Mudança no consumo favorece estilos frescos enquanto vendas e área de vinhedos recuam no país

por Redação
Os vinhos brancos ganharam espaço na produção espanhola e já representam 57% do total, diante de 43% dos tintos e rosados. Em 2019, a situação era inversa: brancos correspondiam a 47%, enquanto tintos e rosés somavam 53%. A mudança acompanha uma procura crescente por vinhos mais frescos, frutados, jovens e com menor teor alcoólico.
Os dados fazem parte do Informe Sectorial 2026 sobre el Vino, elaborado pelo AgroBank e pela Agrifood Comunicación e divulgado em 14 de setembro. O levantamento mostra uma indústria em processo de ajuste, com queda no consumo doméstico e nas exportações, redução da área de vinhedos e mudanças nas preferências dos consumidores.
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Entre julho de 2025 e junho de 2026, o consumo de vinho na Espanha ficou em 9,1 milhões de hectolitros, retração de 7,2% em relação aos 12 meses anteriores. É o segundo ano consecutivo abaixo da marca de 10 milhões de hectolitros e um resultado próximo do mínimo registrado durante a pandemia, de 8,8 milhões.
O mercado internacional não compensou a retração doméstica. Entre junho de 2025 e maio de 2026, as exportações espanholas movimentaram 2,794 bilhões de euros, queda de 5,4%. Em volume, houve recuo de 8,6%, para 17,53 milhões de hectolitros.
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A tendência continuou nos primeiros quatro meses de 2026. De janeiro a abril, a receita com as exportações caiu de 1,445 bilhão de euros, no mesmo período de 2025, para 1,326 bilhão de euros. O volume passou de 997 milhões para 840 milhões de litros.
A redução atingiu diferentes categorias. Os vinhos engarrafados com denominação de origem protegida perderam 9,4% em valor e 13% em volume, enquanto os vinhos a granel recuaram 13% e 21,1%, respectivamente. Os espumantes registraram quedas de 8,4% em faturamento e 8,8% em volume.
Alguns segmentos seguiram na direção oposta. Os varietais engarrafados avançaram 10,8% em receita e 3,8% em volume, enquanto o bag-in-box cresceu 7,1% em valor e 6,9% em litros.
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O Cava também sentiu a desaceleração. Foram comercializadas 190 milhões de garrafas em 2025, ante 218 milhões em 2024, queda de 13%.
A redução das vendas ocorre paralelamente ao encolhimento da área destinada à produção de vinho. A Espanha terminou 2025 com 903.170 hectares de vinhedos para vinificação, 1% menos do que no ano anterior e o menor número da série histórica.
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A área diminuiu 5,8% em uma década e 18,2% desde 2005. Castilla-La Mancha permanece como principal região produtora, com 428.778 hectares, equivalentes a 47,5% do total espanhol. Na sequência aparecem Castilla y León, Extremadura, Catalunha, Comunidade Valenciana e La Rioja.
O país possui mais de 532 mil propriedades vitícolas, mas a estrutura é bastante fragmentada: 70% delas têm menos de meio hectare e apenas 4% ultrapassam dez hectares. As mulheres administram 30% das propriedades.
Ao mesmo tempo, cresce a presença da irrigação. Atualmente, 40,8% dos vinhedos espanhóis dispõem de sistemas de irrigação. A viticultura orgânica também avança e alcança 164.861 hectares, correspondentes a 18,25% da área nacional.
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A Espanha produziu 28,7 milhões de hectolitros de vinho em 2025, queda de 6,8% sobre 2024 e abaixo da média de 34,68 milhões dos cinco anos anteriores. Considerando também o mosto, a campanha 2025/2026 somava 32,95 milhões de hectolitros em 30 de junho, 10% menos que na anterior.
As colheitas menores contribuíram para reduzir os estoques. Na mesma data, havia 33,44 milhões de hectolitros de vinho e mosto armazenados, volume 10% inferior à média dos últimos cinco anos.
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Para a vindima de 2026, a Organização Interprofissional do Vinho de Castilla-La Mancha estima produção nacional próxima de 34 milhões de hectolitros de vinho e mosto, ligeiramente acima da campanha anterior.
Embora as variedades tintas ainda ocupem 53% dos vinhedos espanhóis, contra 47% das brancas, a composição da produção já reflete uma mudança no mercado. Tempranillo e Airén continuam entre as variedades de maior presença, cada uma próxima dos 200 mil hectares.
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Segundo o relatório, a demanda vem se direcionando para brancos e vinhos frescos, frutados, jovens e de menor graduação alcoólica. A tendência favorece áreas com maior capacidade de produzir esses estilos, como Castilla-La Mancha, enquanto aumenta os desafios de regiões tradicionalmente associadas aos tintos envelhecidos em madeira, como La Rioja.
O clima acrescenta outra variável à transformação do setor. Secas, temperaturas extremas e colheitas antecipadas estão influenciando decisões sobre variedades, locais de plantio e datas de vindima. Entre as respostas estão a procura por uvas mais resistentes à falta de água e ao calor e o deslocamento de vinhedos para áreas mais ao norte.
Apesar dos desafios, o vinho mantém peso relevante na economia espanhola. O setor responde por 20,33 bilhões de euros em valor agregado e cerca de 370 mil empregos, segundo as estimativas reunidas no relatório. O cenário de 2026, porém, mostra que a produção precisa acompanhar um mercado em transformação, no qual a preferência do consumidor muda mais rapidamente do que vinhedos e vinícolas conseguem se adaptar.