Avaliação de ADEGA



ESPUMANTES

1- 90 pontos
Brut Piper Heidsieck
Piper-Heidsieck, Champagne, França (Interfood R$ 206). O tradicional rótulo vermelho desta casa é um dos mais confiáveis Brut de mercado. Sempre com estilo muito interessante. Nariz gostoso, com toques de mel e baunilha. Boca firme, com boa viscosidade e intensidade. Seu final no palato é muito bom, harmônico e com toques minerais. Pronto para ser apreciado e com mais três anos de vida pela frente. LGB

2- 93 pontos
Grand Vintage 2000 Moët & Chandon

Moët & Chandon, Champagne, França (LVMH R$ 285). Perlage fina e elegante. Amarelo com toques dourados. Buquê muito interessante, com tudo o que um clássico champagne safrado tem que ter. Frutas secas presentes, ladeadas por frutas como damasco, pêssego e laranja. Boa complexidade, com toques de crocância. Tem ainda tons florais e minerais. No palato, é cremoso. Deliciosa presença na boca, média intensidade e final muito bom. Um dos melhores vintages da Möet dos últimos anos. Tem estrutura para evoluir por mais cinco ou seis anos. Composição: 50% Chardonnay, 34% Pinot Noir e 16% Pinot Meunier. Ficou muito perto da prestige cuvée da Moët, o Dom Perignon 2000. LGB

#Q#

3- 84 pontos
Marco Luigi Brut

Vinícola Marco Luigi, Bento Gonçalves, Brasil (R$ 26). Preparado pelo método tradicional (a segunda fermentação ocorre na garrafa), este espumante típico do Vale dos Vinhedos tem uma linda coloração amarelo palha, bastante brilhante. O perlage é fino, persistente e abundante. O primeiro ataque aromático é muito marcante de maçãs verdes e abricós doces, evidenciando que aqui só entram uvas Chardonnay, todas de vinhedos da própria família e localizados no Vale. Bastante frutado na boca, tem bom equilíbrio, mas seria beneficiado com um pouco mais de acidez, que lhe acrescentaria um vigor extra. Boa permanência e 12% de álcool. SMR

4- 87 pontos
Ivory Label Lanson

Lanson, Champagne, França (Canevari R$ 120). Há 50 anos, os padrões dos champagnes eram mais para os Demi- Sec, com açúcar residual mais presente. Desde então, eles quase caíram em desuso, mas há um espaço para essas deliciosas e doces garrafas. No nariz, apresenta tons cítricos e boa estrutura aromática. Na boca, é muito agradável, saboroso e provocante. Pode servir de aperitivo para apreciadores de vinhos adocicados. É um excelente exemplar para finalizar um almoço com deliciosa salada de frutas. Pronto para consumo. LGB


BRANCOS

5- 91 pontos
Anjou Les Clos des Rouliers 2006

Richard Leroy, Vale do Loire, França (World Wine R$ 182). Richard Leroy é contra a utilização de produtos químicos nas vinhas e utiliza sulfitos no engarrafamento em baixíssimas quantidades. Seus vinhos são naturais. Mais um belo exemplar da safra 2006, que foi excelente em todo Loire, mas, especificamente nos arredores do rio Layon (afluente do Loire), foi ainda melhor.

100% Chenin Blanc, com linda cor amarelo palha claro. Nos aromas, apresenta boa carga de frutas maduras como damascos, maçãs, pêssegos, laranja, cítricos e tons de baunilha, bem leves e na medida (o vinho é amadurecido em barricas de carvalho com certo uso, para não marcar com a madeira). Boca muito cheia. Um vinho muito rico, cheio, frutado, intenso, confirmando a impressão do olfato. Acidez marcante e final muito saboroso. Um branco com muita vida. Prazeroso hoje e com mais cinco anos de boa evolução. LGB

6- 82 pontos
Antuco Reserva Sauvignon Blanc 2007

Vitivinícola Cremaschi Barriga, Vale del Maule, Chile (Porto Mediterrâneo R$ 46). Para os apreciadores da Sauvignon Blanc, este é um exemplar ideal para aperitivo, leve e correto, com aromas cítricos adocicados que puxam para o abacaxi. Na boca, está fresco, embora não seja dos mais leves dessa casta. Tenha cuidado com a temperatura para não perder a gostosa fruta que aparece no nariz e na boca. 12,5% de álcool. SMR

7- 93 pontos
Baron de L Pouilly-Fumé 2005

Ladoucette, Vale do Loire, França (Vinci R$ 391). Produzido no famoso e charmoso Château du Nozet pela família Ladoucette. Este é, sem dúvida, o mais cultuado Sauvignon Blanc dentre todos (um dos mais caros também). Sempre acima da média em qualquer safra. Pois bem, 2005 foi uma safra fenomenal na região (seguramente a melhor dos últimos 15 anos) e o vinho não podia deixar de ser grande. Impressionante conjunto aromático. Muito frescor e muita complexidade. Deliciosos toques cítricos, tons florais, groselha, pêssegos, seguidos de tons herbáceos. Palato muito firme, com intrigante acidez e final estonteante. Uma obra de arte com expressão máxima da deliciosa Sauvignon Blanc.

#Q#

Ainda jovem, mas muito prazeroso. Pode ser degustado hoje, mas estará melhor ao final deste ano. Normalmente os Sauvignon Blancs são vinhos para consumo rápido. Este vinho é talvez uma das únicas exceções, pois evolui muito com o tempo. Que tal um pargo na pedra com toques de limão e azeite extravirgem? Consumo 2009/2017.

8- 92 pontos
Château de Tracy Pouilly-Fumé 2006

Château de Tracy, Vale do Loire, França (Decanter R$ 172). 2006 foi uma safra fabulosa, quase à altura da fenomenal 2005. Este Château, de mais de 600 anos, é uma das maiores referências no Loire Central. Este é seu vinho top. Linda cor, levemente amarela com toques esverdeados. No nariz, é fresco, com uma excelente carga de fruta tropical, groselha, maçãs verdes, lichia e cítricos no final. Conjunto aromático encantador.

Boca espetacular, com muita vida, elegância e equilíbrio. Seus potentes 13,5% de álcool estão em total sintonia com a acidez. Conjunto com muita finesse e delicadeza. Ainda muito jovem, mas já prazeroso. Estará melhor em um ano. Uma preciosidade de Sauvignon Blanc, difícil de ser superado. Consumo 2009/2018. LGB

9- 88 pontos
Cheverny Le Vieux Clos 2007

S. a. r. l. G. L. Delaille, Vale do Loire, França (Decanter R$ 73). Corte de 85% de Sauvignon Blanc com 15% de Chardonnay. É na AOC Cheverny que temos o encontro dessas duas uvas que muito dificilmente são combinadas. Amarelo bem claro. No olfato, é marcante sua mineralidade e frescor. Boa carga de fruta, com destaque para cítricos, seguidos de tons florais. Na boca, é provocante, jovial e fresco. Final de boca excelente. Para quem gosta de vinhos com estilo de um Sauvignon Blanc fresco e direto, esta garrafa é uma ótima alternativa para vinhos mais caros da região como Sancerre e Pouilly-Fumé - que são sempre muito mais onerosos. Delicioso. Deve ser consumido nos próximos dois anos. LGB

10- 84 pontos
Cinco Sentidos Torrontes 2007

Finca Algarve, Mendoza, Argentina (MM Vinhos R$ 38). Bem claro, com toques levemente esverdeados. Muito fresco nos aromas, mas repleto de alegria. Como não podia negar a raça da aromática casta Torrontes, tem boa presença floral com toques herbáceos. A fruta está presente, com toques cítricos. No palato, é gostoso, com toques verdes, confirmando a impressão do olfato. Final refrescante e levemente adocicado. Consumir entre 2009 e 2010. LGB

11- 90 pontos
Evidence 2003

Les Cailloux du Paradis, Vale do Loire, França (World Wine R$ 177). Vinho produzido na grande Touraine, região Sologne Viticole, mais especificamente em Soings-en-Sologne, ao sul de Blois. Este produtor chama sua Domaine de "Cantinho de Sologne" (Petit Coin de Sologne). Adepto da cultura biológica, Claude Courtois é verdadeiramente um mago que produz vinhos artesanais. Este talvez o mais raro de todos, pois é produzido a partir de vinhas velhas da Menu Pineau, uva muito rara e desconhecida, principalmente no Brasil. Sua cor está mais para um vinho doce.

Cor de caramelo, com presentes reflexos dourados. Aromas complexos, com tons defumados, frutas como damasco e abacaxi e um intrigante final. Na boca, é delicioso e vigoroso. Um vinho cheio de surpresas. Lembra os vinhos produzidos a partir da Savagnin. Ideal para acompanhar pratos com muita presença como sushi e sashimis com wasabi. Vai muito bem com frango ao curry. Delicioso hoje. Recomenda-se decantá-lo uma hora antes de ser consumido. Consumo 2009/2015. LGB

#Q#

12- 87 pontos
Muscadet Sèvre & Maine Sur Lie 2006

Marc Bredif, Vale do Loire, França (Vinci R$ 85). Produzido a partir de 100% da casta Melon de Bourgogne. Linda cor brilhante. Quase translúcido. Aromas fechados, mas mostrando seu estilo mineral. A surpresa chega quando acessamos este vinho no palato. Como é seco e não exuberante nos aromas, a expectativa é para um vinho muito simples. Puro engano. É firme e prazeroso, com toques herbáceos, de mel (muito sutis) e um delicioso caráter mineral. Foi degustado ao lado de Plateau Du Fruits de Mer (frutos do mar in natura muito frescos) no Restaurante Ici Bistro em São Paulo. Uma clássica e deliciosa harmonização. Pronto para consumo. LGB

13- 90 pontos
Pouilly-Fumé Mademoisele T 2007

Château de Tracy, Vale do Loire, França (Decanter R$ 111). 2007 foi uma excelente safra no Loire. Este vinho é o segundo vinho desta propriedade. Cor amarelo bem claro, quase translúcido, com toques esverdeados. Espetacular explosão no nariz. Grama, cítricos, diversas frutas tropicais, com destaque para pêssegos e final contundente. Boca cheia de vida, volume e intensidade, que remetem às características aromáticas, com um toque especiado e levemente salgado.

Vai melhorando com o passar do tempo na taça. Ter a oportunidade de provar um jovém Pouilly-Fumé é ter a oportunidade de conhecer a cepa Sauvignon Blanc na acepção de suas características. Selvagem e contundente hoje. Irá "amansar" nos próximos seis meses. Depois tem seguramente cinco anos de guarda, mas mudando muito suas características. Excelente com queijo de cabra fresco. LGB

14- 93 pontos
Riesling Schossberg Grand Cru 2005

Paul Blanck, Alsácia, França (Decanter R$ 199). Esse vinho talvez seja um dos mais assíduos de nossa seção cave. Já escrevemos sobre as safras 2002 e 2004. Pois bem, esperar é bom. 0 2005 é superior e mais rico. Esta garrafa talvez seja o branco seco mais exuberante que a família Blanck já produziu. O Cru Schlossberg produz os melhores Riesling secos de toda Alsácia e talvez os melhores do mundo. Linda cor amarela, com toques de certa evolução. Aromas muito interessantes, com toques de pêssego, damasco, toques cítricos, tons de petróleo e um final supermineral. Boca sensual, muita vida e retrogosto impecável. Um grande vinho branco que mostra a força e a longevidade da uva Riesling, que vem com tudo para se reafirmar como uma grande expressão para brancos. Excelente com carpaccio de salmão e haddock em lascas com toques de tomilho. Gostoso hoje. Consumo 2009/2020. LGB

15- 85 pontos
San José de Apalta Chardonnay 2008

Agrícola Santa Cristina, Valle de Rapel, Chile (Costazzurra R$ 30). Com uvas provenientes do Vale do Rapel, San José de Apalta produz este 100% Chardonnay que não passa por madeira. Seu visual é amarelo palha bem claro, com reflexos verdeais. Por pertencer à linha de entrada do portifólio, o vinho apresenta boa complexidade e tipicidade, com aromas de maçãs e peras cozidas, bastante levedura (fermento) e pão tostado. Untuosidade e frescor agradáveis. Pronto para consumo. MM

#Q#

16- 94 pontos
Savennieres Clos de Papilon 2005

Domaine de Baumard, Vale do Loire, França (Mistral US$ 70). Amarelo claro com nuances douradas. Aromas deliciosos de fruta madura (peras), com nuances de chocolate e caramelo. No palato, tem acidez vibrante. Seu equilíbrio é fabuloso. Álcool 13%, frescor, acidez, mineralidade e fruta em total sintonia. Um conjunto de nariz e boca impecável. Um delicioso vinho que pode ser apreciado hoje e por mais 15 anos. Tremenda estrutura. É um dos vinhos brancos para guarda. Excelente com tartar ou ceviche de atum. LGB

TINTOS

17- 85 pontos
Agiorgitiko 2005

Boutari, Nemea, Grécia (Vinci R$ 60). A primeira impressão é de estarmos diante de um vinho mais leve. Sua cor é mais clara. Lembra a de um Pinot Noir. Seu conjunto aromático é interessante, pois tem como base frutas vermelhas maduras, com tons especiados e apimentados. Na boca, é confirmado o bom volume de frutas (ameixa), com toques de madeira. Tem certa rusticidade, esperada de um vinho grego. Gostoso hoje e melhor daqui a seis meses, tempo para que seu conjunto entre álcool (elegantes 12,5%), fruta, madeira, taninos e acidez, esteja melhor integrado. Um vinho excitante. Pode ser consumido entre 2010 e 2013. Muito bom com um risoto de radicchio e calabresa. LGB

18- 87 pontos
Bourgueil L'échellerie 2006

Guy Saget, Vale do Loire, França (Mistral US$ 30). A megacasa Guy Saget tem propriedades em todo vale do Loire, desde Muscadet até Pouilly-Fumé. Seus vinhos são sempre de alta qualidade. Este Bourgueil, 100% Cabernet Franc, tem linda cor rubi, com forte presença de tons violetas e púrpura. Nariz estiloso, com muita fruta madura (framboesas) e especiarias. O conjunto aromático é muito fresco. Boca firme, gostosa e com taninos bem formados. Os vinhos dessa AOC são sempre mais tânicos que seus irmãos Chinon. Um vinho sem mistérios que pode acompanhar pratos desde mais leves até carnes com mais personalidade. Muito versátil. Bom hoje. Consumo 2009/2012. LGB

19- 88 pontos
Cabernet Sauvignon Reserve 2005 Pascual Toso

Pascual Toso, Mendoza, Argentina (Interfood R$ 64). Produzido em uma das mais clássicas sub-regiões de Mendoza, Barrancas. Aromas bastante marcados por frutas negras maduras, especiarias com suaves tons de café, baunilha, finalizando com muito frescor. No palato, é rico, com taninos presentes e bom retrogosto (tostados e fruta madura). Pronto para consumo. Um belo Cabernet Sauvignon de nosso continente. LGB

20- 87 pontos
Carménère Reserva 2007 Viu Manent

Viu Manent, Vale de Colchagua, Chile (Hannover R$ 74). Rubi purpura profundo. Muito escuro e denso. Seu primeiro ataque no nariz é impressionante. Muita fruta negra madura (cassis, cerejas, amoras etc), carregado de tons herbáceos, especiarias, pimenta-do-reino e nuances de café. Seu primeiro ataque no palato é impressionante, com boa carga de fruta, madeira presente e tons verdes selvagens. Potentes 14,5% de álcool. Um vinho para ir à mesa e acompanhar pratos fortes. Um bife de chorizo sangrando acompanhado de pimentões vermelhos na brasa é uma boa pedida. Está jovem ainda, mas, para quem aprecia vinhos muito potentes, é uma boa pedida. Com certeza mais um ano de garrafa lhe fará bem. Depois disso, deve ser consumido nos próximos dois anos. LGB

#Q#

21- 86 pontos
Casa de Santa Vitória Touriga Nacional 2006

Casa de Santa Vitória, Alentejo, Portugal (Tio Sam R$ 107). Vinícola jovem, fundada em 2002, que tem se dedicado a produzir azeites e vinhos tradicionais alentejanos de alta qualidade. Este Touriga Nacional é o único varietal da vinícola e tem um resultado muito promissor. É intenso nos aromas de especiarias e de café, talvez advindos dos 14 meses em carvalho novo. Não é filtrado e mostra bom corpo e estrutura. Na boca, apesar de trazer uma das uvas símbolos de Portugal, tem um estilo mais frutado e menos tânico como se faz no Novo Mundo. Tem 14% de álcool. SMR

22- 88 pontos
Chinon Beaumont 2006

Catherine & Pierre Breton, Vale do Loire, França (World Wine R$ 134). 100% de Cabernet Franc, também conhecida como Breton na região de Chinon e Bourgueil. Um tinto de linda cor rubi, com toques brilhantes. Boa carga de frutas maduras (cerejas negras), tons florais e toques terrosos. Um Cabernet Franc na acepção da palavra, com toques verdes típicos, tons florais, especiarias e muita personalidade. Boca gostosa, com muito frescor. Corpo médio, com boa acidez e taninos provocantes. Um vinho fora da curva, que foi melhorando muito com o passar do tempo, tanto aromática quanto gustativamente. Uma belíssima pedida para quem aprecia vinhos tintos mais frescos, mas sem perder a personalidade (12% de álcool). Excelente com churrasco acompanhado por uma bela salada. Recomenda-se decantá-lo 30 minutos antes do consumo. Gostoso hoje e com mais cinco anos de guarda. LGB

23- 90 pontos
Chinon Les Pensées de Pallus 2006

Domaine de Pallus, Vale do Loire, França (Vinci R$ 108). O responsável por esse vinho é Bertrand Sourdais, formado em Bordeaux e consagrado como enólogo dos excelentes vinhos do Dominio de Atauta, na Ribera del Duero, Espanha. Seu Single Project é no Loire, onde se especializou na Cabernet Franc. Aromas muito interessantes, com destaque para framboesas e cerejas, seguidos de boa presença de tostados. Boca performática, mostrando estilo, confirmando a fruta madura detectada no nariz com um final apimentado. Um Chinon raçudo, com a rusticidade típica dos vinhos dessa AOC. Seguramente entre o que há de melhor à base da Cabernet Franc no Loire. Consumo 2009/2016. LGB

24- 91 pontos
Chinon Les Varennes du Grand Clos 2004

Charles Jouguet, Vale do Loire, França (Mistral US$ 79). Este produtor é uma autoridade na região e talvez o mais renomado dentre todos produtores de tintos no Loire. É tão respeitado que seu Chinon La Dioterie é um dos 100 melhores vinhos do mundo para a família Vrinat, proprietários do grande restaurante parisiense Taillevent, que tem a segunda maior adega do mundo (já chegou a ter 300 mil em seus estoques). O livro em questão denomina-se "100 Vins de Legend". Lindo rubi escuro brilhante. Aromas deliciosos, mostrando a força da casta. Um buquê com complexidade muito acima da média. Tons herbáceos, frutas negras (cerejas predominantes), toques de tabaco, florais (violetas), muita especiaria e final provocante. Boca com excelente volume, intrigante acidez, boa carga de frutas, taninos "picantes" e muita vivacidade. Mais um vinho para quem quer fugir do óbvio, mas, aqui, com muita elegância e tipicidade. Gostoso hoje e com mais 10 anos de estrada em plena evolução. Se decidir degustá-lo hoje, é imperativo ser decantado uma hora antes de ser consumido. LGB

#Q#

25- 88 pontos
Cistus Reserva 2004

Quinta do Vale da Perdiz, Douro Superior, Portugal (Tio Sam R$ 82). Portugueses fazendo o que sabem melhor: suas mesclas tintas. A cada ano, muda a proporção das uvas. Neste safra 2004, ela foi composta com 40% de Tinta Roriz e de Touriga Franca e mais 20% de Touriga Nacional. Engarrafado somente 18 meses depois de estagiar em carvalho, seu resultado é potente e elegante, de cor rubi escuro. A madeira aparece no nariz, é claro, mas não oculta as frutas frescas e a uva, quase passa. É bastante alcoólico e intenso, evocando muitos sabores de frutas, couro e um sutil tabaco. É um vinho para pessoas que não buscam sutileza, mas que não abrem mão de um estilo marcante. Tem 15% de álcool. SMR

26- 91 pontos
Coyam 2006

Emiliana, Vale de Colchagua, Chile (Magna Import R$ 210). No contrarótulo, temos "vino hecho com uva orgânica". Mais um vinho elaborado sobre a maestria de Alvaro Spinosa. Blend de Syrah, Mourvèdre, Merlot, Carménère, Cabernet Sauvignon e Malbec. Antes do fenomenal Gê, era este vinho o top da casa Emiliana. Muito rico nos aromas, muita fruta negra, tostados, especiarias, leves tons herbáceos e toques tabaco. No palato, mostra o vigor da juventude com taninos de excelente qualidade, mas que estão ainda indomados. Seu final de boca é muito agradável, com boa fruta, bom equilíbrio e tom mineral. Com seis meses mais de garrafa estará melhor. Pode evoluir por mais cinco anos. LGB

27- 88 pontos
Desejo 2006

Salton, Rio Grande do Sul, Brasil (R$ 75). Linda cor púrpura/violeta. Uma verdadeira surpresa no nariz. Fino, boa carga de madeira (carvalho de boa qualidade - 12 meses em barricas novas - metade americanas e a outra metade francesas), ameixas negras, tons lácteos, baunilha e tabaco. Firme na boca, com excelente volume de frutas maduras, boa profundidade e taninos firmes. Final muito bom, só lhe falta um toque a mais de elegância. Uma amostra viva da evolução da vitivinicultura brasileira. Entre o que a de melhor por aqui. Provado 12 horas depois da degustação, fechado com Vacun Vin, continuava muito bom. Um vinho muito bom para acompanhar um belo churrasco. Excelente com um bom parmesão. Consumo 2009/2014. LGB

28- pontos Domaine Sorin 2003
Luc & Sergine Sorin, Bandol, França (Decanter R$ 145). Blend de 85% de Mourvèdre, 10% Syrah e 5% Carignan. Rubi brilhante. Aromas excelentes de frutas maduras (cerejas, ameixas e amoras), tons herbáceos, toques de alcaçuz, couro e especiarias. Conjunto aromático exuberante. Na boca, é excelente, com picante acidez, médio corpo e suculência. Está delicioso hoje e tem mais dez anos de boa evolução pela frente. Delicioso ao lado de um Coq Au Vin. LGB

#Q#

29- 88 pontos
Grand Vin de Goulart Malbec 2007

Bodega Goulart, Mendoza, Argentina (Costazzurra R$ 240). A Finca pertence à brasileira Erika Goulart e conta com consultoria enológica de Luis Barraud (Cobos). Produzido com o fruto de videiras de mais de 90 anos, localizadas em Lulunta, Mendoza, este 100% Malbec passa por 14 meses em barricas francesas novas. No visual, já é possível observar uma imensa concentração, com coloração violeta, quase intransponível à luz. No nariz, ainda fechado, sobressaem-se notas de violeta, mirtilo, ameixa, chocolate, baunilha. Em boca, impressiona a estrutura bastante compacta, muito rica em taninos, bastante polidos, com notas aromáticas adicionais de cacau e lácteas. Para consumo imediato, recomenda-se decantar com boa antecedência (uma hora no mínimo). Com potencial de guarda até 2014. MM

30- 91 pontos
Les Mortiers 2005

Domaine Le Briseau, Vale do Loire, França (Word Wine R$ 172). Se você está procurando um vinho diferente, mas muito diferente do que está acostumado - tipo Cabernets, Malbecs e Carménères de nosso continente, repletos de fruta e madeira -, encontrou. Nesta garrafa temos talvez um dos vinhos mais intrigantes e provocadores do mercado. O casal Chaussard, proprietário da vinícola, é convicto e fervoroso defensor dos vinhos naturais. Um belo exemplar da pouco conhecida Pineau D'Anuis. Linda cor rubi, com toques púrpura. No nariz, é uma explosão de aromas de frutas maduras, como morangos e framboesas, complementados de boa carga de especiarias, toques florais e uma impressionante presença de pimenta-do-reino preta - alias, uma característica desta deliciosa uva. No palato, é fresco, selvagem e até com certa rusticidade, mas absolutamente intrigante e delicioso. Equilibrados 13% de álcool. Um vinho prazeroso que propicia uma experiência única. Consumo 2009/2013. LGB

31- 84 pontos
Los Clop Reserva Malbec 2005

Clop y Clop, Mendoza, Argentina (D'Olivino R$ 54). A Bodega Los Clop possui vinhedos em Maipú e San Martin, em Mendoza. Este 100% Malbec é o top de linha da vinícola e apresentou aromas de amoras, mirtilos, pimenta preta e ervas tostadas. Boa estrutura de taninos e acidez equilibrada. Pronto para consumo e com mais um ou dois anos no auge. MM

#Q#

32- 90 pontos
Quinta da Neve Pinot Noir 2006

Quinta da Neve Vinhos Finos, São Joaquim, Brasil (R$ 50). Embora este projeto na serra catarinense seja bastante novo, a qualidade impressiona. Este Pinot Noir apresenta coloração rubi, com média concentração, conforme prega a tipicidade da uva. Os aromas estão bem integrados, com notas de café, almíscar, banilha, amoras e framboesas. Em boca, os taninos aparecem de forma rica e aveludada, com bom frescor. No retrogosto aparecem notas de sous-bois e morangos. Atualmente, a Quinta da Neve conta com consultoria enológica do português Anselmo Mendes. Pronto para consumo e no auge por mais dois anos. MM

33- 85 pontos
Reserva Privada Nebbiolo 2004

Vineyards Cremaschi Furlotti, Valle del Maule, Chile (Tio Sam R$ 87). Este é o único chileno feito com a uva Nebbiolo a chegar ao mercado. Pode ser bebido agora, mas sua potência e caráter vão mantê-lo íntegro pelos próximos cinco anos ao menos. É fácil se deixar enganar pela coloraçao rubi claro e brilhante. Mas este vinho já passou 24 meses em barrica e ainda assim seu aroma rescende a cerejas doces e um fundo de chocolate. Seus taninos vibrantes são um pouco acalmados, mas a acidez característica da cepa está bem presente. Instigante e diferente. Para os apreciadores, vale a novidade de um Nebbiolo feito bem abaixo do Equador. Tem 13,5% de álcool. SMR

34- 86 pontos
Santa Maria dei Servi IGT 2006

Azienda Agricola Gattavecchi, Toscana, Itália (Tio Sam R$ 45). Há quatro gerações, a família Gattavecchi vem produzindo vinhos com as principais uvas da região, Prugnolo Gentile (Sangiovese) e Canaiolo Nero. Sua linha diversificada contempla desde o Chianti mais tradicional até o Vino Nobile de Montepulciano. Este IGT é um desses vinhos para tomar sempre, com sua concentração vinda das vinhas com mais de 50 anos e sem passagem por madeira. É frutado, leve e saboroso, com ligeiro toque de mentolado, fresco e fino. Vai agradar a muitos paladares. Tem 12,5% de álcool. SMR

35- 92 pontos
Touriga Nacional 2003 Quinta do Alqueve

Quinta do Alqueve, Ribatejo, Portugal (World Wine R$ 165). Essa quinta é a maior referência do Ribatejo hoje. Produz vinhos muito interessantes, que sempre primam pela elegância. Lindo rubi. Seu primeiro ataque no nariz é muito interessante. Fruta abundante (amoras, morangos), tons verdes, nuances de mentol e uma boa carga de madeira (tem 80% do vinho envelhecido em carvalho francês novo). No palato, é muito gostoso, firme, equilibrado (elegantes 13% de álcool) e com muita vida. Excelente com pernil de cordeiro assado no vinho. Está confirmada a elegância planejada pelo apaixonado Paulo Cunha, que recentemente esteve no Brasil para o lançamento desse vinho, que é o top da casa. Consumo 2009/2015. LGB

#Q#

36- 84 pontos
Vicente Vargas Videla Malbec 2007

Bodega Tierras Altas, Luján de Cuyo, Mendoza, Argentina (Tio Sam R$ 26). Malbecs argentinos variam tanto quanto a coloração dos cabelos de mulheres da terceira idade. Mas, este é feito por uma vinícola que se dedica exclusivamente a produzir Malbecs, fato que não se pode desprezar. Este é o vinho da linha de base da casa e tem coloração cereja violácea, bastante brilhante. Como não passa por madeira, seus aromas de frutas vermelhas estão nítidos e agradáveis. Rico e suave na boca, tem taninos bem cuidados e não há dulçor excessivo, coisa que prejudica muitos Malbecs. Escolha boa e de bom preço. Tem 13,5% de álcool. SMR

DOCES


37- 94 pontos Bonnezaux 2005
Château de Fesles, Vale do Loire, França (World Wine R$ 288). Seguramente estamos diante de um dos mais especiais vinhos doces não fortificados do mundo. Bonnezaux é uma AOC incrustada numa maior AOC, Coteaux de Layon. Ao lado do vizinho Quarts de Chaume são os doces mais disputados, raros e caros do Loire. 100% Chenin Blanc atacadas pelo fungo Botrytis. Amarelo dourado. Encantadoramente aromático, com fruta tropical abundante. Abacaxi, damasco e tons cítricos. Muito doce no palato, mas com excelente frescor e pungente acidez. Retrogosto espetacular. Inesquecível. Uma obra de arte produzido a partir da fenomenal casta Chenin Blanc, da excepcional safra de 2005. Um vinho colecionável que está delicioso hoje e que tem 10 anos de boa evolução pela frente. Ao lado de um queijo azul é sensacional. LGB

38- 95 pontos
Quarts de Chaume 2006

Domaine de Baumard, Vale do Loire, França (Mistral US$ 160). 2005 foi uma das melhores safras dos últimos anos no Loire e mais especificamente para a região de Savennieres. A sorte e os bons ventos continuaram e 2006 foi também excelente. Para quebrar paradigmas, degustamos o Quarts de Chaume da safra 2005 ao lado deste 2006 (como sempre, às cegas). Pois bem, ficou notório que a diferença é muito pequena, deixando claro que o 2005 é monumental e o 2006 excepcional. Com as condições climáticas de 2006, a casa conseguiu produzir um vinho quase tão sensacional quanto o 2005. Seus aromas são uma salada de frutas, com toques de laranja, lima, figos, pêssegos etc. Apresenta ainda deliciosas nuances de mel e flores. Na boca, sua acidez é marcante e vibrante. Gera uma sensação de doçura, mas com muito frescor. Pode ser degustado hoje. Estará evoluindo nos próximos 12 anos. Excelente com terrine de fois gras. LGB



Luiz Gastão Bolonhez, Marcel Miwa E Sílvia Mascella Rosa

Publicado em 15 de Julho de 2009 às 07:39




Artigo publicado nesta revista