As vinícolas argumentam que o sistema está sendo baseado em status e decidem renunciar ao modelo criado em 1955
André De Fraia Publicado em 16/07/2021, às 10h25
O Château Cheval Blanc, um dos ícones de Bordeaux
De acordo com nota divulgada pelas vinícolas, o sistema de classificação de vinhos, em St. Émilion, passou a ser muito mais baseado em status e em redes sociais do que na qualidade do vinho.
“A avaliação estava se distanciando muito do que parecia fundamental para nós - o terroir, o vinho, a história”, diz Pierre Lurton, diretor do Cheval Blanc, em entrevista ao jornal britânico The Times.
A classificação na margem direita de Bordeaux foi feita 100 anos após a famosa classificação de 1855 encomendada por Napoleão III, sobrinho do famoso imperador francês, e que levou em conta apenas a margem esquerda do Gironde.
Inicialmente apenas Cheval Blanc e Ausone foram classificados como Premier Grand Cru Classé “A”, porém em 2012 mais duas vinícolas passaram a integrar o seleto grupo, Château Pavie e Château Angélus.
Château Ausone e seus vinhedos
O desagrado das duas mais conhecidas vinícolas de Saint-Émilion se intensificou com a regra imposta pelos classificadores de que, além de levar em consideração a qualidade nas últimas 15 safras, também deve se constatar a “fama e os meios implementados para o desenvolvimento” dos châteaux, através da cobertura da imprensa e de publicações nas redes sociais.
“O terroir e a parte da degustação da avaliação foram muito pequenos em comparação com o marketing e a mídia social”, criticou Pauline Vauthier, diretora técnica da Ausone, ao The Times.
A renúncia dos dois coloca em xeque o sistema que será revisto em 2022 e deve minar a credibilidade da classificação de Saint-Émilion que atualmente divide 82 propriedades – 80 com a confirmação da saída dos dois Premier Grand Cru Classé “A” originais – em três grandes categorias.
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