A velha e a nova Grécia

Com detalhes bem acabados por dentro e por fora, Domaine Gerovassiliou, na região da Tessalônica, abriga um pouco da história do vinho grego



Por dentro e por fora, o Domaine Gerovassiliou mistura influências, com a modernidade mesclandose aos elementos tradicionais da arquitetura e arte gregas

São Paulo, em sua carta a Timóteo, diz que o vinho deveria ser usado para combater males do estômago e outras enfermidades. Durante alguns anos, o apóstolo esteve na Tessalônica, que hoje é um dos principais polos vitivinícolas da Grécia. E em uma cidade da região se encontra uma das principais vinícolas gregas, o Domaine Gerovassiliou. O vinho grego, com seus varietais pouco conhecidos, não é muito comum em nosso mercado e, na verdade, a indústria vinícola da Grécia é relativamente nova, sendo que um dos pioneiros, Evangelos Gerovassiliou, fundou sua propriedade em 1981. A vinícola, que costuma ficar aberta para a visitação do público, é uma das fundadoras da associação de produtores de vinho do nordeste grego e participa do Wine Roads of Northern Greece (estradas do vinho do nordeste grego), um programa de incentivo do turismo e de atividades culturais.

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Afora os vinhos lá produzidos, a Gerovassiliou, localizada em uma paradisíaca baia do belo litoral grego, é também uma atração para os que apreciam belas paisagens e boa arquitetura.

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Estilo do Domaine Gerovassiliou lembra mais uma casa de veraneio, com gramado ao redor e decoração familiar e aconhegante no interior

Dentro e fora

Dois edifícios formam a área construída do Domaine Gerovassiliou. O projeto contou com a participação de dois arquitetos; um ficou a cargo do design externo e outro foi especialmente contratado para desenhar os interiores.

No primeiro prédio, localiza-se, entre outros departamentos, as áreas de engarrafamento, os escritórios, o Museu do Vinho e os laboratórios; no segundo, de construção mais recente, ocorre o envelhecimento das garrafas e o processo de rotulação. Ambos os prédios contam com andares térreos e dois porões e o acabamento de suas estruturas são basicamente de pedra e madeira.

Essa vinícola apresenta linhas que respeitam a tradição clássica que imortalizou tantas construções gregas, sem deixar, contudo, de apresentar inovações. A decoração varia de uma parte para outra, combinando elementos modernos com tradicionais.

Todo o ambiente dentro da Domaine Gerovassiliou revela a paixão pelo vinho. As degustações da bebida acontecem em uma sala que oferece uma privilegiada visão dos vinhedos que enfeitam o horizonte.

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História viva

Além da sala de degustação destaca-se, principalmente, o Museu do Vinho Gerovassiliou (Wine Museum Gerovassiliou), cuja elaboração, recentemente finalizada, é responsabilidade de dois professores - de museologia e história da arte - da Universidade Aristotélica de Tessalônica.

Lá, os visitantes desfrutam de uma área de 750 m2 na qual se pode admirar uma coleção única de prensas feita à mão. São 28 raridades produzidas entre os séculos XVIII e XX. A coleção de abridores de garrafa é ainda mais impressionante, apresentando aos visitantes cerca de 1.300 saca-rolhas desde o século XVIII. Há também uma coleção de garrafas, cuja mais velha foi manufaturada em 1520.

Por fim, marcado por uma imponente atmosfera bizantina, o museu traz, também, barris do século XVIII, artefatos utilizados na elaboração do vinho e diversas outras coisas relacionadas à história da bebida. Boa parte das peças foi coletada por Evangelos Gerovassiliou, que as junta desde 1976. Esse é o único museu sobre o vinho em toda a Grécia.

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Fotos: divulgação
Dentro da vinícola há o único museu da Grécia inteiramente dedicado à história do vinho, com peças singulares que remontam ao século XVIII

Clima aconchegante e harmonia

A mistura entre tradição, história e modernidade que se cumpre harmoniosamente não é o único mérito desta vinícola. Apesar de estar entre as maiores e mais respeitadas da Grécia, a arquitetura e a decoração da Gerovassiliou fazem dela um lugar tão aconchegante que suas dependências em nada lembram uma empresa, mas, sim, uma casa bastante familiar e aconchegante.

Entre as construções, um belo gramado garante suavidade ao local, que, à primeira vista, mais parece uma casa de veraneio. Só faltam as crianças correndo de um lado para o outro.

Do lado de dentro, a modernidade surge. Lustres futuristas, desenhados a partir de linhas oblíquas, ornamentam a sala de degustação. Dependendo do lugar, contudo, o amorfo dá lugar ao clássico. Assim, ao caminha pelos prédios, se é apresentado a um ambiente completamente novo a cada departamento. Um dos lugares em que a modernidade não tem vez é o museu, onde lustres, carregando velas na forma de castiçais iluminam peças valiosas e centenárias.

Decorada com bom gosto, uma visita a Domaine Gerovassiliou se torna mais que uma boa pedida não apenas para os amantes de uma boa taça de vinho, pois é um lugar cheio de qualidades e rico em charme, que traduz em sua arquitetura a essência de um bom vinho: harmonia e história.

Felipe De Queiroz

Publicado em 8 de Dezembro de 2009 às 07:11


Enoarquitetura

Artigo publicado nesta revista