com fruta intensa aliada a taninos e acidez garantindo estrutura sólida. Já 2016 caracteriza-se por níveis nunca vistos de maturação e acidez - ano de seca que produziu vinhos com combinação única de frescor, maturação perfeita e pureza. Os vinhos combinam concentração e frescor, com os melhores exemplos prometendo grande longevidade. Recentemente, 2019 e 2020 emergem como grandes safras, com 2019 mostrando promessa excepcional especialmente em Côte Rôtie, e 2020 oferecendo consistência entre norte e sul com vinhos ricos, mas frescos.

    Alemanha

    Safras como 2005 e 2009 foram excepcionais e lendárias, mas vale destacar 2019 e 2020. A safra 2019 é considerada uma das maiores dos tempos modernos - vinhos dos secos aos doces são maduros e concentrados, apresentando equilíbrio e frescor com grande complexidade. Descrita como "safra de 100 pontos" por críticos, combina estrutura ácida clássica com maturação excepcional. Em 2020, inverno e primavera quentes deram lugar a verão ensolarado, com muitas regiões sofrendo seca, mas noites frescas preservaram acidez e mineralidade, rendendo excelentes vinhos secos mais elegantes que colheitas anteriores, com teor alcoólico moderado e grande potencial de envelhecimento.

    Piemonte

    Piemonte

    Barolo e Barbaresco são as duas denominações mais renomadas. Por não serem distantes uma da outra, as condições climáticas geralmente são semelhantes e tendem a oferecer safras similares. Houve anos clássicos como 2001 e 2006, mas recentemente destacam-se 2010 e 2016. A safra 2016 foi um ano mais frio com início lento e chuvas adequadas, resultando em longa temporada de crescimento e condições ideais de colheita. Os Barolos são equilibrados, vibrantes e tensos, enquanto Barbarescos são refinados e elegantes. Já 2010 caracterizou-se por estação mais fria e clima ideal antes da colheita, produzindo vinhos puros, elegantes e estruturados com excelente potencial de envelhecimento. Recentemente, 2020 e 2021 emergem como safras excepcionais.

    Toscana

    Toscana

    As condições gerais na Itália em 2010 e 2016 foram excepcionais, destacando essas duas safras como grandiosas compreendendo tanto Brunello quanto Chianti. A safra 2010 é amplamente considerada excepcional - condições climáticas permitiram vinhos com excelente estrutura, equilíbrio e potencial de envelhecimento. Vinhos de Chianti e Brunello di Montalcino receberam elogios pela concentração e elegância. Já 2016 foi colheita notável com período vegetativo marcado por condições favoráveis, resultando em vinhos com excelente acidez, sabores de fruta madura e taninos bem integrados. Tanto vinhos baseados em Sangiovese quanto Super Toscanos são excepcionais. Mais recentemente, 2019 e 2020 emergem como grandes safras, confirmando a consistência da região.

    Portugal

    Portugal

    Embora o Porto domine a reputação histórica, os vinhos secos portugueses merecem atenção crescente. Entre as safras memoráveis, 2011 se destaca pela combinação perfeita de chuvas estratégicas no verão quente seguidas de precipitação ideal em agosto-setembro, produzindo vinhos excepcionais em todo país. As safras 2016 e 2017 também estão entre as mais interessantes. Em 2017, o Douro enfrentou condições extremas de calor e seca que anteciparam a colheita, mas paradoxalmente elevaram a qualidade - baixos rendimentos concentraram sabores, criando vinhos de cor intensa e estrutura impressionante que mostram como adversidades climáticas podem gerar grandes resultados.

    Espanha

    Espanha

    Num país continental tão heterogêneo, generalizar qualidade de safras é desafiador. Contudo, 2010 e 2016 brilharam amplamente - assim como em muitos países europeus. A temporada 2010 trouxe verão consistente apoiado por outono fresco e seco, produzindo vinhos excepcionais em quase todas as regiões. Já 2016 beneficiou-se de condições favoráveis que permitiram lançamentos de muitos Gran Reservas tanto em Rioja quanto Ribera del Duero. Mais recentemente, 2019 emergiu como ano de destaque com vinhos concentrados apesar de rendimentos reduzidos, enquanto 2021 surpreende pela combinação de frescor, maturação perfeita e taninos elegantes, sendo comparado a grandes safras do século XXI como 2001 e 2010, especialmente notável em Rioja.

    Estados Unidos

    Focando prioritariamente na Califórnia, destacam-se 2018 e 2019 como anos bastante recentes e distintos. A safra 2019 começou com chuvas abundantes resultando em umidade tardia do solo, verão longo e quente com manhãs de nevoeiro criando condições ideais para vinhos vibrantes e expressivos. O final ameno preservou frescor da fruta, enquanto tempos de espera prolongados estimularam desenvolvimento de cor, estrutura e taninos equilibrados. Já 2018 trouxe chuvas abundantes em fevereiro seguidas por muita luz na primavera, com brotação e floração ligeiramente tardias, mas sob condições quase perfeitas, permitindo desenvolvimento de sabores complexos. Mais recentemente, 2023 emerge como excepcional - temporada de crescimento mais longa em décadas com clima consistente e rendimentos acima da média.

    Argentina

    Argentina

    Apesar da vitivinicultura se estender além de Mendoza - do Vale do Uco à Patagônia no sul e Salta no norte - prestamos atenção aos vinhos mendocinos que viveram duas safras excepcionais em 2016 e 2021. A colheita 2016 foi inesquecível, influenciada pelo fenômeno El Niño com condições climáticas incomuns como primavera fria, verão chuvoso, frio e nublado em Mendoza. Muitos anteciparam a vindima resultando em tintos mais frescos enquanto brancos beneficiaram-se de grande tensão. Já 2021 foi marcada por condições úmidas e frias, apresentando aromas finos, acidez e elegância especialmente para Chardonnay, Pinot Noir e Malbec, produzindo vinhos de alta qualidade. Mais recentemente, 2022 emerge como excepcional - alguns produtores chamando-a de "safra da década".

    Austrália

    Novamente falamos de país continental onde generalizar comportamento climático durante safra é complicado. Contudo, geralmente se dá mais peso para regiões históricas como Barossa. Pensando nisso, duas safras se destacaram: 2010 e 2018. A safra 2018 caracterizou-se como precoce e acessível - apesar de possíveis desafios com condições climáticas específicas, a qualidade geral foi excepcional. O Barossa enfrentou ondas de calor em janeiro-fevereiro causando paralisação das videiras, mas segunda metade de março até fim de abril trouxe condições perfeitas de maturação, com Shiraz e Grenache mostrando cores e sabores excepcionais. Já 2010 foi considerada extraordinária com vinhos descritos como tânicos, jovens e propensos ao amadurecimento, sugerindo potencial significativo de envelhecimento.

    Chile

    Chile

    Os terroirs chilenos expandem-se de norte a sul e as diferenças podem ser substanciais quando comparamos vinhos do Atacama ou Osorno numa mesma safra. As avaliações concentram-se em áreas centrais e históricas como Maipo. Na história recente, duas safras foram marcantes: 2007 e 2018. Esta última é conhecida como "ano de finesse" com condições climáticas favoráveis - inverno frio e úmido seguido por ondas de calor. Isso resultou em vinhos de excelente qualidade com boa acidez natural, álcool moderado e boa cor, sendo unanimidade entre enólogos. Similarmente, 2007 caracterizou-se por temporada ligeiramente mais fria que o convencional, com vinhos de grande equilíbrio e potencial de envelhecimento. Mais recentemente, 2021 emergiu como retorno aos clássicos com elegância, frescor e precisão. Uma safra lendária.

    Nova Zelândia

    Acostumados a pensar os vinhos neozelandeses como bastiões de frescor, deixamos de lado possibilidades de guarda. Esse cenário vem mudando com tempo - apesar da premissa ainda ser baseada na juventude, há exemplares merecedores de atenção temporal. Destacam-se duas safras: 2010 e 2019. Esta última foi muito elogiada, com muitos produtores considerando como sua melhor safra - perfeito equilíbrio natural no vinhedo resultando em álcoois modestos, acidez brilhante e forte expressão varietal. Já 2010 produziu apenas 75% das colheitas médias, mas foi considerada muito fácil. Sauvignon Blanc apresentou concentração enquanto Pinot Noir foi elogiado por perfume e estrutura. Recentemente, 2021 emergiu como safra de qualidade excepcional apesar de rendimentos drasticamente reduzidos.

    África do Sul

    Aqui também não é simples resumir regiões distintas ao considerar qualidade geral de safra, mas pesa-se mais locais de produção históricos como Stellenbosch. Entre safras recentes destacam-se 2017 e 2021. Esta última, segundo muitos relatos, foi extremamente boa - estação de cultivo começou com inverno mais frio que média, resultando em safra grande e de ótima qualidade. Já 2017 mostrou potencial qualitativo muito bom em toda região da Western Cape, com condições secas durante colheita e pouca pressão de doenças. Embora tenha havido seca resultando em colheita menor, isso proporcionou maior concentração de cor e sabor. Mais recentemente, 2022 e 2023 emergem como promissoras, com críticos enfatizando que o Cabo está produzindo os melhores vinhos de sua história.

    Brasil

    Vale dos Vinhedos - Brasil

    Quando falamos da safra no Brasil, apesar do leque ter se ampliado muito ultimamente e termos grandes vinhos quase de norte a sul, focamo-nos na Serra Gaúcha, região mais tradicional. Sendo o Brasil um grande produtor de espumantes, uma boa safra para tintos nem sempre é boa para vinhos base de espumante. As melhores safras do milênio incluem a histórica 2005, marcada por condições climáticas perfeitas, com diminuição da precipitação e abundância de luz solar. A memorável 2018 destacou-se pela qualidade excepcional. A safra de 2020 continua sendo considerada a "safra das safras", melhor de todos os tempos, com clima seco e amplitudes térmicas ideais proporcionando sanidade excepcional.

    Tabela de safras parte 1
    Tabela de safras - 2000 a 2012
    Tabela de safras parte 2
    Tabela de safras - 2013 a 2024

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