Modernidade e tradição

O projeto arquitetônico da Villa Francioni une linhas modernas arquitetônicas com elementos clássicos de decoração


fotos: divulgação

Considerada a cidade mais fria do Brasil, a pequena São Joaquim também é conhecida como a “cidade da neve”. Durante o inverno, a paisagem é semelhante a de regiões da Europa, pois as nevascas, que geralmente ocorrem entre junho e agosto, estendem um branco lençol sobre os montes, telhados, montanhas, planaltos, vales e taipas centenárias, proporcionando, assim, uma visão emocionante, que dificilmente se vê em outra região de nosso país tropical.

Colonizada principalmente por italianos, São Joaquim manteve preservadas diversas construções cujo projeto arquitetônico lembra as antigas construções européias. Esses mesmos colonizadores iniciaram a plantação e cultivo de videiras, produzindo os primeiros vinhos da região. O clima ameno, diferente de outras regiões do país, contribuiu para o crescimento da produção. Com o passar do tempo, as produtoras de vinho começaram a modernizar suas vinícolas, mas não deixaram de lado as tradições. Inspirada na união entre tradição e modernidade, a vinícola Villa Francioni construiu, em São Joaquim, uma impressionante adega.

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A construção foi feita em desníveis para evitar transferências mecânicas

Para chegar à vinícola, localizada em um terreno alto, é preciso seguir por um caminho onde já é possível apreciar a bela paisagem das montanhas catarinenses. Na chegada, após atravessar um belo jardim com um chafariz, os visitantes são recebidos e saudados por simpáticos anjos em um amplo painel colorido, ornamentado com azulejos. Toda a construção é feita de madeira clara, com vitrais por todos os lados para que a luz natural interfira no interior da construção.

Ao percorrer a bodega, aprecia-se a bela decoração, assinada pelo proprietário de Villa Francioni, Dilor Freitas, que fez uma pesquisa em diversas regiões do mundo.

fotos: divulgaçãoA maioria dos gradis que ornamentam a vinícola foi trazida de antiquários de Montevidéu. Também foram utilizadas peças de demolição selecionadas minuciosamente, como lustres, portas e vitrais antigos. São elementos que remetem à tradição, mas se fundem à arquitetura moderna da vinícola.

O salão onde se localizam os tonéis de armazenamento tem um visual de encher os olhos. Ao subir as escadas que levam ao andar superior, depara-se com um painel feito de ladrilhos coloridos e animados com gravuras que remetem ao mundo do vinho.

Uma sala de projeção foi especialmente desenvolvida para que a construção possa ser melhor apreciada. As laterais dessa sala se abrem, desnudando a adega aos olhares surpresos dos visitantes. Outra inovação da Villa Francioni foi inserir um elevador panorâmico. Através dele, se pode chegar aos dois andares abaixo do solo, onde os visitantes podem contemplar os vinhedos e a beleza da paisagem da serra catarinense. E para valorizar ainda mais a estreita união entre as artes plásticas e a produção do vinho, há uma galeria na qual estão expostas as obras de diversos artistas brasileiros de prestígio, como Portinari e Di Cavalcanti.

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Detalhe do salão interno

Os visitantes podem, ainda, degustar os vinhos produzidos pela vinícola em um amplo e confortável salão, decorado com móveis antigos, como sofás e cadeiras de madeira. Nos dias ensolarados, a luz do sol se derrama pelos imensos vitrais cristalinos que compõem o salão, causando uma sensação de conforto ao visitante. Um outro salão para degustações também impressiona pela sua imponência, com duas grandes mesas de madeira, ele tem capacidade para mais de vinte pessoas.

Decorado com móveis clássicos e com um belo vitral de pássaros no teto, o ambiente proporciona momentos agradáveis.

Produção une três elementos: natureza, homem e tecnologia

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Tonéis de carvalho são armazenados em temperatura constante de 16ºC

Sustentado sobre esses três fundamentos – natureza, homem e tecnologia –, o projeto arquitetônico da Villa Francioni está localizado em uma área de 4.478,57 metros quadrados, com capacidade para produzir 300 mil garrafas por ano. O processo de engarrafamento é automático.

A arquitetura da adega foi planejada para se adequar aos vários desníveis do terreno, para transformando o fluxo gravitacional em um aliado no processo de produção, pois se evita transferências mecânicas. Ao todo, a construção tem seis níveis e os dois últimos – a cave dos vinhos e a dos espumantes – estão encravados numa encosta de pedras, o que contribui para a manutenção da temperatura, em torno de 16 graus, naturalmente. A visita vale à pena, pois a arte do vinho, na Villa Francioni, também enriquece o olhar.

Fernando Roveri

Publicado em 21 de Setembro de 2006 às 06:58


Enoarquitetura

Artigo publicado nesta revista