Endividada em AU$ 3,6 milhões, produtora reflete a crise que atinge o setor de vinhos na Austrália

por Redação
A Heartland Wines, vinícola localizada em Adelaide, na Austrália, entrou em processo de administração judicial após acumular cerca de AU$ 3,6 milhões em dívidas. A empresa passa por reestruturação enquanto administradores buscam alternativas para venda ou recapitalização do negócio, em mais um sinal das dificuldades enfrentadas pela indústria vinícola australiana.
Fundada no início dos anos 2000 pelos enólogos Ben Glaetzer, Scott Collett, Grant Tillbrook, Geoff Hardy e Vicky Arnold, a Heartland ficou conhecida pela produção de vinhos tintos elaborados com uvas de regiões como Langhorne Creek e Limestone Coast, com destaque para rótulos como Director's Cut Shiraz e Heartland One.
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Segundo documentos apresentados pelos administradores, a situação financeira da empresa se agravou porque o valor real de parte dos estoques de vinho ficou muito abaixo do registrado contabilmente. A estimativa é que os vinhos armazenados valham cerca de AU$ 1,1 milhão, valor significativamente inferior ao informado nos balanços.
Entre os principais credores está o banco Westpac, responsável pela maior parte das dívidas garantidas da vinícola. Apesar do processo de recuperação, a empresa informou que continuará operando normalmente enquanto busca investidores ou compradores, mantendo todos os funcionários empregados.
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O caso da Heartland ocorre em um momento delicado para a vitivinicultura australiana. O país registrou recentemente sua menor colheita de uvas para vinho em 25 anos, consequência da combinação entre excesso de oferta, queda da demanda internacional e condições climáticas adversas.
Além da redução na produção, o valor econômico da safra também caiu de forma expressiva. Nos últimos anos, o setor ainda enfrentou dificuldades provocadas pela perda de mercados importantes, como a China, e pela desaceleração do consumo global de vinho.