Mitos do deus do vinho ajudam a explicar raízes históricas da festa popular
Carolina Almeida Publicado em 13/02/2026, às 10h25
Figura central da mitologia grega, Dionísio reúne contrastes que atravessam séculos: é o deus do vinho, símbolo de celebração e fertilidade, mas também está associado às origens do que viria a se tornar o Carnaval. Entre o sagrado e o profano, sua história ajuda a compreender como rituais antigos definiram festas que permanecem vivas até hoje.
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Conhecido como Baco na tradição romana, Dionísio era filho de Zeus com a mortal Sêmele, o único deus olimpiano nascido de uma mulher humana. Desde antes do nascimento, enfrentou rejeição e perseguição, especialmente por parte de Hera, esposa de Zeus. Criado longe das cidades, em uma caverna sob os cuidados das ninfas de Nysa, teria descoberto o vinho ao espremer uvas maduras e perceber os efeitos do mosto fermentado.
Segundo o mito, ao reconhecer o prazer e a força proporcionados pela bebida, Dionísio passou a ensinar o cultivo da videira e a produção de vinho por onde passava, difundindo práticas agrícolas e rituais ligados à fertilidade da terra.
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Após viajar pela Ásia, Dionísio retornou a Tebas e instituiu celebrações em sua própria homenagem. Esses festejos, ligados aos ciclos agrícolas e à colheita da uva, são apontados como uma das bases históricas do Carnaval.
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Na Grécia Antiga, festas agrárias celebravam a fertilidade do solo e a produtividade das vinhas. Com o tempo, as comemorações dionisíacas ganharam importância oficial nas cidades-estado. Séculos depois, influenciaram festivais romanos e, já na Idade Média, foram incorporadas ao calendário cristão. Em 590 d.C., a Igreja Católica oficializou a festa que evoluiria para o chamado Carnaval cristão.
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O mito narra que Dionísio morria simbolicamente no inverno e renascia na primavera, em um ciclo associado ao da videira. Durante a vindima, celebrava-se o “renascimento” do deus, buscando garantir colheitas abundantes.
Entre as principais festividades estavam:
Nessas celebrações, o uso de máscaras e disfarces simbolizava a suspensão temporária das diferenças sociais. O vinho, elemento central dos rituais, representava uma força capaz de aproximar deuses e homens, nobres e plebeus.
Ao unir mito, vinho e festa, Dionísio permanece como uma das figuras mais emblemáticas da Antiguidade e uma das chaves para entender a ligação histórica entre cultura do vinho e Carnaval.