Vinícola francesa substitui vinhedos no Rhône após queda de produtividad
Redação Publicado em 24/11/2025, às 07h26
A vinícola francesa Chapoutier iniciou a substituição de parte dos vinhedos do Vale do Rhône por agaves como estratégia de adaptação ao avanço da seca e ao aumento das ondas de calor na região. A informação foi divulgada pela plataforma especializada wein.plus, que destacou o plantio inicial de 2.000 mudas em uma área antes dedicada ao Côtes-du-Rhône Villages.
O experimento ocorre no Domaine Roc Folassière, no departamento de Gard, onde a queda de produtividade e o aumento do teor alcoólico do vinho tornaram a continuidade da viticultura inviável.
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Em conversa com a wein.plus, o gestor de operações Carel Aubineau, o solo empobrecido e com baixa capacidade de retenção de água reduziu os rendimentos para cerca de 20 hectolitros por hectare. Ele afirma que, apesar de o terroir ter qualidade reconhecida, as condições atuais já não sustentam o cultivo tradicional da uva.
A mudança começou a ser conduzida por Maxime Chapoutier, filho de Michel Chapoutier, e é considerada pela empresa um marco por representar, possivelmente, o primeiro plantio de agave em escala comercial na França. A conversão exigiu investimento estimado em 12 mil euros por hectare, sem adoção de irrigação.
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O redimensionamento das áreas produtivas reflete uma tendência mais ampla na viticultura de Gard. Na primavera de 2025, aproximadamente 4.000 hectares de vinhedos foram arrancados no departamento, equivalente a 10% da área cultivada. No próprio Roc Folassière, a superfície plantada caiu de 35 para 21 hectares nos últimos anos.
A variedade escolhida, Agave americana, integra o grupo de cerca de 30 espécies utilizadas na produção de mezcal no México. A Chapoutier planeja ampliar gradualmente o cultivo até alcançar dez hectares somando as áreas de Gard e do Domaine Bila-Haut, nos Pirenéus Orientais. A empresa avaliou outras espécies adaptadas ao clima mais seco, como oliveiras e pistacheiros, mas optou pelo agave para manter sinergia com sua expertise em bebidas alcoólicas. Cada planta pode fornecer de dois a cinco litros de álcool puro após cerca de dez anos de maturação.
A bebida que vier a ser produzida não poderá utilizar denominações protegidas como tequila ou mezcal. Com um ciclo longo até o primeiro processamento, a vinícola ainda estuda a identidade comercial do futuro destilado. Aubineau comenta que há tempo para definições e menciona, de forma descontraída, a possibilidade de batizá-lo como “Chapoutila”.