Family business

"Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais..."


(trecho da canção “Como nossos pais”, composta por Belchior, que ficou eternizada na interpretação de Elis Regina)

Grande parte das músicas e poesias que tratam do tema da família e suas tradições costuma mostrar o dilema das gerações mais jovens diante dos costumes das mais velhas, o drama de romper com o passado. Sabemos, entretanto, que “a arte imita a vida” e, muitas vezes, nas canções, o processo de rompimento com o passado não passa de uma busca por raízes e renovação de tradições. E posso afirmar que o mundo do vinho é cenário perfeito para isso.

Tanto que em meados da década de 1990, 12 das mais importantes famílias do mundo do vinho se uniram em torno de ideais em comum e de uma filosofia de preservação da história, do savoir-faire e dos costumes das vinícolas familiares. Assim nasceu a Primum Familiae Vini (PFV) que, em 2010, optou pelo Brasil para apresentar seus vinhos e convidou ADEGA para presenciar a reunião que sacramentou a escolha da instituição de caridade brasileira para a qual a PFV vai arrecadar fundos durante sua passagem por aqui.

Por isso decidimos apresentar a você neste mês um pouco da história desse grupo formado por vinícolas míticas, que sabem como ninguém o valor das tradições e encarnam há gerações o espírito de valorização do terroir.

Pensando nisso, o estudioso Luiz Gastão Bolonhez mergulhou fundo no conceito de Single Vineyard – vinhos de vinhedos únicos e expressão fiel do “gosto do terroir” –, uma tendência que parece irrefreável em diversas partes do mundo.

Uma das regiões que se alimenta do conceito de terroir é Peumo, no Chile, onde Eduardo Milan pôde perceber in loco a adequação da região para a mais emblemática casta chilena, a Carménère. E já que estamos tratando de regiões, Aguinaldo Záckia Albert dá um panorama da Alsácia e seus fantásticos vinhos brancos. Nosso colaborador uruguaio Daniel Arraspide mostra que seu país não vive só de Tannat, e, em entrevista, Raquel Pérez Cuevas, da Bodegas Ontañon, explica as diferenças entre as duas mais famosas DOCs espanholas, La Rioja e Ribera del Duero.

Por fim, ainda retratamos a revolucionária história dos vinhos de Angelo Gaja, o belíssimo e exótico Buddha Eden, na Quinta dos Loridos, em Portugal, os azeites australianos e damos boas dicas para quem quer aproveitar uma das cidades mais badaladas dos Estados Unidos, Miami. Bom, depois dessa volta ao mundo, como todo bom filho, tornamos à casa, ou melhor, ao vinho.


Saúde,
Christian Burgos

Christian Burgos

Publicado em 22 de Setembro de 2010 às 12:56


Editorial

Artigo publicado nesta revista