Café a bebida brasileira

Atualmente o Brasil se mantém como o maior produtor mundial de café, representado 30% do mercado. Mas, para chegar aí, a história é longa...

Da redação em 16 de Março de 2006 às 07:29

fotos: Carlos Sillero e Valerio Lo Bello /Stock.Xchng

A planta de café é originária da Etiópia, centro da África, onde ainda hoje faz parte da vegetação natural. Foi a Arábia a responsável pela propagação da cultura do café. O nome café não é originário de Kaffa, local de origem da planta, e sim da palavra árabe qawa, que significa vinho. Por esse motivou o café era considerado como 'vinho da Arábia' quando chegou à Europa no século XIV. Os manuscritos mais antigos mencionando a cultura do café datam de 575 no Yêmen, mas foi somente no século XV que o café iniciou sua cultura no mundo. O café tornou-se de grande importância para os Árabes, que tinham completo controle sobre o cultivo e a preparação da bebida.

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A Europa conheceu a bebida através dos venezianos em 1615, e o café tornou-se uma commodity guardada a sete chaves pelos árabes. Era proibido que estrangeiros se aproximassem das plantações, e os árabes protegiam as mudas com a própria vida. Até o século XVII, somente os árabes produziam café. Alemães, franceses e italianos procuravam desesperadamente uma maneira de desenvolver o plantio em suas colônias. Mas foram os holandeses que conseguiram as primeiras mudas e as cultivaram cuidadosamente nas estufas do jardim botânico de Amsterdã. Dessas plantas, os holandeses iniciaram em 1699 plantios experimentais em Java. Essa experiência de sucesso trouxe lucro, encorajando outros países a tentar o mesmo. A Europa maravilhava-se com o cafeeiro como planta decorativa, enquanto os holandeses ampliavam o cultivo para Sumatra, e os franceses, presenteados com um pé de café pelo burgomestre de Amsterdã, iniciavam testes nas ilhas de Sandwich e Bourbon.

Com as experiências holandesa e francesa, o cultivo de café foi levado para outras colônias européias. Num esforço apaixonado, Gabriel De Clieu leva o café para Martinica. O crescente mercado consumidor europeu propicia a expansão do cultivo do café para o México, Jamaica, Quênia e Vietnã. Foi dessa maneira que o segredo dos árabes foi espalhado por todos os cantos do mundo.

fotos: Carlos Sillero e Valerio Lo Bello /Stock.Xchng

O café no Brasil

A entrada do café no Brasil é mais uma história cercada de mistério e paixão. Contase que Francisco de Melo Palheta foi mandado ao Suriname com a missão de trazer uma muda da valiosa planta. Palheta aproximouse da esposa do governador de caiena, capital do Suriname, conseguindo conquistar sua confiança. Assim, uma pequena muda de café Arábica foi oferecida clandestinamente e trazida escondida na bagagem desse brasileiro.

Por quase um século, o café foi a grande riqueza brasileira, e as divisas geradas pela economia cafeeira aceleraram o nosso desenvolvimento e inseriram o Brasil nas relações internacionais de comércio. A cultura do café ocupou vales e montanhas, possibilitando o surgimento de cidades por todo o interior do estado de São Paulo, sul de Minas Gerais e norte do Paraná. Ferrovias foram construídas para permitir o escoamento da produção, substituindo o transporte animal e dinamizando o comércio interregional de outras importantes mercadorias.

A riqueza fluía pelos cafezais, evidenciadas nas elegantes mansões dos fazendeiros, que traziam a cultura européia aos teatros erguidos nas novas cidades do interior paulista. Durante dez décadas o Brasil cresceu, movido pelo hábito do cafezinho, servido nas refeições de meio mundo, interiorizando nossa cultura, construindo fábricas, promovendo a miscigenação racial através da imigração, dominando partidos políticos. Derrubando a monarquia e abolindo a escravidão.

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Características do café

Michal Bielecki/Stock.Xchng

Sabor, aroma e corpo são as três classificações básicas para a classificação e a apreciação da bebida. O café é beneficiado de formas diferentes, oferecendo aos seus apreciadores infindáveis sabores e estilos. O vocabulário para descrever o café lembra o dos degustadores de vinhos.

Fragrância: Odor ou percepção olfativa do café torrado ou moído. A intensidade da fragrância revela o frescor do café;

Aroma: Os compostos que o grão torrado exala formam o característico 'cheirinho de café'. São extremamente voláteis e se perdem facilmente. O aroma é essencial na avaliação da bebida;

Defeitos: Odor e sabor de terra, mofo, batata crua, rançoso, borracha, tabaco queimado, madeira, vinagre e fermentado. Café de excelente qualidade deve ser isento de defeitos;

Acidez: A acidez é uma característica muito importante do café, mas não significa sabor amargo. Acidez é o que dá ao café sua propriedade refrescante, fazendo com que apenas o sabor da bebida permaneça na boca. A sensação de um café com acidez é a mesma que a de um vinho seco. O bom café deve apresentar uma acidez suficiente para despertar o paladar e não prejudicar os outros predicados;

Amargor: É conferido por substâncias como a cafeína, café de baixa qualidade, e também por torra muito escura ou moagem muito fina;

Sabor: Trata-se da combinação das várias sensações de gosto doce, salgado, amargo e ácido;

Corpo: É a sensação tátil de viscosidade e oleosidade na boca. O conceito de corpo está intimamente ligado à sua densidade e concentração. A medida do corpo está relacionada com a sensação de peso percebida através do paladar. O corpo pode variar de aguado e leve até suave, médio e encorpado. Quando dizemos que um café é encorpado, significa que a bebida é intensa e concentrada, produzindo uma sensação agradável na boca.

Adstringência: Gosto deixado na boca depois da ingestão, criando uma sensação indesejável de secura.

divulgação"Aroma de Café - Guia Prático para Apreciadores de Café"
Luís Norberto Pascoal
Editora Fundação Educar-DPaschoal
160 páginas
Onde encontrar: www.ateliedocafe.com.br
Preço: R$ 52,00


A lenda do café

Há mais de mil anos, um monge passeava pelas pastagens da Arábia. Enquanto sentia o calor da tarde aquecer suas costas, respirava o ar puro seco das montanhas. Perto de uns arbustos, o monge notou uma certa agitação onde algumas cabras brincavam. A alegria dos animais era tamanha, que o monge resolveu se aproximar. Um jovem pastor estava sentado perto dos animais e cantarolava baixinho, todos pareciam embriagados por uma estranha felicidade.

O monge chegou mais perto e notou as pequenas frutinhas vermelhas que estavam nas mãos do jovem parecendo reluzir contra a luz do entardecer. O pastor explicou que as frutinhas eram fonte de alegria e motivação, e somente com a ajuda delas o rebanho conseguia caminhar por vários quilômetros por subidas infindáveis.

O monge apanhou um pouco das frutas e levou consigo até o monastério. Antes da oração noturna, resolveu experimentar o novo elixir. Seu corpo foi tomado de uma sensação de júbilo e motivação, e o monge orou durante toda a noite.


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