Enologia: profissão reconhecida

Lei Federal brasileira reconhece as profissões de Enólogo e Técnico em Enologia


fotos: Stock.XchngO caminho da profissionalização do mercado nacional de vinho ganhou novas tintas em 29 de maio. As profissões de Enólogo e Técnico em Enologia tornaram-se regulamentadas a partir de uma lei sancionada pelo presidente da República. Agora, apenas os diplomados em ambas as áreas podem exercer estas atividades. Junto com a regulamentação surge uma nova geração do vinho no Brasil. Jovens profissionais que nasceram e cresceram entre os parreirais são os maestros da indústria nacional.

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Dos avós, tios e pais, eles herdaram os sobrenomes e o espírito de inovação que acompanham as colônias desde a Europa, no final do século XIX. Da revolução tecnológica que revelou os vinhos do Novo Mundo, tiraram os ensinamentos que podem elevar o mercado brasileiro ao patamar andino, com um importante passo dado a partir da Indicação de Procedência do Vale dos Vinhedos.

A nova geração do vinho familiarizou- se com a bebida, a exemplo de seus pares europeus ou latinos, nas mesas de família. A observação de sabores e aromas é tão familiar quanto a sua relação com vídeo games, celulares e internet. As técnicas de cultivo são discutidas no café da manhã. Para fechar o circuito de vinho e informação, os cursos de Enologia no Brasil ou no exterior fizeram parte da história desses filhos de Baco.

Excelência - CEFET
O melhor exemplo é o Centro Federal de Educação Tecnológica de Bento Gonçalves (CEFET). Ainda com o nome de Escola Agrotécnica Federal Juscelino Kubitschek, formou os primeiros técnicos em Enologia em 1962. De lá até hoje já são mais de mil profissionais de nível médio formados, dos quais 81% está em plena atividade. Marca invejável para qualquer curso.

A escola faz parte da Association Universitaire Internationale du Vin et des Produits de la Vigne (A.U.I.V.), entidade internacional com sede em Paris que reúne a nata do ensino mundial de Enologia. O CEFET também mantém convênios com a Universidade de Trásos- Montes e Alto Douro (Portugal), a Faculdade de Agronomia de Udine (Itália), o Liceu de Ensino Geral e Tecnológico Agrícola de Blanquefort (França) e a AFEBRAE (Associação de Fomento de Estágios de Brasileiros no Exterior).

O curso superior de Tecnólogo em Enologia formou sua primeira turma em 1998. Entre os primeiros 160 enólogos genuinamente nacionais diplomados até hoje, quase a totalidade (94%) atua na área que agora tem a sua demanda ampliada com a regulamentação.

A Lei
Segundo a lei de autoria do Senador Sérgio Zambiasi (PTB/RS), Enólogos são aqueles que possuem diplomas de nível superior emitidos por escolas oficiais ou reconhecidas pelo Governo Federal. Os diplomados no curso de nível médio até 1998 (quando o curso superior ainda não existia), também poderão ser contratados como Enólogos, assim como profissionais formados no exterior em cursos reconhecidos pelo MEC.

O Brasil também possui outras oportunidades de graduação como o CEFET do Pernambuco, em Petrolina, além de cursos de especialização, mestrado ou doutorado nas áreas de Viticultura e Enologia oferecidos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Universidade de Caxias do Sul.

Mesmo com a formação superior, a carreira técnica ainda é muito promissora. Não são raros os casos de Enólogos que cursaram o ensino médio entre taças e garrafas e, em seguida, partiram para instituições de prestígio fora do Brasil, onde concluíram seus estudos com estágios em grandes impérios internacionais do vinho.

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Informação pelo mundo
fotos: Stock.XchngNa França, a Faculté d´Oenologie de Bordeaux oferece cursos de graduação e pós para profissionais ligados às áreas de biologia, química, bioquímica ou agronomia. Na Borgonha, o Institut Universitaire de la Vinhe et du Vin Jules Guyot confere diploma nacional de Enólogo em dois anos. Em ambas as instituições a admissão é feita a partir de análise curricular por um júri especial.

Nos EUA, a University of Califórnia é o maior centro de ensino de vinicultura e enologia do país. Além de opções em graduação e pós, o Department of Viticulture & Enology mantém um programa de visiting students para estrangeiros.

A Escola de Viticultura e Enologia da Bairrada (EVEB) tem um curso superior com duração de três anos, com habilitação para técnico em Enologia e Viticultura, além de outras atividades técnicas e comerciais.

Na Espanha, o curso de maior destaque é o Máster em Viticultura, Enologia e Gestão de Bodega, da Escuela Superior del Pais Vasco, com duração de um ano. O curso admite profissionais de Engenharia de Alimentos, Biologia, Química e outras áreas correlatas.

No Novo Mundo, a PUC Chilena, por meio de sua Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal, possui a Enologia como uma das áreas de especialização ao lado da Viticultura.

O negócio do vinho é o tema do curso oferecido pela Universidad de San Andrés, na Argentina (Buenos Aires), com duração de 60 horas em três módulos, dirigido a empresários e profissionais da área.

Enfim, informação e vinho sempre caminharam juntos. Agora o Brasil oficializa essa relação.

● Faculté dOenologie de Bordeaux www.oenologie.u-bordeaux2.fr
● Institut Universitaire de la Vinhe et du Vin Jules Guyot www.u-bourgogne.fr/iuvv
● University of Califórnia www.universityofcalifornia.edu
● Escola de Viticultura e Enologia da Bairrada (EVEB) www.ep-viticulturaenologiabairrada.com
● Escuela Superior del Pais Vasco www.enologia.net
● PUC (Chile) - www.puc.cl
● Universidad de San Andrés www.udesa.edu.ar

Ronald Sclavi

Publicado em 25 de Junho de 2007 às 11:36


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Artigo publicado nesta revista