Setor de alimentos e bebidas do Canadá reage com cautela ao novo orçamento federal

O orçamento federal do Canadá para 2025 recebeu reações mistas do setor de alimentos e bebidas, que elogiou incentivos fiscais

Redação Publicado em 10/11/2025, às 09h00

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O novo orçamento federal do Canadá, apresentado em 4 de novembro, provocou reações mistas entre representantes do setor de alimentos e bebidas, que reconheceram avanços em políticas de incentivo, mas expressaram preocupação com medidas que podem afetar o emprego e a competitividade.

Em comunicado, a Food and Beverage Canada (FBC) afirmou que recebeu positivamente o reconhecimento do governo à importância do setor para a economia e a segurança alimentar do país. A entidade destacou os novos créditos fiscais, investimentos em infraestrutura comercial e medidas voltadas à produtividade, que podem impulsionar a competitividade e atrair investimentos.

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A FBC também elogiou o compromisso do governo em revisar regras sobre “greenwashing” na Lei de Concorrência, o que, segundo a associação, poderá estimular empresas a investir em práticas sustentáveis.

Apesar dos avanços, a entidade manifestou preocupação com o plano de imigração para 2026-2028, que prevê cortes e pode afetar a disponibilidade de mão de obra. “Trabalhadores estrangeiros são essenciais, especialmente em regiões rurais e remotas. Esperamos que futuras políticas de imigração preservem a estabilidade da força de trabalho e da cadeia de suprimentos”, afirmou a FBC.

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A Restaurants Canada também alertou para os impactos da restrição à entrada de imigrantes. Em nota, a associação afirmou que a medida “dificultará a contratação de profissionais qualificados, como chefs e cozinheiros, em regiões turísticas e com escassez de trabalhadores locais”.

O setor de vinhos e destilados também acompanha com expectativa os desdobramentos do orçamento. Representantes da indústria vinícola voltaram a defender a criação de um Fundo de Processamento Doméstico, promessa feita pelo Partido Liberal nas últimas eleições, que destinaria CA$ 2 bilhões em cinco anos para fortalecer a capacidade produtiva nacional.

Segundo análise publicada pela The Drinks Business, o programa seria fundamental para modernizar vinícolas, ampliar exportações e compensar perdas causadas pelas tensões comerciais entre Canadá e Estados Unidos, que têm afetado especialmente os produtores de vinho e destilados artesanais.

Outros pontos criticados incluem a ausência do Fundo de Processamento Doméstico, promessa eleitoral dos liberais, e a manutenção do imposto escalonado sobre a cerveja, em vigor desde 2017. O presidente da Beer Canada, Richard Alexander, declarou que “os canadenses já enfrentam os maiores impostos sobre cerveja do G7”, e defendeu o fim dos reajustes automáticos que, segundo ele, “afetam consumidores, cervejeiros e o setor de hospitalidade”.