Clássico do início ao fim

La Cocagne não se limita ao cardápio, a tradição passa pelo ambiente, serviço e carta de vinhos


fotos: La Cocagne/divulgação
Restaurante interno

"The fundamental things apply / as time goes by” diz a canção de Herman Hupfeld, que nos encanta a mais de 60 anos na voz de Dooley Wilson no filme Casablanca. Assim são os clássicos, atravessam o tempo sem deixar de nos emocionar a cada nova audição ou nova degustação. Assim é o La Cocagne, um dos mais tradicionais restaurantes de São Paulo, fundado em 1966, clássico em tudo: cardápio, ambiente, serviço e carta de vinhos. A cozinha é comandada pelo chef e sócio José Pereira dos Santos, mais conhecido como Chef Pereira, enquanto os vinhos ficam com o maître Ailton Magalhães.


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A carta é pequena, mas bem variada. São 131 rótulos com natural domínio da França, representada com 38 opções das regiões clássicas do país como, por exemplo, Bordeaux, Borgonha, Rhône e Champagne. Há também boas opções de Itália (16 rótulos), Argentina (21), Chile (17) e mesmo Austrália (6). Do cardápio, tudo que provei estava muito bem realizado e saboroso, receitas afinadas pelo tempo. A sugestão é começar com a Coquile de Crabe (casquinha de siri, R$ 23) acompanhada por uma taça do espumante nacional Chandon (R$ 13). Depois é imprescindível dar uma olhada na seção do cardápio chamada de Clássicos Cocagne de onde, sem sair do Chandon, pode pescar a Crevettes du Chef Pereira (camarão com palmito e passas, por R$ 82). Para os que optarem mudar do espumante para um branco clássico com o camarão, a sugestão é o Pouilly Fuissé 2005 do Jadot (R$ 230), uma ótima safra.

Na seqüência, o natural seria uma carne, que pode ser a magra e saudável Medaillon D’Autruche aux Morilles (avestruz com batatas R$ 82) e, para acompanhar, não duvide da afinidade nem da qualidade do Traditional 2000 (R$ 195), da Rosemount – um clássico australiano difícil de se achar por aí, muito menos de uma safra mais antiga como a de 2000. Quem preferir manter o espírito da casa e ficar nos caldos gauleses, uma ótima opção é o Château Larose Trintaudon 1996 (R$ 290), preço honesto por esta excelente safra, em seu auge. Nos doces, quem ousar será recompensado. A Parfait de cafe au chocolat (torta de chocolate com café R$ 15) e a Poires aux Amandes (pêra com amêndoas, R$ 18) encantam ao lado do Muscat de Rivesaltes 2002, da Domaie Cazes (R$ 95 por meia garrafa).

A adega climatizada, que pode ser visitada, guarda 1.100 garrafas. As taças são excelentes e, o aconselhamento, sereno e simpático, com a carta e o cardápio de cor, como deve ser. A oferta de vinhos em taça é pequena, apenas nove opções, mas cobre o necessário: tintos, brancos, doces e espumantes.

Uma pergunta aos leitores: repararam quantas vezes apareceu a palavra clássico neste texto? Certamente menos vezes do que o Chef Pereira repetiu e aperfeiçoou suas criações.

fotos: La Cocagne/divulgação
Fachada do restaurante

La Cocagne Tel.: (11) 3079-5177

Marcelo Copello

Publicado em 29 de Maio de 2008 às 06:05


Carta De Vinho

Artigo publicado nesta revista