Cerveja, uma paixão mundial

Uma das bebidas mais consumidas do mundo ganha toques de requinte


Atualmente existem no Brasil cerca de 60 microcervejarias que convertem a produção artesanal em qualidade na garrafa

Não há dúvidas: a cerveja é uma das bebidas mais consumidas e apreciadas em todo o mundo. Desde os países mais frios e longínquos da Europa até as regiões tropicais, ela está presente em bares e comemorações. Para se ter uma idéia, a cerveja é a terceira bebida mais consumida no Brasil, perdendo apenas para o café e o leite. Se no Egito antigo ela era produzida apenas para as classes menos abastadas, a cerveja ganhou, nos últimos anos, o requinte que a torna uma presença indispensável nas comemorações mais aristocráticas. Recentemente lançada no Brasil, a Lust, a primeira cerveja do país feita com o método Champenoise – o mesmo da produção tradicional de champagne – que a torna muito frutada, com espuma mais densa e alto teor alcoólico (11,5%). Um luxo destinado a poucos. O processo de elaboração das cervejas premium é o mesmo da cerveja pilsen. No entanto, para que uma cerveja alcance essa categoria, deve ser de alto nível, com qualidade e sabor diferenciados, conquistados em um processo minuciosamente coordenado pelo mestre cervejeiro.

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Algumas cervejas que têm aparecido nos bares, restaurantes e supermercados das principais capitais chegam para provar que, assim como ocorre com os vinhos, o consumidor também tem boas opções de rótulos “Grands Crus”. As melhores cervejas premium são aquelas produzidas em microcervejarias, que investem em métodos artesanais para produzir maior variedade de sabor e aroma.

Nos Estados Unidos, país com alto consumo da bebida, o boom das microcervejarias começou no final da década de 70, e hoje existem cerca de 1.400 pequenos produtores. No Brasil, uma das primeiras foi a Baden Baden, de Campos do Jordão. Em 1990, a empresa fabricava apenas o suficiente para o consumo em sua choperia. Recentemente passou a distribuir suas cervejas em diversos estados brasileiros. A produção deve chegar a 80 mil litros por mês até o final do ano.

Atualmente existem no país cerca de 60 microcervejarias. Uma delas que também conquistou espaço no mercado é a Devassa, instalada no Rio de Janeiro. “Quando não se tem grandes equipamentos, os produtores de cervejarias menores têm um cuidado muito maior”, diz Kátia Jorge, a mestre cervejeira da empresa carioca. Segundo ela, o cuidado começa desde a escolha dos ingredientes e segue até a inserção de levedura e lúpulo na bebida. “Quando uma grande cervejaria faz o estilo premium, os volumes são muito grandes, portanto não há um cuidado fase a fase como nas microcervejarias. Acostumado com o estilo pilsen, o consumidor brasileiro tem descoberto a categoria premium nos últimos anos, incrementando sua produção.

A Devassa é um bom exemplo. A fábrica começou no Rio de Janeiro e abriu, há poucos meses, sua primeira filial em São Paulo, com um plano de se expandir para outras grandes capitais brasileiras com seus produtos. Entre eles, a ruiva, ou Ale, a típica cerveja de cor avermelhada, sabor bem amargo e alta fermentação, considerada uma ótima bebida para dias frios, e a morena, ou Dark Lager, de coloração escura, aroma acentuado e cremosidade intensa.

No exterior, um dos países, que se destacam na produção de cervejas premium, é a Bélgica, onde são fabricadas, segundo especialistas e apreciadores da bebida, as melhores cervejas do mundo. A “Cantillon Grand Cru Bruocsella – Lambic Bio 2001”, por exemplo, passou três anos em barris de carvalho. Ela tem sabor muito seco e teor alcoólico de 5%. Já a “Liefmans Jan van Gent”, apesar de ter 0,5% de álcool a mais, é mais suave, pois a fermentação é lenta e em tanques abertos. Há, no entanto, cervejas mais fortes, como a “Straffe Hendrik Brown Ale”, com 8,5% de teor alcoólico, feita de malte tostado, de coloração marromescura e muita cremosidade.

Com esse nível de sofisticação, a cerveja passa a integrar a elite internacional das bebidas alcoólicas, porém sem perder suas raízes populares. Por esse motivo, ela se firma como a bebida mais democrática do mundo.

Fernando Roveri

Publicado em 23 de Novembro de 2006 às 12:15


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Artigo publicado nesta revista