Cubo mágico

De visual futurista, Bodega Irius foi projetada para aproveitar ao máximo o que a natureza provê



fotos: Divulgação

Desde o início dos anos 2000, o mundo vem presenciando uma onda revolucionária na arquitetura das vinícolas. De simples "moradas" dos vinhos, elas passaram a ocupar lugar de destaque não só por saltar aos olhos de seus admiradores como também por tornarem- se, na maioria das vezes, mais ecológicas e vantajosas na produção da bebida.

A Espanha, em particular, consolidou-se como referência no quesito modernização e não por acaso é lá que está cravada a Bodega Irius. Planejada desde o ano 2000 e posta em prática cinco anos depois, sua construção demorou três anos para ficar pronta - tempo consideravelmente curto para um projeto desse porte (tem 30 mil m²), que teve investimento de mais de 90 milhões de euros.

Para apresentá-la, não basta dizer que é um projeto futurista do renomado arquiteto Jesús Marino Pascual, responsável pelo design de outras bodegas da rota dos vinhos espanhóis. Nada nela é usual, a começar pela localização. A propriedade está situada na província de Huesca (na denominação de origem de Somontano), aos pés dos Pirineus, quase na divisa entre França e Espanha. E, além de vanguardista, a vinícola também é bioclimática e, por isso, foi construída "meio a meio": 27 metros abaixo da terra e outros 27 acima do solo, um incentivo para a economia de energia, uma vez que reduz a necessidade de refrigeração no ambiente. Esse fator, unido a diversos outros, como o material usado na construção e a iluminação natural do local, é responsável por uma economia de energia de até 70%.

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fotos: divulgação

Projeto futurista do renomado arquiteto Jesús Marino Pascual teve investimento de mais de 90 milhões de euros

Projeto
Como se tratava de uma vinícola, ou seja, um local de fortes ligações com a terra, o intuito do projeto foi trazer isso para a arquitetura e criar um "grande vinhedo", um prédio que tivesse as mesmas características de uma vinha: raízes fortes e profundas, que alimentam o funcionamento de todo o resto, e com parte superior (ou broto) atraente e voluptuosa.

Cubos
Logo de vista, a arquitetura da vinícola se destaca pela singularidade de suas formas e pela força dos materiais usados na construção, o aço e o vidro, que reforçam o visual futurista obtido a partir do jogo geométrico de cubos, que se encaixam em ângulos diversos, dando origem a um prisma diferente, que intriga e estimula a imaginação.

E se a fachada impressiona, o interior do prédio não deixa por menos. Como metade dele está no subsolo, sua estrutura permite que a vinificação por gravidade dispense o uso de bombas e, consequentemente, utilize menos energia. E, unido ao controle natural de temperatura que a adega do subsolo possui, há ainda um sistema adicional de climatização, que regula a temperatura interna a uma constante de 14°C.

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Metade do prédio está no subsolo, o que evita o uso de bombas e ajuda a manter a temperatura

Salas
Em complemento às instalações voltadas para a elaboração do vinho, a Irius também tem espaço para um restaurante, um bar de vinhos, uma "Enotenda", com mais de 300 produtos relacionados ao mundo do vinho, uma sala de conferências e uma de degustações, que segue o design grandioso do prédio, e diversas salas de reuniões.

Vinhas
Dando ainda mais notoriedade ao prédio, a vinícola está rodeada de 365 hectares de vinhedos permanentemente monitorados por meio de tecnologias novas, que compõem a chamada "vinicultura de precisão". Os recursos utilizados vão desde imagens de satélite, passando por irrigação subterrânea e sensoriamento remoto, e chegando à tecnologia infravermelha.

Carolina Almeida

Publicado em 11 de Novembro de 2011 às 16:39


Enoarquitetura

Artigo publicado nesta revista