Óleos extremos

As principais características da região de Estremadura, uma das mais importantes da Espanha, e seu azeite

João Calderón em 29 de Março de 2011 às 09:24

fotos: divulgacão

Extrema dorii, extremos do Douro, ou melhor, no outro extremo do Douro. Esta é uma das principais hipóteses para o surgimento do nome desta comunidade autônoma espanhola, a qual designava a sua posição geográfica ao sul da bacia do rio Douro e de seus afluentes. Hoje em dia, no entanto, outra tese possui uma maior aceitação, na qual o nome Estremadura era utilizado durante o período da Reconquista espanhola, para denominar as terras que se situavam nos extremos dos reinos cristãos do norte, os reinos de Castela e Leão.

Essa comunidade tem como capital a cidade de Mérida e está dividida em duas províncias, a de Cáceres, mais ao norte, e a de Badajoz, ao sul. Ela faz fronteira ao norte com Castilla y Leon, a leste com Castilla La Mancha, ao sul se une à Andaluzia e ao oeste com a região portuguesa do Alentejo. E é justamente com Portugal que essa região estremenha tem seu passado histórico compartilhado, desde os tempos da antiga Lusitânia até o Reino de Badajoz.

Abrangendo os territórios da margem sul do rio Douro, essa zona possui um clima predominantemente mediterrâneo. Seus verões são quentes e secos, porém sem duração muito longa, enquanto seus invernos, apesar de mais duradouros, costumam ser amenos.

Estremadura representa 5% da produção de
óleo de oliva da Espanha

Por se tratar de uma das regiões menos desenvolvidas da Espanha, possui ainda uma economia baseada nas atividades agrícolas e pecuárias, o que também se reflete na sua gastronomia de pouca elegância, uma cozinha de pastores, que tem como um de seus principais pratos as migas - uma receita muito substanciosa, elaborada a partir de pães já velhos.

Dentre as atividades agrícolas e pecuárias uma das mais importantes é a exploração do sobreiro, a árvore de onde se extrai a cortiça; e a grande quantidade de azinheira, uma árvore que é símbolo estremenho, e mais conhecida por seu fruto, a bellota, base da alimentação dos cerdos ibéricos - animais dos quais se produz o melhor jamón do mundo. Mas por lá também encontramos a viticultura e, obviamente, a olivicultura.

A Estremadura ocupa o terceiro lugar em volume de óleo de oliva produzido entre as regiões espanholas, representando 5% da produção de seu país, com aproximadamente 255 mil hectares de oliveiras, atrás apenas da Andaluzia, a maior região produtora do mundo, e de Castilla La Mancha.

#Q#
Estremadura está dividida em duas províncias, Cáceres e Badajoz

Cáceres
Existe uma Denominação de Origem Protegida na província de Cáceres, a DOP Gata-Hurdes, situada na sua porção norte. O cultivar mais plantado dessa denominação é o Manzanilla Cacereña, que também é cultivado em Portugal, mas conhecido como Negrinha. Em ambos os países, ele é utilizado tanto para a produção do óleo de oliva como para azeitonas de mesa. Há aproximadamente 60 mil hectares de plantações desse cultivar em Cáceres, sendo ele o único permitido para a produção dos óleos DOP Gata-Hurdes.

É um azeite que possui um marcante retrogosto, normalmente frutado, com notas amendoadas e de banana, apresentando um bom equilíbrio de amargor e picância. A qualidade, porém, ainda não é constante. Alguns produtores não registrados na Denominação de Origem vendem seus produtos juntamente com aqueles que já são. Fora isso, há algumas evoluções na produção do óleo que ainda precisam ser elaboradas.

Badajoz
As oliveiras são plantadas por todas as partes dessa província, porém seus melhores produtos são os das áreas da DOP Monterrubio, no sudeste da região, e os de Tierra de Barros, no sudoeste.

O cultivar Morisca é o mais plantado na área de Tierra de Barros, e é escolhido por ser vigoroso e resistente. Os óleos elaborados a partir dessa variedade costumam ser suaves, levemente frutados, com um toque amargo e picante.

A DOP Monterrubio está localizada na Sierra Morena. Alguns dos cultivares plantados são a Cornicabra, Picual e Cornezuelo. O primeiro, Cornicabra, é o responsável pela suavidade do óleo dessa DOP, e é complementado pelos sabores mais fortes e marcantes do Picual. Os azeites de oliva extra virgem da DOP Monterrubio são verde-amarelados, muito estáveis, com um leve frutado, aromáticos, com um leve toque amargo e com um pouco de picor.


Azeite

Artigo publicado nesta revista

Revista ADEGA 65 · Março/2011 · Julgamento de Paris

Bastidores da degustação que abalou o mundo


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