Produtores italianos defendem estratégia para reduzir dependência do mercado americano e ampliar exportações à América do Sul e Ásia
Redação Publicado em 15/07/2025, às 06h00
Produtores do tradicional vinho Chianti, na Itália, estão pressionando por uma estratégia de exportação mais ampla, com apoio da União Europeia, para reduzir a dependência do mercado norte-americano. A iniciativa surge após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar impor tarifas adicionais de até 30% sobre importações da União Europeia a partir de 1º de agosto.
Segundo a agência Reuters, Giovanni Busi, presidente do Consorzio Vino Chianti – associação que reúne vinicultores da região da Toscana –, avaliou que o cenário deve ser visto como um estímulo para buscar mercados alternativos. “Não adianta lamentar. Isso deve ser visto como uma oportunidade para acelerar uma estratégia voltada a mercados alternativos e mais estáveis”, afirmou.
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Os EUA respondem hoje por cerca de 25% das exportações globais de vinhos, destilados e vinagres italianos, segundo dados da federação Federvini. No ano passado, as vendas para o país somaram US$ 2,3 bilhões. Com o risco de tarifas, o setor busca diversificação de mercado.
Entre as opções consideradas prioritárias estão América do Sul, Ásia e África. A agência Reuters destacou que Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai são países com potencial de crescimento e chamou atenção para a demanda crescente em China, Japão, Vietnã e Taiwan.
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Outros produtores compartilham da preocupação. Matteo Lunelli, CEO do grupo Gruppo Lunelli, produtor de espumantes, disse ao jornal la Repubblica que Japão, China, Coreia, Vietnã, Tailândia, Oriente Médio e Canadá despontam como mercados estratégicos.
O setor de Prosecco também demonstra apreensão. Cerca de 130 milhões de garrafas do espumante produzido no Vêneto e Friuli são exportadas para os EUA anualmente, representando quase 30% das vendas externas. “A incerteza prolongada pesa nas decisões estratégicas. Esperamos uma solução final e razoável”, declarou Giancarlo Guidolin, presidente do Consorzio Prosecco, em comunicado.