Patrick McGovern foi referência mundial em arqueologia biomolecular e estudioso das origens do vinho e da cerveja
Redação Publicado em 08/09/2025, às 08h00
Patrick McGovern, pioneiro na arqueologia biomolecular, morre aos 79 anos
Patrick McGovern, diretor científico do Biomolecular Archaeology Project for Cuisine, Fermented Beverages, and Health no Penn Museum, faleceu em 23 de agosto aos 79 anos.
Considerado uma referência na análise de resíduos arqueológicos, McGovern dedicou mais de 50 anos de carreira — 30 deles no Penn Museum, na Filadélfia — ao estudo das origens de vinhos, cervejas e outras bebidas fermentadas.
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Entre as principais descobertas de McGovern estão a identificação da bebida alcoólica mais antiga do mundo, uma mistura de arroz e mel encontrada em cerâmicas de 9.000 anos na China, e o vinho mais antigo já registrado, datado de 8.000 anos, em vestígios de cerâmica da Geórgia.
Nos anos 1990, McGovern e sua equipe confirmaram a produção de vinho e cerveja em sítios arqueológicos no Irã, demonstrando que a viticultura já estava presente no Crescente Fértil há 7.000 anos. Outro estudo revelou uma bebida híbrida de vinho, cerveja e hidromel em recipientes funerários da Idade do Ferro no Túmulo de Midas, na Turquia.
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Além de artigos científicos, McGovern publicou dois livros de referência: Ancient Wine: The Search for the Origins of Viniculture e Uncorking the Past: The Quest for Wine, Beer, and Other Alcoholic Beverages.
Seu trabalho também ultrapassou os limites acadêmicos. Em colaboração com a cervejaria norte-americana Dogfish Head, recriou bebidas antigas baseadas em análises biomoleculares, como a chamada “Midas Touch”, inspirada no achado turco, além de versões de bebidas peruanas e egípcias.
A ligação de McGovern com o vinho começou em 1971, quando participou da colheita no Vale do Mosel, na Alemanha, considerada uma das grandes safras do século XX. Em entrevista de 2011 à Smithsonian Magazine, disse que escolheria um Riesling desse ano para acompanhar sua eternidade: “Era um elixir, algo de outro mundo”.
McGovern deixa a esposa, Doris, e um legado que redefiniu a compreensão da relação entre arqueologia, vinho e cultura.