Pacto reduz tarifas e abre mercado indiano para vinhos e destilados europeus

por Redação
A União Europeia e a Índia anunciaram nesta semana, em Nova Délhi, a conclusão de um acordo comercial histórico após quase 20 anos de negociações. Considerado o mais ambicioso já firmado pela Índia com um parceiro internacional, o pacto prevê uma forte redução de tarifas sobre produtos estratégicos europeus, como automóveis, máquinas, vinhos e destilados.
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Em um cenário global marcado por tensões comerciais e pela busca da UE por novos parceiros econômicos, o acordo fortalece a relação com o país mais populoso do mundo, que abriga cerca de 1,45 bilhão de pessoas e possui uma das economias que mais crescem, com PIB estimado em € 3,5 trilhões.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou o pacto como “o acordo de todos os acordos”, destacando a abertura de um mercado historicamente protecionista. Ainda assim, autoridades europeias reconhecem que Bruxelas fez concessões importantes, especialmente em áreas como energia, matérias-primas e compras governamentais, que ficaram fora do texto final.
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O principal avanço do acordo está na redução das tarifas sobre bens industriais e agrícolas selecionados. No setor automotivo, as taxas de importação sobre carros europeus cairão de 110% para até 10%, dentro de uma cota anual de 250 mil veículos. A medida é vista como estratégica, já que a Índia ultrapassou o Japão e se tornou o quarto maior mercado automotivo do mundo.
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Componentes automotivos terão tarifas eliminadas gradualmente ao longo de cinco a dez anos. Já no setor industrial, impostos sobre máquinas, produtos químicos e farmacêuticos — hoje considerados pilares das exportações europeias — deverão ser praticamente zerados em até uma década.
No segmento de bebidas alcoólicas, o acordo representa uma mudança significativa. Atualmente, vinhos e destilados europeus enfrentam tarifas de até 150% na Índia. Com o novo pacto, os impostos sobre vinhos cairão inicialmente para 75% e, ao longo dos anos, chegarão a 20%. Para os destilados, a tarifa será reduzida para 40%.
Representantes do setor classificam o acordo como um divisor de águas, com potencial para transformar a presença europeia em um mercado até então pouco acessível. Outro destaque é o azeite de oliva, que terá tarifas reduzidas de 45% para zero em um prazo de cinco anos.
Apesar do avanço econômico, o acordo recebeu críticas por enfraquecer compromissos ambientais. Diferentemente de tratados anteriores da UE, o Acordo de Paris não foi incluído como cláusula essencial, o que impede a suspensão do pacto caso a Índia se retire do compromisso climático.
Especialistas avaliam que essa flexibilização pode criar precedentes para futuros acordos comerciais, além de gerar resistência durante o processo de ratificação no Parlamento Europeu.
Mesmo com limitações, o acordo UE–Índia é visto como um passo decisivo para ampliar o comércio bilateral e reposicionar a Europa em um dos mercados mais estratégicos do século XXI.
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