Um château moderno

A Chakana Wines criou uma estrutura simples e funcional para abrigar a produção de seus vinhos


Harmonização com a paisagem: característica planejada
A região de Luján de Cuyo, na Argentina, possui muitas belezas, além de seu forte potencial vinícola. A arquitetura local se destaca em muitos aspectos. Simplicidade e robusteza encontram-se em diversas construções da região. Situada a 950 metros sobre o nível do mar e ao lado do vulcão Tupungato, a atmosfera reserva um ar especial para a vinícola Chakana. Ela fica a 34 quilômetros ao sul da cidade de Mendoza, em uma região onde o solo possui boa textura e grande profundidade. Isto dá uma aparência diferente à vista, além de facilitar o cultivo das videiras.

Adentrando a propriedade principal, observam-se prédios que se assemelham a grandes e imponentes galpões, bem distribuídos no meio da paisagem. Eles se confundiriam se não estivessem diferenciados pela cor. Seus telhados convergem, parecendo espelhar as montanhas de largas bases que espreitam ao redor.

Estrutura modular na produção dos vinhos: tanques de inox de fácil movimentação Tonéis de envelhecimento

Estas edificações foram planejadas e construídas especificamente para a adega. Tijolinhos à mostra compõem um mosaico horizontal em todas as paredes. Nas portas e detalhes das janelas, os tijolos estão dispostos de outra forma, acompanhado os contornos. Assim, não ficam presos a uma monotonia visual.

Os visitantes são recebidos, na entrada principal, em uma marquise que abriga um espaço de exposições e de degustação. Este espaço fica à frente de um dos prédios, ocupando cerca de três quartos de sua fachada. No lado interno, onde predomina a cor vermelha, a iluminação feita por spots trazem um clima de conforto e aconchego.

Sua estrutura interna é modular, construída para tornar o espaço versátil, alterando-o conforme a necessidade. Além disso, a vinícola busca implementar standards internacionais de segurança alimentar e qualidade, como o HACCP e o ISO 9000.

Os elementos contemporâneos não ferem a tradição. A Chakana é um moderno empreendimento que representa um antigo legado familiar. Guido Pelizzatti era um grande produtor de vinhos no final do século XIX, em Valtellina, norte da Itália. Durante décadas, até o final do século XX, a família cresceu na produção de vinhos, mas por diversos motivos, afastou-se dessa paixão.

Há poucos anos, os descendentes dos Pelizzatti retomaram este antigo legado familiar, só que ao pé dos Andes. Hoje desenvolvem vinhos com o conceito “châteaux”, onde as uvas são plantadas no mesmo lugar onde o vinho é produzido, mantendo grande controle do processo. E para isto, a união dos dois lugares, vinhedos e bodega, é imprescindível. Não por menos, os prédios foram projetados com a finalidade de integrar.

Recepção para visitantes na construção principal

Atualmente, a capacidade da Bodega Chakana chega aos 5300 hectolitros, divididos em seus tanques com capacidade entre 50 e 170 hectolitros cada. Para sustentar toda esta produção de vinhos, há mais de 300 hectares de vinhedos plantados em volta dos prédios da vinícola. Neste espaço, existem cepas de Cabernet Savignon, Malbec e Estrutura modular na produção dos vinhos: tanques de inox de fácil movimentação Bonarda de 30 anos, que foram recuperadas e hoje convivem com outras plantadas recentemente. Todas voltadas para os vinhos desenhados pelo consultor internacional Dominique Delteil, diretor científico do Instituto Cooperativo del Vino, de Montepellier, na França.

Com a paixão – e o expertise – de seus antepassados, a Chakana mostra que em um belo espaço, cercado por montanhas imponentes, pode-se criar um conceito em produção de vinhos. Com sua simplicidade, ela não deixa de lado o requinte e a elegância que um bom vinho deve ter.

Alexandre Saconi

Publicado em 29 de Novembro de 2007 às 09:58


Enoarquitetura

Artigo publicado nesta revista