Revista ADEGA

Especial | Entrevista com George M. Taber

Não bebo em serviço

Da redação em 29 de Março de 2011 às 05:59

divulgação

Você sofreu algum tipo de "ameaça" dos participantes para não divulgar a história?
Não. Apesar de eu nunca ter tido problemas na França, Steven teve bastante. Naquela época, a Time não colocava o nome do repórter nos artigos, assim como The Economist faz até hoje. Por isso, até muito tempo depois de eu deixar a França, ninguém sabia que era eu quem tinha escrito a matéria. No entanto, quando comecei a escrever o livro, a maioria dos jurados se recusou a falar comigo.

O julgamento alavancou a indústria norte-americana, mas também ajudou todo o Novo Mundo. De modo geral, os americanos mantiveram o nível nos últimos 35 anos? Como vê hoje a indústria do vinho norte-americana e do Novo Mundo em geral? Quais os desafios diante deles?
Atualmente, o maior desafio dos produtores é lidar com a superprodução global. Muitos países estão produzindo muito vinho. Isso beneficia o consumidor, porque geralmente a consequência da superprodução é o barateamento do produto, mas é um problema para produtores, e muitos deles não vão sobreviver.

Como vê hoje a vitivinicultura do Novo Mundo? Para onde ela aponta?
As duas coisas mais importantes que estão acontecendo no mundo do vinho hoje são o desenvolvimento de vinhos de qualidade e com baixo custo, e o surgimento da China como o principal mercado consumidor. Os chineses estão pedindo a ajuda de muitos experts franceses e logo produzirão bons vinhos.

É possível mesmo comparar os vinhos do Novo Mundo com os do Velho Mundo?
Os modos de produção ao redor do mundo são muito semelhantes. As melhores vinícolas usam os mesmos equipamentos (barris franceses e engarrafamento italiano, por exemplo). O ensino na Universidade de Bordeaux não é muito diferente do da Universidade da Califórnia Davis. Ainda há algumas diferenças de clima e solo, mas eu particularmente não acho isso tão importante quanto algumas pessoas. Os produtores podem driblar os problemas da natureza através de irrigação por gotejamento, colheita noturna e outras técnicas.

"Quando comecei a escrever o livro, a maioria dos jurados se recusou a falar comigo"

Qual era o seu conhecimento de vinho na época? Quais vinhos apreciava e quais aprecia hoje?
Naquela época, estava vivendo na Europa há sete anos e tive várias experiências com o vinho. Morei na Suíça, Alemanha, Bélgica e França - passei por todos os grandes mercados consumidores. Também fiz um curso de vinhos na França com Steven Spurrier, mas não era um expert. Eu era um jornalista que gostava de vinho e bebida quase todos os dias. Meu gosto é muito amplo. Prefiro provar vinhos diferentes, de nacionalidades diferentes, do que beber sempre o mesmo tipo. Esse é um dos grandes atrativos do vinho para mim. Há sempre um novo rótulo ou uma nova safra a se provar.

Como aquele evento mudou a sua vida?
Ele não afetou a minha vida de imediato. Depois de alguns meses, deixei Paris, virei editor na Time e abri meu próprio negócio. O impacto do Julgamento demorou um tempo a acontecer. Eu decidi escrever o livro depois de 20 anos do ocorrido, em 1996. Foi naquela época que eu me dei conta da importância do evento e de que eu era a pessoa certa para escrever sobre ele, já que tinha acompanhado tudo de perto.

Você provou os vinhos naquele dia?
Não. Estava trabalhando naquele dia, então não podia beber em serviço.




Entrevista

Artigo publicado nesta revista

Revista ADEGA 65 · Março/2011 · Julgamento de Paris

Bastidores da degustação que abalou o mundo


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