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    Cru?

    Como surgiu e o que significa o famoso termo francês “Cru”?

    por Arnaldo Grizzo


    O termo Cru nasceu com os monges cistercienses, que pautaram a viticultura

    Desde que foi fundada no ano de 1098 pelo intrépido noviço Bernardo de Fontaine (também conhecido como Bernardo de Clairvaux), a Ordem Cisterciense traçou os rumos da vitivinicultura não somente na Borgonha (sua origem se deu na cidade de Saint-Nicolás-lès-Cîteaux, em Côte d’Or, ao norte de Beaune), mas também em diversas outras regiões da França, seja pela influência de sua rápida e poderosa expansão (quando um mosteiro atingia a quantidade de 60 monges, 12 deles eram obrigados a sair e fundar um novo), seja apenas pela influência que exerceram na produção de vinho.

    Os monges brancos, como ficaram conhecidos devido à indumentária, logo se tornaram uma força incrível na França, angariando inúmeros adeptos. Sua persuasão era tamanha que boa parte de seus recrutas eram jovens cultos e inteligentes e sua dedicação era tanta (seguindo à risca o lema de São Benedito de “ora et labora” – “reza e trabalha”) que trabalhavam à exaustão – tanto que a expectativa de vida de um monge era de apenas 28 anos.

    O zelo e o perfeccionismo eram preceitos cultivados pelos cistercienses, assim como a vinha. Dessa forma, eles passaram não somente a produzir vinho, mas a estudar todos os detalhes da produção. Foi com eles que nasceu o conceito de Cru.

    “Crescido”

    O termo Cru vem do particípio passado do verbo “croître”, uma derivação do latim “crescere”, que significa “crescer”. Cru (originalmente crû, com acento circunflexo), portanto, seria “crescido”, mas também se refere a algo que foi desenvolvido, cultivado. Não à toa, foi traduzido para o inglês como “growth”, ou seja, o cultivo, a produção.

    No entanto, para os monges medievais, o termo definia uma parte homogênea de um vinhedo, cujo vinho apresentava determinadas características específicas safra após safra. Ou seja, a constância de resultados fez com que eles passassem a demarcar certos locais em que encontravam vinhos com um tipo de qualidade reconhecível, já que solo e clima contribuíam para dar essa homogeneidade – um conceito muito similar ao de terroir. Foi assim que eles criaram um mapa delimitando os vinhedos (Crus) da Borgonha, até hoje usado. Alguns vinhedos tinham características tão facilmente reconhecidas que chegaram a ser murados, o que deu origem aos Clos (os famosos vinhedos “fechados” com um muro).

    Além de delimitar os Crus, os monges também passaram a classificá-los qualitativamente. Mais tarde, essa classificação criaria dois níveis qualitativos: Grand Cru e Premier Cru. No caso, os Grand Cru são os de maior nível, com os Premier Cru vindo logo a seguir. O mesmo vale para a região de Champagne, onde os cistercienses também exerceram influência.

    Todavia, Cru também passou a designar não somente uma porção de terra, mas um produtor, como no caso de Bordeaux. Lá, a principal classificação, criada em 1855, elencou cinco categorias de Crus, do Premier (primeiro) ao Cinquième (quinto), que se referem aos Châteaux e não aos terrenos de seus vinhedos.

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