Capital do Vinho

V Concurso Internacional de Vinhos do Brasil, assim como um vinho de qualidade, soube trilhar o caminho, passando da gala à festa


Fotos: Gilmar Gomes

Entre os dias 5 a 8 de julho de 2010, Bento Gonçalves se tornou a capital mundial do vinho. Ao mesmo tempo que acontecia a quinta edição do já prestigiado Concurso Internacional de Vinhos do Brasil, a Associação Brasileira de Sommeliers (ABE) organizava e sediava a Assembleia Geral da União Internacional de Enólogos, coordenada por seu presidente mundial, o francês Serge Dubois. Esta foi a segunda vez que o evento ocorreu na cidade. A primeira foi em 2004, quando, pela primeira vez, a Assembleia foi realizada em um país não europeu.

Durante esses dias, um número recorde de 457 amostras de 15 países diferentes foram avaliadas por 55 jurados, sendo 19 internacionais e 36 degustadores nacionais, entre eles um dos membros da equipe da revista ADEGA. Uma seleção de 30% dos inscritos foram premiados, sendo três Medalhas Grande Ouro, 49 Medalhas de Ouro e 85 Medalhas de Prata, distribuídas entre Brasil (95 medalhas), Portugal (10), Argentina (9), Uruguai (7), Alemanha (5), Chile (3), Espanha (3), Áustria (2), Austrália (1), Grécia (1) e Israel (1).

O evento transcorreu com organização e serviço exemplar, como ressaltou Ricardo Castilho, editor da revista Prazeres da Mesa e jurado habitual de concursos pelo mundo. Ele ressaltou que "o padrão da organização está acima do que encontramos em grandes concursos internacionais".

55 JURADOS AVALIARAM 457 AMOSTRAS DE 15 PAÍSES. TRÊS, INCLUINDO UM VINHO NACIONAL, GANHARAM MEDALHAS GRANDE OURO

Tecnologia
Um dos destaques do concurso foi o sistema computadorizado em rede, em que cada jurado dava suas notas no computador à sua frente, que imediatamente alimentava o computador do presidente da mesa, descartando as notas mais alta e mais baixa e determinando a mediana automaticamente. Isso permitia que os jurados, ao invés de fazer contas, utilizassem o tempo para poder discutir os vinhos e enriquecer a compreensão individual e a coerência do grupo.

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Fotos: Gilmar Gomes

O sistema também alimentava com informações em tempo real o computador da mesa diretora do concurso, permitindo ao presidente da ABE, Christian Bernardi, acompanhar o bom andamento de todas as mesas de degustação e, adicionalmente, dirigir- se prontamente a qualquer das mesas para saborear as amostras que recebiam avaliações de destaque.

As medalhas, ao mesmo tempo que confirmavam o nível dos vinhos de produtores consagrados, destacava o trabalho de algumas novos projetos, como a vinícola Estrelas do Brasil, que teve seu Dall Agnol Superiore 2005 como a Grande Medalha de Ouro brasileira, dividindo a atenção com o argentino Colomé Estate Malbec, da Bodega Colomé, e com a surpreendente vinícola da Áustria, Erich Scheiblhofer e seu vinho Jois Blaufrankisch 2007.

O jovem e profissional Christian Bernardi ressaltou a importância desses prêmios para novas vinícolas como impulsionador da nova indústria do vinho, tanto do ponto de vista de projeção, como de motivação para seguir no caminho da qualidade.

Fotos: Gilmar Gomes
Serge Dubois, presidente da Assembleia Geral da União Internacional de Enólogos, e Christian Bernardi, presidente da ABE


SISTEMA DE COMPUTADORES EM REDE FOI UM DOS DESTAQUES, ENRIQUECENDO AS AVALIAÇÕES

A festa de encerramento transcorreu em clima de gala, com muita expectativa, que foi abrindo espaço para a celebração à medida que as premiações eram entregues. Ao final, ternos pendurados nas cadeiras, música dançante e trenzinhos de estrangeiros e brasileiros caracterizavam a confraternização.

Christian Burgos

Publicado em 23 de Julho de 2010 às 08:07


Terroir Brasil

Artigo publicado nesta revista