Bem adaptada a Mendoza, destaca-se pela resistência e pela regularidade produtiva
José Ivan Santos* Publicado em 19/01/2026, às 11h13
A Bonarda é uma das uvas tintas mais plantadas da Argentina e faz parte da história vitivinícola do país desde o final do século XIX, quando chegou com os primeiros imigrantes europeus. Durante décadas, esteve associada a vinhos simples e de grande volume, destinados sobretudo ao consumo cotidiano. Ainda assim, sua boa adaptação ao clima de Mendoza, aliada à resistência a doenças e à regularidade produtiva, garantiu sua permanência e importância no panorama vitícola argentino.
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O parentesco da Bonarda argentina sempre gerou discussões. Por muito tempo, acreditou-se que fosse a mesma Bonarda do norte da Itália, ligada às tradições da Lombardia e da Emília-Romanha. Pesquisas genéticas mais recentes, no entanto, indicam uma relação direta com a Douce Noire, também conhecida como Corbeau, variedade originária da Savóia, na França. Essa ligação ajuda a explicar sua afinidade estilística com uvas como Barbera e Dolcetto, especialmente no que diz respeito à acidez mais evidente e à estrutura tânica moderada.
Atualmente, a Bonarda ocupa a segunda maior área de vinhedos da Argentina, atrás apenas da Malbec, com cerca de 16 mil hectares plantados. A maior concentração está nas zonas mais quentes e planas do leste de Mendoza, em áreas como San Martín, Junín, Rivadavia e Santa Rosa, longe da influência direta dos ventos frios da Cordilheira dos Andes. Trata-se de uma uva de ciclo longo, que exige calor para amadurecer plenamente e expressar seu melhor equilíbrio.
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Quando cultivada com altos rendimentos e colhida precocemente, a Bonarda tende a gerar vinhos diluídos, com pouca cor e estrutura, cenário que marcou sua reputação por muitos anos. Em contrapartida, vinhedos mais controlados e colheitas no ponto correto revelam um perfil bastante distinto do da Malbec: vinhos mais frescos, com fruta direta, acidez viva e taninos finos e bem polidos.
Esse caráter mais fluido e gastronômico explica o interesse crescente pela Bonarda entre consumidores brasileiros. São vinhos que privilegiam a bebibilidade, funcionam muito bem à mesa e oferecem uma leitura da Argentina menos centrada na potência, valorizando equilíbrio, frescor e elegância tânica.
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