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  • O tesouro do Caribe

    Como o rum se tornou uma das bebidas mais populares do mundo

    Primo-irmão de nossa cachaça, o rum é um dos destilados mais apreciados em coquetéis

    por Silvia Mascella Rosa

    pirata rum
    O rum foi o álcool mais presente nas expedições marítimas

    Histórias de piratas, tesouros e ilhas paradisíacas saem da ficção quando se conta a história do rum. A cana-de-açúcar, sua matéria-prima, chegou ao Caribe pelas mãos de Cristóvão Colombo, no final do século XV, e espalhou-se por todas as ilhas.

    Os livros não confirmam qual ilha foi a responsável pela primeira destilação do melaço da cana, embora Barbados seja a mais citada. Mas o fato é que, em pouco mais de um século, o rum já era a bebida que motivava os militares (até a década de 1970 a bebida fazia parte da "ração" diária dos marinheiros ingleses), o combustível de piratas europeus e o divertimento dos nativos e dos escravos que circulavam pelas ilhas. Até mesmo o nome da bebida tem as coordenadas díspares de um mapa de tesouro.

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    Conhecido como rum, ron e rhum, uma das possíveis origens do nome seria a palavra latina saccharum, que significa açúcar. Outra origem, relacionada aos piratas, está ligada ao termo inglês antigo rumbullion (em português, tumulto), ou seja, as arruaças dos bebedores após festejar o sucesso de seus saques.

    O rum foi o álcool mais presente nas expedições marítimas e, talvez por isso, passou a ser uma das bebidas mais populares ao redor do mundo. Piratas e prostitutas, senhores de terras e escravos, cowboys no velho oeste e atores, políticos e escritores, todos apreciavam rum.

    Em 1954, o escritor norte-americano Ernest Hemingway escreveu as seguintes frases: “My Mojito in La Bodeguita, My Daiquiri in El Floridita”. As frases estão emolduradas e penduradas na parede do bar mais famoso de Havana, La Bodeguita del Medio, no bairro antigo da capital cubana, somente a alguns quarteirões de distância do restaurante La Floridita, onde o escritor sentava-se todos os dias para uns quatro ou cinco coquetéis.

    LEIA TAMBÉM: Vinícola norte-americana começa a usar rolha feita de cana-de-açúcar

    A fácil utilização do rum na coquetelaria internacional é um dos fatores que elevou a sua popularidade no final do século XX. É o tipo de destilado que combina muito bem com frutas e refrigerantes, como prova a popularidade da Piña Colada (saborosa mistura de rum, suco de abacaxi e creme de coco), da Cuba Libre e do Daiquiri. Os apreciadores brasileiros (o Nordeste é a região com maior consumo de rum no país) criaram uma versão caribenha de nossa caipirinha, a caipirisima.

    A diferença do rum para nossa cachaça está no processo de produção: a maior parte dos rums é destilada do melaço fermentado da cana-de-açúcar, enquanto a cachaça é preparada do caldo da cana fermentado, resultando em um produto com sabores menos concentrados do que o rum.

    Após a preparação do melaço, ele é armazenado em tanques ou cisternas e depois diluído com água e nutrientes para a fermentação. O líquido é então transferido para o local de destilação, que tanto pode ser um alambique de destilação contínua quanto um alambique do tipo pot, de destilação por partes (utilizado nos rums premium).

    LEIA TAMBÉM: O que é o açúcar residual nos vinhos?

    O primeiro produto da destilação é conhecido como “rum comum”. Após isso, ele vai ser transferido para os barris de carvalho, nos quais amadurece. Esse processo requer no mínimo dois anos e pode chegar até dez anos para bebidas especiais. Na etapa final, entra em cena o blender, responsável por fazer as combinações entre os diversos tipos de rums – os comuns e os de destilação pot –, para obter produtos diferenciados.

    Os tipos de rum

    Rum
    Por séculos o Rum foi uma das bebidas mais populares do mundo e se eternizou na pirataria

    Ao longo dos anos, o rum tomou sotaques e sutilezas que o tornam peculiar em cada local de produção. Os mais famosos, no entanto, encontram-se em Cuba, Jamaica, República Dominicana, Porto Rico e Barbados. Mas, incrivelmente, existem rums produzidos na Austrália (onde foi a primeira bebida oficial), em Java (na Indonésia), na Índia e na Alemanha.

    Leves ou encorpados, os rums têm, em geral, de 35% a 45% de gradação alcoólica. Os leves são produtos amadurecidos por pouco tempo e classificados como dourado (oro, carta oro ou golden) e transparente (blanco, carta blanca, prata, silver ou white). Seus aromas são associados às especiarias e às frutas secas: uvas-passas, ameixas e, algumas vezes, baunilha. Além disso, podem ser distinguidos pelo país que os produz:

    • Cuba – rums leves e suaves;
    • Jamaica – rums fortes, encorpados, envelhecidos em carvalho e duplamente destilados;
    • Barbados – rums mais ou menos leves, com sabor acentuado de carvalho;
    • Martinica – rums encorpados e pungentes feitos com suco de cana no lugar do melaço;
    • Porto Rico – rums leves e de muita qualidade.

    LEIA TAMBÉM: Como a bagaceira, a aguardente de uva, inspirou a criação da nossa cachaça

    O rum premium, em geral cor de caramelo e envelhecido, deve ser servido em temperatura ambiente, puro, como digestivo ou para acompanhar um bom charuto. O copo pode ser o de conhaque ou mesmo uma boa taça para cachaça ou vinho do Porto. O rum branco, quando tomado puro, deve ser servido frio.

    O Mojito

    mojito
    O Mojito tem origens atribuídas ao almirante inglês Francis Drake

    Um dos coquetéis preferidos do escritor Ernest Hemingway, o Mojito, tem fiéis apreciadores ao redor do globo, por ser uma bebida refrescante e leve. Segundo o próprio Hemingway, o coquetel é uma invenção do almirante inglês Francis Drake, primeiro homem branco a aportar nas Ilhas do Pacífico Sul.

    Ele teria criado a bebida misturando folhas de hortelã com doses generosas de rum. O objetivo era proteger seus marinheiros das doenças respiratórias e estomacais. A receita mais popular, no entanto, é a criada pelo bar cubano La Bodeguita del Medio. Confira abaixo:

    • 6 ou 7 folhas de hortelã (mais um galho para decoração);
    • 2 colheres de chá de açúcar;
    • 1/2 dose de suco de limão;
    • 1 dose de rum prata leve;
    • 4 ou 5 pedras de gelo picadas;
    • Club soda ou água com gás.

    Misture o açúcar e o limão em um copo alto. Coloque as folhas de hortelã e as amasse levemente. Coloque o gelo picado e o rum. Complete com club soda. Mexa levemente e sirva com canudo, mexedor ou ramo de hortelã.

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