Medida dos EUA encarece exportações brasileiras e pressiona um mercado que vinha em recuperação

por Felipe Galtaroça, CEO Ideal.Bi e IBHub
O governo dos Estados Unidos determinou a imposição de uma tarifa adicional ad valorem de 25% sobre uma extensa lista de produtos importados de origem brasileira, atingindo diretamente o vinho e o espumante. A medida passa a valer para mercadorias registradas para consumo nos EUA a partir de 22 de julho de 2026, contando apenas com uma regra transitória que isenta cargas que já estavam em trânsito antes dessa data e que forem nacionalizadas em solo americano até 29 de julho de 2026.
A imposição da sobretaxa resulta de uma retaliação comercial do Office of the United States Trade Representative (USTR) sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, motivada por alegações de que o Brasil adota práticas desleais e restritivas ao comércio norte-americano em áreas como o mercado de etanol, comércio digital, proteção à propriedade intelectual e combate ao desmatamento.
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Como a legislação da Seção 301 permite tarifar amplamente qualquer setor do país investigado para gerar pressão negociadora e o setor vinícola não foi incluído na lista de exceções essenciais que poupou itens como insumos sem produção local nos EUA, farmacêuticos, peças de aviação civil, obras de arte e alguns produtos agrícolas, os rótulos brasileiros passarão a arcar com esse encargo adicional.
Na prática, o acréscimo de 25% sobre o valor CIF encarecerá a cadeia de importação no mercado norte-americano, o que tende a impactar o preço final na prateleira ou exigir margens mais espremidas dos distribuidores e exportadores para manter a competitividade.
A medida atinge o setor em um momento de expressiva recuperação internacional, já que as exportações de vinhos e espumantes brasileiros registraram crescimento de 16% em volume e 21% em valor no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, com avanço de dois dígitos em ambas as categorias e marcando o melhor primeiro semestre dos últimos dez anos.
Os Estados Unidos representam o terceiro principal destino das exportações brasileiras do setor, com 7% do faturamento total, atrás do Paraguai, que lidera com 50%, e do Haiti, segundo colocado com 14%.
O impacto tende a ser sentido com ainda mais força na categoria de espumantes, na qual a representatividade do mercado americano é maior, alcançando 12% do volume exportado. A nova tarifa volta a pressionar um canal comercial que já vinha registrando desaceleração drástica: enquanto no primeiro semestre de 2021 o mercado americano chegou a representar 86% das exportações da categoria, movimentando 814,2 mil dólares nos primeiros seis meses daquele ano, o primeiro semestre de 2026 registrou apenas 141,9 mil dólares.
Trata-se de um mercado que já sofria uma redução considerável e que agora será ainda mais pressionado pelo provável repasse de preços ao consumidor americano. O desafio se insere em um mercado de grande porte, já que em 2025 os EUA importaram 6,4 bilhões de dólares FOB em vinhos e espumantes do mundo, contexto no qual o Brasil figura como o 30º principal fornecedor global, com uma fatia modesta de 0,02% de participação de mercado, ocupando a 15ª posição específica em espumantes com os mesmos 0,02% de share.