Revista ADEGA

World Wine Experience 2006

Da redação em 19 de Maio de 2006 às 14:52

Grandes produtores estavam presentes, apresentando vinhos que já estão no mercado há algum tempo e alguns lançamentos. Os estandes, divididos por países, representavam doze diferentes regiões do mundo. A Itália foi o país com mais representantes - contava com treze grandes vinícolas, seguida pela França, com dez representantes. O Brasil não contou com estandes de vinho, mas apresentou duas novas cachaças - uma elaborada com variedades da banana e a outra bem tradicional, produzida em Minas Gerais.

A maior vinícola do evento foi a italiana Gruppo Coutiva, que possui mais de trinta tipos de vinho produzidos em diferentes regiões da Itália. O evento conseguiu proporcionar uma interação entre consumidores e produtores: "O WWE é um evento diferenciado, onde o consumidor tem contato direto com o dono da vinícola e pode esclarecer todas as suas dúvidas sobre o produto apresentado", afirma Celso la Pastina, organizador do evento. Esse foi realmente o ponto forte do WWE - proporcionar ao público um livre acesso por todas as vinícolas, tendo a oportunidade de experimentar diferentes vinhos e de conhecer novas técnicas de produzir e degustar a bebida.

"É um evento que, além de acontecer apenas uma vez a cada dois anos, não é tão barato. Por isso, queremos proporcionar aos visitantes algo diferente, para que as pessoas se sintam confortáveis e possam interagir com a feira", diz Celso. Degustações reservadas, comandadas por grandes personalidades do mundo do vinho, como Michel Bettane, jornalista e autor do Guia Bettane, e Daniele Cernilli, diretor do Guia Gambero Rosso, foram alguns diferenciais do WWE.

Amante dos Vinhos
por Luiz Gastão Bolonhez e Christian Burgos
ADEGA tomou café da manhã com Danielle Cernilli, editor do guia italiano Gambero Rosso - renomado guia de vinhos da Europa. Danielle veio ao Brasil participar do World Wine Experience 2006. Nossa equipe teve um bate-papo descontraído com esse italiano, que estudou geografia e é doutor em filosofia. Acompanhe a entrevista:

Qual é a história recente dos vinhos italianos no mundo?
A Itália viveu um sonho com a América, em 2000; os supertoscanos, especificamente, tiveram uma explosão de consumo. Logo em seguida, o mercado sofreu uma queda - as mudanças do mercado mundial afetaram não só os italianos, mas todos, inclusive os franceses. O mercado mudou no mundo todo, inclusive no Brasil.

fotos: divulgação

Como está a relação com o mercado americano hoje?
A Itália recentemente atingiu a posição número 1 no mercado dos EUA, tanto em volume quanto em receita, ultrapassando a Austrália.

Como o senhor analisa esse crescimento?
Acredito que vivemos uma pequena crise no vinhos australianos, que se tornaram muito parecidos e padronizados. O gosto do consumidor está mudando entre os amantes e conhecedores do vinho. Alguns vinhos são apenas para beber, mas, cada vez mais, os consumidores querem algo para degustar, pensar, refletir e, sobretudo, apreciar.

Por falar em mercado, como é o negócio de leilão para os vinhos italianos?
O mercado de leilões é menos importante para os vinhos italianos. Os leilões são referência mesmo para os vinhos top de Bordeaux.

#Q#

O que o senhor acha da diversidade dos vinhos, castas e regiões italianas?
Eu vejo essa diversidade como uma oportunidade. O desafio é a comunicação por causa dos nomes difíceis, sobretudo em inglês. Além disso, ao visitar a Itália, sentese a receptividade do povo italiano e nos apaixonamos pelos vinhos.

Quais são as castas mais tradicionais e destacadas?
É difícil falar em tradição, mas Cabernet e Merlot eram as castas da nobreza italiana. Temos a Cabernet Sauvignon na Itália, mas não é uma casta típica da Itália. O Cabernet Franc tem tradição no noroeste do país,e muita gente produz Merlot no Friuli, pois é uma casta tradicional da região. Mas eu prefiro escrever sobre vinhos e castas realmente tradicionais.

Por exemplo?
Na Itália, os supertoscanos não são tão populares como no Brasil. Hoje em Roma, a moda é a Sicília. Outra região ganhando expressão é a Campania, no sul da Itália, com uma centena de produtores.

Do que o senhor gosta particularmente?
Eu sou um apaixonado pela região do Abruzzo. Na minha opinião, a principal uva dessa região, a Montepulciano, é melhor que a Sangiovese. Do Abruzzo, destaco três grandes produtores - Colline Terramane, Valle Reale e Valentini. Também gosto muito dos vinhos da região do Alto Ádige, pouco conhecida fora da Itália e Alemanha.

Na sua visão, quais são importantes tendências do vinho no mundo e na Itália?
O grande desafio para os italianos serão os vinhos espanhóis. Continuaremos tendo os franceses com excelente imagem nos grandes vinhos e surgirão novos países produtores competitivos como Romênia, Hungria e Bulgária. A Romênia, por exemplo, tem potencial para avançar muito em qualidade.

E o gosto mundial?
O gosto mundial tendeu muito para Bordeaux e para os vinhos californianos. Acredito que vamos voltar a apreciar os vinhos mais elegantes e que acompanham melhor as refeições. Na Itália, não pensamos em vinho desacompanhado de comida. Nós somos uma potência em diversidade de uvas, produzimos vinhos em todas as regiões do país e ainda temos o renascimento do gosto pelos vinhos brancos - meu pai, por exemplo, só tomava vinho branco.

Você experimentou vinhos brasileiros?
Gostei muito de um branco Chardonnay, e o espumante Chandon produzido no Brasil não é nada mal...

Como é seu trabalho como editor e degustador do Gambero Rosso?
Eu trabalho degustando e avaliando vinhos e capitaneando uma equipe de dezenas de degustadores na Itália. De maio a setembro, avalio pessoalmente, em média, 5.000 vinhos.

E, desses, quantos você bebe?
Uns 2.000 a 3.000....

Como você define sua atividade?
Quando avalio um vinho, sou um ginecologista; quando bebo, sou um amante (risos).


Mundovino

Artigo publicado nesta revista


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