Revista ADEGA

Nem só de Terroir vive Bordeaux

Na França de hoje, em alguns dos maiores nomes do vinho francês, como Lafite-Rothschild, Margaux e Latour, a tradição caminha lado a lado à inovação.

Daniel Lobo em 29 de Junho de 2006 às 13:45

fotos: Claude Coquilleau e John Evans/Stock.Xchng

Muitos podem pensar que a Europa vive hoje apenas de tradições, afinal, vêm delas a grande riqueza de sua cultura. No entanto, prender-se ao passado, sobretudo no mundo do vinho, impede uma evolução muitas vezes necessária. Os franceses falam de terroir, mas também do papel do homem e da importância de conhecer bem cada pedaço da terra, conhecer cada varietal plantada ali e como trabalhar tudo isso para conseguir os melhores resultados.

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Estive no Médoc com um grupo de especialistas para acompanhar os Primeurse fomos surpreendidos pela qualidade da safra de 2005. Embora o vinho ainda esteja nas barricas e só vá chegar ao consumidor em 2007, é nesse momento que eles são avaliados e os preços definidos. Mesmo ainda não estando prontos, eles já mostram sua excepcional qualidade. As condições foram favoráveis, mas a tecnologia e o savoir-faire tiveram também um papel decisivo.

Na Lafite-Rothschild - um mito mesmo na região - até os grandes tonéis de carvalho para fermentação têm termo-regulação, e a equipe técnica tem ali um laboratório para analisar quimicamente todas as amostras e sua evolução. "Conhecemos bem nossas vinhas e mesmo só colhendo as uvas quando elas estão em plena maturação, houve uma diferença de cinco dias para o início da colheita da Cabernet Sauvignon daqui e de nossa outra propriedade, Duhart-Milon, a menos de 4 km uma da outra. A composição diferente do solo nutre as vinhas diferentemente", diz Charles Chevallier, diretor da Lafite.

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fotos: Claude Coquilleau e John Evans/Stock.Xchng

Do outro lado de Pauillac, o Château Latour foi além: dentro das caves recém reformuladas, as diversas cubas de fermentação em aço inoxidável de tamanhos diferentes foram pensadas para que cada parcela do terreno pudesse ser fermentada separadamente até atingir o ponto de sua máxima expressão. Esse é um investimento que se paga: a safra de 2005 do Latour promete ser a melhor desde e mítica 1961. Um vinho para durar mais de 50 anos, mas que, mesmo ainda estando em barricas, mostrou-se incrivelmente atraente e elegante. Parker atribuiu nota 98-100. Um clássico, sem dúvida, e por isso já se esperam preços astronômicos.

Não só o Latour, mas todos na região dizem que só a natureza pode fazer uma safra excepcional, no entanto, é verdade que a tecnologia tornou raras safras ruins. "Fala-se muito das safras de 2000, 2003 e agora da 2005, mas é verdade que mesmo as safras menores renderam vinhos muito bons e interessantes, não só aqui, mas em toda a região", conta Céline Nicole do Pichon- Longueville Baron, que confidencia: "e esses anos têm preços muito mais interessantes para o consumidor". Isso é verdade para quem não confiou só no terroir. Os grandes produtores da classificação de 1855 só continuam sendo os primeiros, pois, além da atenção com sua produção, investiram e modernizaram suas instalações. Por outro lado, para a safra de 2005 espera-se pelo menos 30% de aumento de preço em relação a 2003

No Mouton-Rothschild, famoso por levar em seus rótulos obras de artistas como Miró, Picasso e Andy Warhol, entre outros, o cuidado com os detalhes é evidente: seja na recepção para os visitantes, no museu sobre arte e vinho ou mesmo nas belas caves. Qualquer um que entra fica encantado. provar o vinho então, se apaixona. Existe ainda um mistério sobre quem será o artista do rótulo de 2005, mas a qualidade do vinho já é indiscutível. Entre os degustadores com o qual estive na propriedade para o Primeur, houve quem o comparasse ao de 1949, considerada pelo falecido dono a melhor do século XX.

O melhor é que esse Olimpo dos vinhos franceses não é exclusivo para os profissionais. Qualquer pessoa pode visitar praticamente todos os produtores da região - marcando com antecedência, evidentemente - e, embora poucos já tenham visitas bem organizadas, isso está mudando, pois a região de Bordeaux é muito atraente aos visitantes: em pouco mais de 30 km na rota dos castelos do Médoc pode-se encontrar centenas de propriedades abertas à visitação e degustação em meios aos vinhedos que se estendem até o horizonte numa paisagem inesquecível.

Para simples mortais, o acesso aos grandes vinhos de Bordeaux é sem dúvida restrito. Por outro lado, isso faz com que a recompensa seja ainda maior para amantes de vinhos como nós, pois a abertura de uma garrafa dessas torna qualquer ocasião - a dois ou entre amigos - especial.


Enoturismo

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