Revista ADEGA

Um passeio de Mercedes

Quando o Barão de Rothschild comprou a primeira Mercedes-Benz ainda era cedo para falar no sucesso do Château Mouton Rothschild; no entanto, sua paixão pelos veículos já era certa.

Moacyr (Moa) Jacinto Júnior* em 2 de Dezembro de 2005 às 09:44

fotos: Adrian Keith e Kerem Ózdemi/ Stock.XchngNascida na região alemã de Baden-Württemberg e cercada por grandes extensões de vinhedos produtores, principalmente, de uvas Riesling, o fabricante de automóveis Mercedes-Benz, através do brilho de sua estrela de três pontas, vem conduzindo uma legião de fãs por todo o mundo desde a época de sua fundação. O perfil dos apaixonado pelos belíssimos veículos dessa marca é facilmente comparável ao de um aficionado por vinhos. Ambos valorizam detalhes, requinte, evolução e qualidade. Dessa forma, desde a fabricação do seu primeiro automóvel, a produção de veículos Mercedes-Benz é marcada por episódios pontuados pela paixão pela bebida dos deuses. Demonstrando que há muito mais coisas envolvidas no terroir de onde florescem as grandes paixões.

Criada pelos engenheiros Goittleb Daimler e Karl Benz - sendo o primeiro deles filho de um pequeno comerciante de vinhos e o segundo um reconhecido apreciador de vinhos tintos - a montadora alemã sempre primou pela qualidade, durabilidade e por entregar ao consumidor muito mais do que um produto similar entregaria. Assim, figura entre as Premieres Grand Cru do mundo. Assim como ocorre com os mais renomados Châteaux, sua marca sempre foi sinônimo de sofisticação, diferenciação e qualidade.

A relação entre Mercedes e vinhos remonta à época da fabricação de um de seus primeiros modelos. Um rico comerciante e negociador dos veículos da então chamada Daimler Motoren Gessellschaft (DMG), Emil Jellinek, solicitou a seu engenheiro-chefe, Wilhelm Maybach, a fabricação de cinco veículos com novos motores, muito mais potentes do que os de costume, para os levar à região de Nice, França. A encomenda contou com motores em alumínio dotados de alguns recursos inovadores, o que foi um avanço considerável na fabricação de veículos. Jellinek, então, decidiu que esses novos e surpreendentes automóveis deveriam receber uma identidade própria, batizando-os de Mercedes - em homenagem à sua filha de nove anos. Mal os potentes carros foram construídos, dois deles já haviam sido vendidos ao Baron Henri de Rothschild; pai de Nathaniel de Rothschild - que anos mais tarde fundaria o marco vinícola Château de Mouton Rothschild. Sendo assim, um membro da família produtora de um Bordeaux top, o Mouton Rothschild, foi o primeiro comprador do veículo "Mercedes".

O tempo passou, mas as características e o interesse despertados pelos automóveis continuaram crescentes, atingindo cada vez mais uma legião de amantes dessas máquinas. Possuir uma Mercedes nunca foi relacionado à simples posse de um automóvel. Ter o privilégio de ter um exemplar estacionado em sua garagem é motivo de uma satisfação compreensível apenas para aqueles que têm o prazer de "degustar" um veículo desses. O ronco do motor, a textura dos bancos, as formas da carroceria, entre outros aspectos, são minimamente apreciadas de uma forma que, por diversas situações, chegam a se confundir com o prazer proporcionado ao beber um bom vinho. Uma crítica norte-americana de restaurantes, Dara Moskowitz, por exemplo, em uma degustação de um vinho de Pauillac composto por 85% de Sauvignon Blanc, disse que o cheiro do mesmo a remetia a uma "Mercedes novíssima, com o interior todo em couro, na qual alguém esteve fumando um Gauloise".

Em algumas ocasiões, as Mercedes se fazem presentea até no terroir de regiões viticultoras. Na região californiana de Napa Valley, EUA, existe um fenômeno climático ocasionado pela mistura do calor e o verão seco com a refrescante névoa marítima, proporcionando à região grandes variações de temperatura; gerando uma situação não encontrada em nenhum outro lugar do mundo. Tal ocorrência ganhou o nome de "Efeito Mercedes" pois, segundo aqueles que a batizaram, apesar das grandes variações entre altos e baixos, "a temperatura muda tão suavemente quanto uma Mercedes trocando suas marchas".

fotos: Adrian Keith e Kerem Ózdemi/ Stock.XchngPelo mundo afora, toda essa relação entre Mercedes e vinhos vem sendo bastante explorada. Em alguns países como a Nova Zelândia, por exemplo, existem eventos como o Hawke's Bay A&P Mercedes-Benz Wine Awards, que premia os produtores de vinhos de primeira classe produzidos com as uvas daquela região. Por outro lado, aqueles que se interessarem em conhecer grandes regiões vinícolas como a da Toscana na Itália, a de Hunter Valley na Austrália e de Rioja na Espanha, dentre várias outras, em grande estilo, poderão fazer isso a bordo de luxuosos veículos Mercedes-Benz. Vários pacotes de visitação oferecem esta opção como forma de transporte e são facilmente encontrados na Internet.

Não é preciso, no entanto, viajar mundo afora para apreciar os fascinantes modelos Mercedes em companhia de boa bebida. Ocorreu em outubro, na cidade mineira de São Lourenço, o "Encontro de Veículos Clássicos Mercedes-Benz". O evento contou com degustação e palestra de vinhos do enófilo Tufi Neder Meyer, reuniu dezenas de "Mercedistas" que apreciaram tanto os belos clássicos da marca, quanto os vinhos. Muitos dos presentes já eram confrades em fóruns enológicos da Internet. O sucesso da interação foi tanto, que já está nos planos do próximo encontro a inclusão de um curso completo sobre vinhos inserido no programa do evento.

Assim como uma boa adega precisa de alguns nomes, uma garagem exige o brilho da estrela para que esteja completa. Em ambos os casos, exemplares antigos são muito procurados. Há vinhos que ganham valor com o tempo, assim como os automóveis clássicos Mercedes-Benz, que são - como o caso de um taxista grego - capazes de atingir quilometragens superiores a 4.000.000 de quilômetros rodados, mantendo toda a sua integridade e refinamento.

*Moa é organizador de encontros entre os membros do fórum MBClassic (www.mbclassic.net)


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