Fogo queimou mais de 200 hectares e chegou a 200 metros de vinhas antigas da Bodegas Frontonio

por Redação
Um incêndio florestal que atingiu mais de 200 hectares em Aragón, na Espanha, chegou a cerca de 200 metros de um dos principais vinhedos da Bodegas Frontonio. O fogo avançou em 14 de agosto pela Sierra de Algairén, entre Almonacid de la Sierra e Alpartir, em plena vindima, e levou o Master of Wine e produtor Fernando Mora a defender maior apoio à agricultura e às comunidades rurais espanholas.
Entre as áreas ameaçadas estava El Jardín de las Iguales, no vale de Barrandijos, onde a Frontonio cultiva vinhas antigas de Garnacha e Macabeo utilizadas em alguns de seus principais vinhos. A propriedade escapou das chamas, que pararam a aproximadamente 200 metros do vinhedo. Parte dos moradores de Alpartir precisou deixar a cidade, enquanto outros permaneceram para ajudar no combate ao fogo.
Clique aqui e assista aos vídeos da Revista ADEGA no YouTube
“Quando o fogo chegou, todos trabalhamos em equipe. Naquele momento, ninguém estava pensando em seu vinhedo, sua propriedade ou no que poderia perder individualmente. Estávamos pensando apenas nas montanhas e em nossa cidade. Pegamos enxadas, pás, água, tudo o que tínhamos, e começamos a trabalhar”, relatou Mora.
A Frontonio interrompeu temporariamente a colheita e enviou amostras das uvas potencialmente expostas para análise. Os testes realizados pelo Laboratorios Excell Ibérica, liderado por Antonio Palacios, descartaram contaminação por fumaça nas amostras avaliadas, permitindo a retomada da vindima.
LEIA TAMBÉM: Espanha resgata navio romano quase intacto em Maiorca
Os efeitos do incêndio, porém, continuam afetando a safra 2026. A vinícola registrou aumento da presença de javalis, corços e outros animais deslocados das áreas queimadas, que passaram a procurar alimento nos vinhedos e consumir uvas durante a colheita.
O caso de Aragón ocorre poucas semanas depois de incêndios atingirem a Sierra de Gredos, onde mais de 50 mil hectares foram afetados e parcelas históricas de Garnacha e Albillo Real sofreram danos. Para Mora, a preservação da atividade agrícola pode ajudar a proteger não apenas os vinhedos, mas também a paisagem e as comunidades que dependem desses territórios.