A elegância e a altitude de Portugal em taça
Entre serras e rios, a mais antiga região demarcada de vinhos não fortificados do país combina história, terroir e inovação para criar alguns dos rótulos mais refinados de Portugal.
No coração de Portugal, a Região Demarcada do Dão é uma síntese rara de tradição e frescor. Criada oficialmente em 1908, é protegida pelas serras da Estrela, do Caramulo, da Nave, do Açor e do Buçaco, que funcionam como muralhas naturais contra ventos e intempéries. Essa geografia privilegiada, aliada a solos graníticos e altitudes que chegam a 700 metros, molda vinhos de acidez vibrante, frescura e enorme capacidade de guarda.
Aqui, as vinhas crescem em solos pobres e pedregosos, obrigando as raízes a buscar nutrientes em profundidade. O resultado? Vinhos finos, complexos e cheios de identidade, onde a fruta, a mineralidade e a elegância se encontram em perfeita harmonia.
Terroir e identidade
Altitude: 400 a 700 metros
Solos: Graníticos, com boa drenagem
Clima: Continental moderado, verões quentes e secos, invernos frios
Castas brancas: Encruzado, Bical, Malvasia Fina
Castas tintas: Touriga Nacional, Jaen, Alfrocheiro, Tinta Roriz
Um renascimento de prestígio
Depois de séculos de produção, o Dão vive hoje um novo capítulo, em que a experiência de famílias centenárias e o dinamismo de novos enólogos convergem para vinhos cada vez mais precisos e expressivos. É uma região que encontrou o equilíbrio perfeito entre tradição e tecnologia, com práticas sustentáveis e atenção às particularidades de cada parcela de vinha.
A identidade da região é clara:
Brancos: minerais, florais, com frescor e tensão na boca.
Tintos: aromáticos, elegantes, com taninos finos e capacidade de envelhecimento.
"O Dão é um vinho que não grita. Ele sussurra histórias"
Os protagonistas do Dão

Adega de Penalva: Fundada em 1960, reúne cerca de 1.000 associados e vinhas que somam mais de 1.200 hectares. Com produção anual de 7 milhões de litros, é referência em tecnologia e qualidade. 80% tintos, 20% brancos — sempre com a assinatura do Dão.

Casa Américo: No sopé da Serra da Estrela, cultiva vinhas centenárias em solos graníticos, entre 400 e 600 metros de altitude. Vinhos elegantes, com castas emblemáticas como Encruzado, Bical, Jaen, Touriga Nacional e Tinta Roriz.

Freire Lobo: Projeto boutique criado por Elisa Freire Lobo, com vinhas de mais de 60 anos em cultivo orgânico. Filosofia de mínima intervenção e máxima expressão do terroir. Vinhos puros, precisos e intensamente ligados à terra.

Palácio dos Condes de Anadia: Em Mangualde, um palácio do século XVIII abriga vinhos de frescor, mineralidade e notas florestais. As vinhas, a 500 metros de altitude e em solos graníticos, produzem rótulos elegantes e memoráveis.

Quinta da Ramalhosa: Na sub-região de Besteiros, vinhas de mais de 40 anos dão origem a brancos vibrantes (Encruzado, Bical, Malvasia Fina) e tintos equilibrados, sempre marcados pela frescura e mineralidade do Dão.

UDACA: Fundada em 1966, é a união das Adegas Cooperativas do Dão, representando cerca de 60% da produção da região. Possui loja, museu, laboratório e cave subterrânea, com presença sólida no mercado nacional e internacional.