Descobertas


"Só sei que nada sei". Uma das mais famosas frases socráticas parece acompanhar o mundo do vinho e é revivida a cada rolha sacada, cada gole tomado. É curioso, porém, que haja tanta renovação em um mundo que preza tanto pelas tradições. Ainda assim, o vinho se renova.

Nesta edição de ADEGA, partimos da Borgonha, uma das regiões vitivinícolas mais "fundamentalistas" do mundo, onde os produtores geralmente estão "presos" a técnicas milenares. Lá, fomos até Chablis para tentar compreender o conceito de climat, que define pequenas parcelas dentro de alguns vinhedos, nomeando principalmente os Premier Cru. E, para melhor explicar como isso funciona, avaliamos vinhos Premier Cru de 12 diferentes produtores, desde os mais clássicos até alguns "revolucionários".

Revolucionários como os Douro Boys talvez? Esses cinco jovens representantes de cinco tradicionais casas de Vinho do Porto decidiram se unir para ajudar a renovar a imagem da região. Brincalhões e empreendedores, eles, diferentemente de seus ancestrais, apostaram nos vinhos tranquilos (que antes eram consumidos apenas pelas famílias). De 2003 - quando o grupo foi oficialmente montado - até hoje, eles rompem com costumes, sempre inovando na hora de fazer e apresentar seus vinhos ao mundo.

Inovação é uma palavra que está sempre em voga no Novo Mundo (do contrário, talvez não seria Novo, não é?). E os produtores desse lado do Atlântico estão de olho nas principais novidades para criar vinhos surpreendentes, que compitam de igual para igual com rivais mais tradicionais do Velho Mundo. Um dos que estão atentos ao que de melhor cada palmo de terra, cada videira, cada cuba do Chile pode produzir é Jorge Coderch Mitjans, diretor da Viña Valdivieso, que faz o icônico Caballo Loco.

Já que tratamos de ícones, atravessamos os Andes e paramos na Argentina, que foi palco de uma degustação especial com vinhos célebres de alguns dos mais renomados produtores locais. Uma prova de que o Novo Mundo está cada vez mais global quando falamos de vinhos Premium.

Por fim, ADEGA aproveita a compilação dos números do mercado nacional para vinhos importados e faz uma análise do que aconteceu no primeiro semestre de 2012, observando as variações dos principais players no que tange a volume e valor de vendas no Brasil. Como eles se comportaram e quais os fatores políticos e econômicos que influenciaram nas suas trajetórias? Vale pensar. Mais do que isso, vale também abrir mais uma garrafa e se deparar com novidades que vêm do mundo todo.

Saúde,
Christian Burgos e Arnaldo Grizzo

Da redação

Publicado em 8 de Agosto de 2012 às 12:30


Editorial

Artigo publicado nesta revista