Decisão do Conselho de Estado encerra disputa histórica e preocupa produtores

por Redação
Após mais de duas décadas de disputas judiciais, os vinhos da região de Mâconnais, no sul da Borgonha, não poderão mais exibir a menção “Vin de Bourgogne” em seus rótulos. A decisão foi confirmada pelo Conselho de Estado da França, a mais alta instância da justiça administrativa, encerrando definitivamente o caso.
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A controvérsia teve início nos anos 2000, quando acordos interprofissionais permitiam o uso do termo “Bourgogne” em diferentes níveis de denominação. No entanto, a partir de 2011, com a revisão das regras de rotulagem conduzida pelo INAO — órgão responsável pelas denominações de origem — o uso da expressão passou a ser restringido. Apenas algumas denominações específicas de Mâcon, como Mâcon-Villages e certos vinhos brancos com nome de comuna, mantiveram essa possibilidade.
Para os produtores locais, a decisão representa uma perda comercial relevante. A palavra “Borgonha” carrega forte prestígio internacional e facilita a venda, especialmente em um mercado cada vez mais competitivo. Sem essa associação direta, os vinhos da AOC Mâcon, que já não possuem o status de cru ou grand cru, enfrentam desafios adicionais para se posicionar junto aos consumidores.
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Entidades do setor defendem que o Mâconnais faz parte histórica e geográfica da Borgonha e que a exclusão do nome enfraquece pequenos produtores, sobretudo em um momento de dificuldades econômicas para a vitivinicultura francesa. Apesar do descontentamento, a decisão é definitiva e não permite novos recursos.
Mesmo com o impacto negativo, representantes da região afirmam que o foco agora é seguir em frente, fortalecer a identidade própria dos vinhos de Mâcon e buscar novas estratégias para manter a competitividade no mercado.