Revista ADEGA

Manuel da Silva Reis e Eu

Carlos Ernesto Cabral De Mello em 20 de Setembro de 2007 às 07:11

Em seu gabinete de trabalho, o Sr. Manuel da Silva Reis recebeu-me em outubro de 1982

Após longos anos de enfermidade, faleceu na cidade do Porto, Manuel da Silva Reis, que reconduziu a Companhia Geral das Vinhas do Alto Douro (também conhecida como Real Companhia Velha) ao seu lugar de destaque no setor do Vinho do Porto durante todo o século passado.

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Quero homenagear este verdadeiro apaixonado pelo Douro e pelo Vinho do Porto, que preservou a memória desse vinho e sua rica história. Fui privilegiado e, graças ao reconhecimento do meu interesse pelo Vinho do Porto, pude contar com a preciosa ajuda do Sr. Silva Reis na construção do que hoje conheço sobre esta preciosidade.

Manuel da Silva Reis começou a trabalhar com 13 anos. Embora não tivesse curso superior, foi um autodidata em empreendimento empresarial, além de falar fluentemente quatro idiomas. Trabalhando no setor vinícola, descobriu desde cedo que podia chegar longe: “Esforçado, disciplinado e com grandes aspirações”, assim definia sua vida empresarial.

Em 1960 adquiriu a Real Companhia Velha e assumiu sua direção. De 1960 até 1973 adquiriu doze empresas de Vinho do Porto e fundiu todas. Com olhos no futuro, foi ele quem primeiro mandou arar as terras do Douro com um trator, e que utilizou um caminhão tanque para transportar Vinho do Porto do Alto Douro para Vila Nova de Gaia. Até então este transporte era realizado pelos famosos Barcos Rabelo.

Transformou a Real Companhia na maior proprietária de terras no Alto Douro e, conseqüentemente, no maior produtor de Vinho do Porto. À partir de um modelo de ânfora romana encontrada em escavações no Douro, desenhou uma nova garrafa para seus vinhos correntes. Este modelo prevalece até os dias de hoje.

Após a Revolução dos Cravos de 1974, sofre um duro golpe. O Estado português interveio em sua empresa, lá permanecendo até 1978. Seu patrimônio foi mal administrado e dilapidado. Quando volta aos negócios, o retoma com o mesmo ânimo de quando iniciou seu caminho pelo mundo do vinho. Como protesto, lança um Vinho do Porto chamado “Desintervenção”, que foi largamente vendido no Brasil.

Em outubro de 1982 conheci o Sr. Silva Reis durante minha primeira viagem ao Porto. Recebeu-me em seu grande escritório, ricamente decorado com grandes quadros de Dom José I, do Marquês de Pombal, de Dona Maria I e outros. Ali deu em minhas mãos documentos originais da criação da Companhia, datados de 10 de setembro de 1756.

Quando falamos sobre os benefícios que a Companhia havia prestado ao Vinho do Porto, citei o nome dos barcos que ela fez construir para transportar vinho para o Brasil. Ficou tão contente com isto que me disse: “Vou dar-lhe um material que será muito importante para o seu estudo. Em que hotel está hospedado?” Após quatro dias chegou ao hotel Dom Henrique uma enorme caixa de madeira repleta de cópias de documentos históricos. O amigo Manuel Costenla, então Delegado do ICEP, no Porto, providenciou o envio ao Brasil, via marítima, daquela caixa. Ela chegou em minha casa em abril de 1983.

O Sr. Silva Reis enviou-me uma coleção de livros e de cópias de documentos contendo os balanços da Companhia, além de Atas de Reuniões, Novos Decretos regularizando a elaboração do Vinho do Porto, diversas Ordens Régias, relatórios de controles de embarque de vinhos para o Brasil etc. Ao todo, foram mais de 100kg de cópias e livros editados, a partir de 1960, sobre a Companhia.

Durante 20 anos seguidos voltei ao Porto e sempre fui recebido com muita fidalguia pelo Sr. Silva Reis e seus filhos, Pedro e Manuel. Visitei várias vezes a preciosa Biblioteca da Companhia,que é o maior Depósito da História do Vinho do Porto. Em 2002, seu filho Pedro Silva Reis tomou as rédeas dos negócios da família, consolidando ainda mais as prestigiadas marcas de Vinhos do Porto.

Recentemente, ao completar 250 anos de existência (10 de setembro de 1756), a Real Companhia Velha publicou um monumental livro que conta toda a sua trajetória de vida. É do livro “Real Companhia Velha”, com 574 páginas, de autoria de Fernando Alberto Pereira de Sousa, que extraímos estes dois textos. O primeiro, de seu filho Pedro Silva Reis, no prefácio do livro:

Recentemente, ao completar 250 anos de existência (10 de setembro de 1756), a Real Companhia Velha publicou um monumental livro que conta toda a sua trajetória de vida. É do livro “Real Companhia Velha”, com 574 páginas, de autoria de Fernando Alberto Pereira de Sousa, que extraímos estes dois textos. O primeiro, de seu filho Pedro Silva Reis, no prefácio do livro:

O segundo, de Antonio Mesquita Montes (ex-presidente da Casa do Douro, em 2005):

“Quer queiramos ou não, com os seus defeitos e as suas virtudes, a presença de Manuel da Silva Reis no Douro deixou marcas em vários domínios”

Perdi um amigo e interlocutor que muito contribuiu para minha cultura e paixão pelo Vinho do Porto. Manuel da Silva Reis agora é um grande capítulo na fantástica história dessa majestática e Real Companhia.


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