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  • Almanaque do Vinho

    O que são Vinhos do Cometa e por que ainda fascinam colecionadores

    Segundo reza a crença dos viticultores, os vinhos produzidos em ano de passagens de cometas tendem a ser excepcionais

    por Fernando Moura

    cometa
    Primeira grande safra a coincidir com a passagem de um cometa foi a de 1811, em especial na região francesa de Sauternes

    Intimamente ligado à história e à cultura de muitos povos, o universo do vinho é também cercado de misticismo e de histórias curiosas que perpassam os séculos. Uma dessas passagens, tida como lenda por alguns, é a dos chamados Comet Wines, ou Vinhos do Cometa.

    Durante o século XIX e em alguns anos do século XX, muitos cometas passaram pela Terra causando inexplicáveis efeitos que, para muitos produtores de vinho, são responsáveis por safras de altíssima qualidade, apreciadas até os dias atuais.

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    A primeira dessas safras espetaculares (chamadas de vintages) aconteceu, em 1811, justamente algumas semanas após o astrônomo francês Honoré Flaugergues avistar um grande cometa. Nesse ano, os franceses, após amargarem seguidas safras de má qualidade, foram brindados com um vintage dos mais memoráveis que se tem notícia. No ano do Flaugergues – como ficou conhecido o cometa – regiões da França como Bordeaux, Cognac, Champagne e Sauternes produziram alguns de seus rótulos mais perfeitos.

    Perfeição que atravessa o tempo. Entre tantos vinhos especiais elaborados naquele ano, um dos maiores destaques é Château d’Yquem 1811, produzido em Sauternes, que, em degustação realizada quase dois séculos depois, em 1996, recebeu 100 pontos (pontuação máxima) de Robert Parker, um influente crítico de vinhos norte-americano.

    Outro feito marcante de 1811 é a produção daquele que é considerado o primeiro Champagne (como são chamados os espumantes produzidos na região homônima) moderno da história, feito pela renomada casa Veuve Clicquot. Naquele ano, a vinícola da região nordeste francesa foi pioneira na técnica da remuage (que consiste em girar sistematicamente a garrafa movimentando a levedura).

    LEIA TAMBÉM: O vinho sob o céu da Toscana

    Outros cometas

    1811 foi a primeira vez que se reportou a suposta influência de um cometa na produção de vinhos, mas a história não termina aí. Amantes do vinho de todo o mundo agradecem ao Cometa Donati pela produção do tão apreciado rosé escuro, o Claret, de Bordeaux, em 1845. Além de safras excepcionais também obtidas em lugares tão diferentes como o Mosel e Rheingau na Alemanha, no ano da passagem do Cometa Coggia, em 1874, entre outras.

    Embora os efeitos da passagem de cometas pela Terra nos vinhos não sejam provados cientificamente, é unanimidade entre os vinicultores a altíssima qualidade dos vinhos elaborados, em condições de tempo ideais durante os anos em que ocorreram esses fenômenos. Assim, o termo “vinho do cometa” é usado e entendido em todo o mundo, como sinônimo de qualidade excepcional.

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