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  • Ouro do Reno

    Família Hugel: o legado dos vinhos que desafiaram as guerras na Alsácia

    História de um dos maiores produtores da Alsácia remonta ao tempo em que França e Alemanha sequer pensavam em disputar a região

    por Arnaldo Grizzo

    ouro do reno
    Como a família Hugel sobreviveu às guerras e moldou o vinho da Alsácia

    Na história da ópera wagneriana (O Ouro do Reno), é preciso renegar o amor para poder forjar um anel mágico, que transformará seu dono em soberano do mundo, com o "Ouro do Reno". Por mais improvável que parecesse, um ser decidiu deixar o amor de lado para ter essa recompensa. Contudo, o anel lhe é tomado e ele joga uma maldição sobre quem o possuir, acarretando uma série de tragédias.

    No mundo real, a "maldição" do Reno talvez tenha influenciado a história da Alsácia, uma região que trocou de mãos diversas vezes no decorrer da história. Em meados de 1600, ela, que pertencia ao Sacro-Império Romano-Germânico, passou para a França. Por volta de 1870, ela retornou ao domínio alemão. Depois da I Guerra Mundial, os franceses a tomaram novamente. Durante a II Guerra, a Alemanha a anexou, porém, com o fim dos conflitos, ela voltou para a França.

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    No entanto, há quem resista à "maldição" e, mais do que isso, tenha triunfado independentemente de qual nação tivesse o domínio sobre a Alsácia. Não à toa, alguns dos melhores vinhos brancos do mundo vêm de lá. Foi com o vinho que alguns bravos produtores superaram as crises. Um deles é a família Hugel.

    vinhedo
    Uvas para os principais vinhos da Hugel vêm do vinhedo Grand Cru de Schoenenbourg

    O vinho antes dos conflitos

    As primeiras informações que se tem dos Hugel vêm do século XV, mas foi durante a Guerra dos Trinta Anos - conflito que envolveu inúmeras nações e, segundo historiadores, foi um dos marcos da transição do feudalismo para a Idade Moderna -, em 1639, que Hans Ulrich Hugel se assentou em Riquewihr, atualmente uma das regiões mais importantes da Alsácia, mas que, na época, estava devastada pela guerra. Na ocasião, Hans assumiu o controle de uma corporação de viticultores.

    Em 1672, ele construiu uma casa na Rue des Cordiers e colocou o brasão da família sobre a porta. Durante os séculos XVIII e XIX, a família ganhou fama. No início dos anos 1900, Frédéric Emile Hugel decidiu mudar a sede da empresa para seu local atual, no centro de Riquewihr.

    LEIA TAMBÉM: Vinhos da Francônia: conheça a região além do Reno e Mosel

    A importância e influência dos Hugel na vitivinicultura alsaciana se tornou tão grande que, na segunda metade do século XX, Jean Frédéric Hugel, filho de Frédéric Emile, coordenou uma renovação na legislação das denominações de origem na região e fez renascer os vinhos de colheita tardia, que atingiram o auge com seus filhos, Georges, Jean e André. Atualmente, a Hugel & Fils é gerida por cinco membros da 11ª e 12ª gerações da família.

    Rio de ouro

    Como se sabe, para fazer um vinho excepcional é necessário um grande terroir. Em Riquewihr, a proximidade com o Reno certamente influencia a produção local. Seria herança do "Ouro do Reno"? A localização geográfica é privilegiada. A Alsácia, como um todo, é a região vinícola mais seca da França, sem influência marítima e ainda protegida pelos Vosges, cadeia montanhosa a oeste do vale do Reno.

    As propriedades da família Hugel somam 65 acres exclusivamente em Riquewihr, sendo metade deles de vinhedos Grand Cru. As vinhas plantadas - 40% Gewürztraminer, 40% Riesling, 15% Tokay Pinot Gris, 5% Pinot Noir - possuem, em média, 30 anos de idade, com algumas superando os 70 anos.

    LEIA TAMBÉM: O papel da Alsácia na produção de vinhos brancos franceses

    Em seus vinhedos próprios - eles ainda compram uvas de cerca de 350 produtores, sempre com contratos de longo prazo -, a Hugel não usa fertilizantes e mantém um rendimento baixo, dois terços abaixo da média alsaciana. A colheita é toda feita à mão e as prensas só usam a força da gravidade. Depois da primeira prensagem, apenas a primeira porção do líquido é usada para os vinhos. Assim, a produção anual é, em média, 110 mil caixas.

    Todos os vinhos envelhecem em garrafa (não em madeira) antes de irem para o mercado, seja por alguns meses, ou, em alguns casos, por até seis anos. Seus principais vinhos, o Jubilee, o Vendange Tardive e o Sélection de Grains Nobles, só são produzidos em anos excepcionais com uvas de vinhedos Grand Cru pertencentes à família.

    Para fora

    As uvas dos principais vinhos de Hugel vêm de dois vinhedos Grand Cru, Schoenenbourg e Sporen. Quase todo o processo vinícola se passa em prédios preservados que datam do século XVI. Na adega, há tonéis de mais de 100 anos, sendo o mais famoso, o Sainte Catherine, de 1715, que está registrado no Guinness Book, o Livro dos Recordes.

    LEIA TAMBÉM: Super degustação de Riesling

    A fama dos vinhos é tanta que quase 80% deles é exportado, com clientes em mais de 100 países (já há exportação para o Brasil, por exemplo, desde meados do século XX). Seus Riesling secos possuem uma característica mineral extraordinária, além de poder envelhecer por quase uma década. O Gewürztraminer não fica atrás com seus aromas de especiarias.

    Os doces de Vendange Tardive e Sélection de Grains Nobles são intensos, profundos, com buquês complexos típicos da ação da Botrytis cinerea. São produzidos somente em anos excepcionais e a linha S tem uma seleção ainda mais estrita de grãos que estejam totalmente atacados pelo fungo. Assim como na lenda wagneriana, quem prova desse ouro líquido do Reno acaba encantado, mas sem maldições.

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