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  • Cidadão do mundo (dos vinhos)

    Robert Parker certamente está entre as mais importantes celebridades do mundo dos vinhos, por sua vasta experiência e conhecimento, pela sua publicação, a The Wine Advocate, e uma ou outra polêmica...

    por Rodrigo Machado, Augusto Silva E Rahif Jebrine*

    Quase desacreditado, no final de janeiro liguei mais uma vez para a Wine Advocate, a fim de solicitar à atenciosa mrs. Joan Passman que Robert Parker respondesse a algumas perguntas. Simpática como sempre, falou que Parker havia chegado da longa visita aos vinhedos e que ela achava até a entrevista já havia sido respondida, mas, passando os olhos por sua mesa, não encontrava nada. Então, me pediu a gentileza de enviar a entrevista novamente. Confesso que enviei mais uma vez, mesmo sem acreditar muito na comunicação entre Parker e um simples mortal como eu. Após alguns dias, estava em casa e dei um pulo quando acessei meus e-mails e vi que Parker havia respondido:

    #R#

    Descreva-nos seu dia de trabalho típico. Qual critério é utilizado para escolher os vinhos a serem degustados? O senhor compra todos os vinhos que avalia? Produtores enviam amostras para o senhor de tempos em tempos?
    Meu dia de trabalho varia consideravelmente, de dia no escritório, quando muito trabalho escrito é feito, ditando notas de degustação para inclusão na base de dados da minha publicação, The Wine Advocate, e em meus livros. Quando em viagem, o que ocorre aproximadamente por cerca de três meses por ano, eu passo doze horas por dia visitando vinícolas e provando vinhos. Recebo amostras de vinhos não solicitadas em meu escritório, mas grande parte dos vinhos que provo, eu compro ou vou visitar a propriedade diretamente.

    Que tipo de taças o senhor utiliza em degustações? Elas são sempre do tipo ISO?
    Eu utilizo diversos tipos de taças, incluindo taças ISO, Riedel, Esch, e uma empresa que não é mais distribuída nos Estados Unidos, as taças Impitoyable ('Implacáveis').

    O senhor acredita que o formato do copo causa tão grande influência na degustação, a ponto de ser necessário ter um copo ideal para cada tipo de vinho ou varietal?
    Sim, eu penso que o formato da taça é significativo, tanto para avaliação formal como para o consumo de vinho. Acredito que a profundidade da taça deve ser proporcional ao volume, e tenho a impressão que algumas dessas taças gigantescas e superdimensionadas são, na verdade prejudiciais para a maioria dos vinhos. Prefiro taças de 300 a 350 ml, com uma profundidade de 8 a 10 cm. Essa seria a relação perfeita entre ar e quantidade de vinho.

    Caso o senhor tivesse que escolher entre uma região ou outra, qual seria a preferida? Borgonha ou Bordeaux, e por que motivo?
    Eu experimento e degusto vinhos de todas as partes do mundo, pois creio que isso me faz um crítico melhor, e capaz de compreender todas as regiões vinícolas, muito embora, na The Wine Advocate, temos especialistas, além de mim, específicos para Borgonha, Argentina, Nova Zelândia, Alemanha etc.

    O que o faz, na sua opinião, um crítico de vinhos tão respeitado?
    Trabalho como crítico de vinhos há quase 27 anos. Tenho sido completamente independente do setor vinícola, e tenho um histórico de extraordinária honestidade e precisão nas avaliações de vinho. É muito significativo em um longo período de tempo.

    Qual país da América do Sul o senhor crê ser o mais promissor nas próximas décadas?
    Estou bastante entusiasmado com as possibilidades para a América do Sul, e as duas áreas mais promissoras são Argentina e Chile. Argentina com a Malbec e Chardonnay, e Chile com Chardonnay, Sauvignon Blanc, Merlot e Cabernet Sauvignon. Suspeito que há um bom potencial para Syrah, também.

    O que o senhor pensa sobre concursos internacionais de vinhos, que distribuem centenas de medalhas de ouro a diversos produtores? O senhor acredita que esse tipo de concurso ou evento é adequado?
    Nunca participei de nenhuma avaliação internacional de vinhos. Não tenho nada contra, apenas sinto que muitos dos melhores produtores de vinhos que conheço nunca participam de tais concursos.

    Devido a alguns concursos internacionais, algumas pessoas no Brasil parecem acreditar que o vinho espumante brasileiro é o segundo melhor espumante do mundo, perdendo apenas para Champagne. Qual é a sua opinião sobre esse tipo de pensamento? O senhor já experimentou algum espumante brasileiro? Como foi a experiência?
    Nunca experimentei um espumante brasileiro, e ficaria muito impressionado se houvesse por aí um segundo melhor espumante do mundo, como alguns no Brasil acreditam. Gostaria muito de experimentar algum (espumante brasileiro), entretanto, não creio que estejam disponíveis nos Estados Unidos.

    Existe ainda algum grande vinho que o senhor nunca provou, mas tem a curiosidade de experimentar?
    Acho que provei todos os assim chamados "vinhos lendários" já produzidos. Novos vinhedos e vinícolas sempre vão aparecer, especialmente no Novo Mundo, e em países do Velho Mundo, como a Espanha. Alguns desses vinhos, que ainda nem foram lançados, serão considerados grandes vinhos daqui a dez anos.

    *Fonte: www.notasdedegustacao.com.br.

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