Vendas de alto padrão somam milhões e reforçam resiliência do segmento de luxo

por Redação
Apesar do arrefecimento do mercado global de vinhos finos, 2025 tem sido marcado por leilões de alto padrão que desafiaram o cenário de cautela e registraram cifras expressivas. Casas tradicionais como Christie’s, Sotheby’s e Zachys concentraram vendas de “luva branca” e recordes históricos, sustentadas sobretudo por coleções de procedência irrepreensível e rótulos icônicos de Bordeaux, Borgonha e destilados raros.
Segundo a britânica Decanter, o maior resultado do ano foi alcançado em junho, em Nova York, com o leilão da adega do bilionário norte-americano William I. Koch. A venda de proprietário único, organizada pela Christie’s, arrecadou US$ 28,8 milhões — quase o dobro da estimativa mínima inicial.
Clique aqui e assista aos vídeos da Revista ADEGA no YouTube
O catálogo reuniu cerca de 1.500 lotes, com forte presença de grandes formatos e safras históricas de produtores como Domaine de la Romanée-Conti, Pétrus, Lafite Rothschild e Henri Jayer. Um dos destaques foi um Methuselah de Romanée-Conti 1999, arrematado por US$ 275 mil.
A Borgonha manteve protagonismo ao longo do ano, evidenciado pela tradicional venda dos Hospices de Beaune, em novembro. O leilão arrecadou €18,75 milhões, o terceiro maior resultado em 165 anos de história, com alta média de preços pelo quinto ano consecutivo. A edição de 2025 também estabeleceu um novo recorde: um barril de Bâtard-Montrachet Grand Cru foi vendido por €400 mil, o valor mais alto já registrado para um único barril.
LEIA TAMBÉM: Treasury Wine Estates reduz em US$450 milhões o valor de seus ativos nos EUA
Nos Estados Unidos, a Zachys superou amplamente as expectativas ao leiloar a adega de Jacqueline (de Rothschild) Piatigorsky. O total de US$ 11,16 milhões quadruplicou a estimativa prévia, impulsionado por vinhos que permaneceram armazenados em Pauillac desde a liberação original, incluindo raridades de Lafite-Rothschild e um raro Lafite Blanc. O leilão também estabeleceu recordes para rótulos históricos como Haut-Brion e Giscours do século XIX.
Na Ásia, a Christie’s obteve HK$ 72,8 milhões com a terceira parte da coleção do investidor Joseph Lau, em Hong Kong, refletindo o crescente peso do público digital e de novos colecionadores chineses. Já no segmento de destilados, o leilão Distillers One of One arrecadou £2,9 milhões, estabelecendo novos recordes para whiskies escoceses ultra-raros.
Os resultados indicam que, mesmo em um mercado mais seletivo, a demanda por ativos de luxo com raridade, história e procedência comprovada permanece resiliente.
+lidas

Os Melhores vinhos do Brasil: Guia ADEGA Brasil 2026

PF investiga esquema milionário de contrabando de vinhos

Lei da Rolha é regulamentada no Rio de Janeiro e define regras para bares e restaurantes

VÍDEO! Mercosul e Comunidade Europeia: O que muda para o vinho?

Vinho velho é sempre bom? Nem todo rótulo melhora com o tempo