Matemático e filósofo desafiou tradições islâmicas ao transformar o vinho em símbolo da vida
Por Arnaldo Grizzo Publicado em 28/12/2015, às 09h00 - Atualizado em 29/05/2026, às 16h02
Entre os grandes nomes da cultura persa medieval, poucos atravessaram os séculos com tanta influência quanto Omar Khayyam. Conhecido por seus avanços na matemática e astronomia, o intelectual também ficou marcado por versos que celebravam o vinho, o prazer e a fugacidade da vida — temas que desafiaram interpretações mais rígidas do islamismo em sua época.
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Apesar de sua relevância científica, foi através dos famosos Rubaiyat — quartetos poéticos atribuídos ao autor — que Omar Khayyam alcançou reconhecimento mundial séculos depois. Traduzidos para o inglês no século XIX, os poemas ajudaram a consolidar sua imagem como um pensador que associava o vinho à liberdade, ao amor e à reflexão sobre a existência.
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Alcorão, o livro supremo, pode ser lido às vezes, mas ninguém se deleita sempre em suas páginas. No copo de vinho, está gravado um texto de adorável sabedoria que a boca lê a cada vez com mais delícia”.
(Quadra atribuída ao Rubaiyat de Omar Khayyam, traduzida por Alfredo Braga)
Os poemas também revelam uma visão filosófica marcada pelo “carpe diem”, defendendo o aproveitamento do presente diante da brevidade da vida. Essa abordagem fez de Khayyam uma figura singular dentro da literatura islâmica medieval, equilibrando espiritualidade, ciência e hedonismo em uma obra que permanece influente até hoje.
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Quase nove séculos após sua morte, em 1131, Omar Khayyam segue sendo lembrado tanto por suas contribuições acadêmicas quanto por transformar o vinho em símbolo poético de prazer, reflexão e liberdade.