É tudo igual? Riesling sem parentesco

“Sempre me confundo quando vejo rótulos com ‘Riesling’ e ‘Riesling Itálico’. São a mesma uva?”, pergunta o leitor Eduardo Marques

Redação Publicado em 11/09/2026, às 14h28 - Atualizado às 14h28

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A confusão é compreensível, mas Riesling e a Riesling Itálico compartilham apenas o nome. São variedades distintas, sem parentesco genético, com perfis aromáticos, potencial de guarda e prestígio bastante diferentes. 

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A Riesling “verdadeira”, também chamada de Renana, é originária da região do rio Reno, na Alemanha, com registros históricos que remontam ao século XV. Trata-se de uma das grandes castas brancas do mundo: produz vinhos de acidez vibrante, aromas complexos de frutas cítricas, pêssego e Vinhos com Riesling Itálico avaliados por ADEGA flores brancas e, com o envelhecimento, desenvolve aquelas célebres notas petroláceas. É uma uva de maturação lenta e tardia, que expressa bem o terroir e produz desde vinhos secos até vinhos de sobremesa, como os Trockenbeerenauslese alemães e os Icewines canadenses. 

A Riesling Itálico, por sua vez, tem origens bem mais nebulosas. Conhecida em alemão como Welschriesling (onde “welsch” significa estrangeiro ou de origem românica), ela é cultivada em toda a Europa Central e Oriental, com a Croácia como produtor expoente, onde a uva responde pelo nome de Graševina e ocupa quase um quarto dos vinhedos do país. Sua origem ainda é debatida: há teorias que apontam a Croácia, o norte da Itália, a França e até os romanos como responsáveis pela sua disseminação. O que a ampelografia e a genética deixam claro é que ela nada tem a ver com a Riesling Renana. O “Itálico” no nome provavelmente chegou ao Brasil via imigração italiana, pois a uva foi introduzida no país em 1900, vinda do Trentino Alto Ádige.

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Na taça, as diferenças são marcantes. Enquanto a Renana é intensa, mineral e com alto potencial de guarda, a Itálico entrega vinhos mais leves, de perfil aromático com notas de maçã verde, frutas cítricas e sutis toques florais. É uma uva de fácil adaptação, produtiva e versátil, qualidades que a tornaram muito útil – especialmente no Brasil, onde a Riesling Itálico encontrou seu nicho principal nos espumantes gaúchos, contribuindo com frescor e acidez em cortes com Chardonnay e Pinot Noir. Mas, hoje, a uva também aparece em varietais brancos tranquilos. 

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