Morre consultor de 4 dos 5 Premier Cru de Bordeaux

Jacques Boissenot era um dos mais célebre enólogos consultores do mundo

Redação Publicado em 04/09/2014, às 10h26 - Atualizado em 03/12/2014, às 08h04

 

Boissenot estudou com o lendário Emile Peynaud

Neste quarta-feira, 3 de agosto, faleceu o enólogo consultor Jacques Boissenot, uma das personalidades mais importantes do mundo do vinho no século XX, que trabalhou em quase 200 vinícolas da margem esquerda de Bordeaux nos últimos 45 anos.

Boissenot deu consultoria para nada menos que quatro dos cinco Premier Grand Cru Classé da classificação de 1855 de Bordeaux, os Châteaux Mouton, Lafite, Latour e Margaux. Na região ele ainda assessorou Leoville-Las-Cases e Cos d'Estournel, por exemplo. Ou seja, ele deixou sua marca no vinho de Médoc.

Ele era conhecido por sua abordagem respeitosa quanto aos vinhos, assim como por sua intuitividade na hora de trazer o melhor para eles sem precisar ser o centro das atenções. "Há o terroir, mas também a filosofia por trás dele. Para ser um consultor, você precisa ser bom em psicologia. Com os melhores vinhos, você não tem muita liberdadel apenas quer melhorá-los em suas próprias linhas, respeitar o que são", disse certa vez.

Boissenot nasceu em 10 de setembro de 1938 em Beirute, no Líbano, onde seu pai estava servindo o exército francês. A família retornou à França sete anos depois. Sua primeira escolha profissional foi em veterinária, mas depois optou pela consultoria em vinho, apesar de vir de uma família que não bebida.

Seu professor em Bordeaux foi o lendário Émile Peynaud. Depois de formado em 1972, ele abriu um dos primeiros cinco departamentos de enologia da região a pedido do professor. Desde então, nunca mais esteve longe de Bordeaux. Depois da morte de Peynaud, ele herdeu alguns de seus clientes, a começar por Lafite em 1980, Margaux em 1987, Latour em 2000 e finalmente Mouton em 2005. Em 2010, a revista Decanter o elegeu como enólogo da década.

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