Fogo avança no centro-sul e produtores entram em alerta máximo

por Redação
Produtores de vinho dos vales chilenos de Itata e Bio Bio vivem dias de tensão com o avanço de incêndios florestais no centro-sul do país. Diante das condições extremas de calor e ventos fortes, o governo do Chile decretou estado de catástrofe nacional, enquanto viticultores se mobilizam para proteger vinhedos, casas e vinícolas.
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Segundo a Corporação Nacional Florestal (CONAF), mais de 20 mil hectares já foram consumidos pelas chamas, com mais de 20 focos ativos. As áreas mais afetadas concentram-se próximas a cidades como Penco e Lirquén, na região de Concepción. Até o momento, autoridades confirmam dezenas de vítimas fatais e a evacuação de milhares de pessoas.
Embora os maiores danos estejam em zonas urbanas e costeiras, áreas vitivinícolas do interior já registram perdas, especialmente em pequenas propriedades de Ranquil e Ñipas, em Itata. Produtores relatam que estão em prontidão constante, com caminhonetes adaptadas, tanques de água e mangueiras para conter possíveis avanços do fogo.
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O medo é intensificado pelas lembranças dos megaincêndios de 2023, que devastaram mais de 430 mil hectares em regiões como Itata, Maule e Bio Bio, destruindo vinhedos, vinícolas e causando prejuízos indiretos, como a contaminação das uvas pela fumaça.
Viticultores locais também apontam fatores estruturais para a recorrência das tragédias, como a presença massiva de plantações de pinus e eucalipto, espécies altamente inflamáveis, que dominam a paisagem desde políticas de incentivo adotadas nos anos 1970. Para eles, o problema vai além das mudanças climáticas e envolve o modelo de uso do solo.
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Enquanto aguardam mudanças no clima que ajudem a conter o fogo, os produtores seguem em alerta máximo, monitorando as frentes de incêndio e tentando proteger uma das regiões vitivinícolas mais tradicionais e sensíveis do Chile.