A América, 10 anos depois

As mudanças no vinho latino-americano de 2005 até hoje


As coisas mudaram. E rápido. Há 10 anos, quando ADEGA lançou sua primeira edição, o vinho na América Latina ia por um caminho muito diferente do que hoje transita. Ainda que já falasse de vinhos mais frescos, com menos madeira, menos sobrematuração e menos carregados, a verdade é que tudo estava na teoria. Os enólogos sabiam que teriam que fazer algo a respeito, mas os críticos e o consumidor diziam o contrário.

Além disso, falar em vinificar em ânforas de barro, ou de produções de vinhos naturais, ou tintos feitos de Criolla ou País, eram assuntos de ficção científica. De fato, até pouco tempo atrás, dizer que a País era uma oportunidade no Chile provocaria risos nos experts. Eu, por exemplo, nunca havia pensado, há 10 anos, que poderia haver tantos bons tintos, tão refrescantes como os que hoje são feitos com Criolla na Argentina ou País no Chile. Sem ir mais adiante, se alguém tivesse dito que a Concha y Toro ia lançar um País em sua prestigiosa marca Marqués de Casa Concha, teria dito que estavam loucos.

Falar de single vineyard há 10 anos era um tema escaldante. Há uma década, já era um fato que tudo se dirigia ao vinhedo. Já não mais enólogos de avental branco, fazendo vinhos em laboratório. Tudo era na vinha, tudo se focava em cultivar a melhor uva possível. Nesses anos, a frase que se usava era (e segue sendo): “Pode-se fazer um grande vinho com grande uva, mas não se pode fazer um grande vinho com uva medíocre”. Há 10 anos, plantava-se a semente para o que ocorreria só pouco tempo depois, o que ocorre hoje.

A forma com que os produtores latino-americanos veem o vinho mudou radicalmente. E essa mudança é a que temos visto através das páginas de ADEGA. Nascida no momento exato, não há dúvida que fazer jornalismo de vinho nesta década foi, de longe, uma tarefa divertidíssima: notícias por todos os lados, muitos vinhos novos e muitos experimentos.

Em meio a isso, no ano 2012, o guia que edito há 16 anos, Descorchados, associou-se com ADEGA para conquistar o mercado brasileiro. Ainda que este guia já fosse reconhecido pelo trade no Brasil, sem dúvida que esta parceria ajudou muito para que Descorchados penetrasse ainda mais. Hoje cremos que somos a grande referência em vinhos latino-americanos no mercado brasileiro. Nossa feira todos os anos e a quantidade de gente que a visita são uma boa prova.

Temos, ADEGA e Descorchados, muitos planos para o futuro, que logo diremos. No momento, um grande brinde pelos 10 anos dessa revista, até onde sei, a única publicação de vinhos internacionais no Brasil... ou, pelo menos, a única que leio.

Por Patricio Tapia

Publicado em 12 de Outubro de 2015 às 00:00


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Artigo publicado nesta revista