O gênio da cepa - parte IV

Os vinhos brancos são perfeitos para o verão. Aprenda sobre as suas uvas e escolha o que melhor corresponde ao seu estilo


Brian Roberts/Stock.Xchng
No mês passado encerramos as uvas tintas para chegar este mês, finalmente, às brancas. Não por acaso invertemos uma ordem natural que seria começar com brancos para depois passar aos tintos. Nosso objetivo é casar o frescor dos vinhos brancos com o verão que se anuncia. No Brasil, infelizmente, os vinhos brancos são pouco consumidos. Fala-se de uma proporção de 80%-20% na relação tintos-brancos, o que soa incompreensível em um país tropical. Sabemos que o problema não é falta de produtos de qualidade, pois o mercado nacional já dispõe de grandes brancos do mundo todo. Se a barreira é falta de informação, vamos ajudar apresentando algumas das principais castas brancas do planeta:

Alvarinho (Portugal) ou Albariño (Espanha) - Ocupa o trono de maior casta branca de toda a Península Ibérica. Típica uva dos Vinhos Verdes, do norte de Portugal. Esplêndida acidez é sua maior marca. Os exemplares "Verdes" tradicionais são leves, de baixo teor alcoólico, muito frescor e levemente frisantes (com certo gás natural). Esta casta, no entanto, se adequadamente cultivada, presta-se à elaboração de brancos barricados e de grande estrutura.

Chardonnay
Moscatel
Riesling

Antão Vaz - maior branca do sul de Portugal, notadamente do Alentejo. Em estilo lembra a Chardonnay, rendendo vinhos estruturados, untuosos, frutados e que por vezes expressam boa mineralidade. Presta-se bem ao amadurecimento em barris de carvalho e faz um bom par com a uva Arinto, que empresta acidez à mistura.

Chardonnay - a rainha das uvas brancas. Gera líquidos consistentes, ricos e complexos. Faz os grandes Borgonhas, como o Montrachet e o Chablis e dá vida ao Champagne. Normalmente apresenta cor dourada e aromas como pêssego, abacaxi, limão, mel, manteiga e avelãs. É uma das poucas variedades brancas que se presta ao amadurecimento em barris de carvalho, quando ganha, então, aromas de baunilha e tostados. É tão exageradamente disseminada pelo mundo que já existe uma reação dos consumidores, que nos EUA foi batizada de ABC - All But Chardonnay! (Em português, Tudo Menos Chardonnay).

Gewürztraminer - esta cepa provoca reações do tipo "ame-a ou deixea", e alcança boas notas em degustações, por sua intensidade e originalidade aromática. Os mais famosos são os da Alsácia (França) e da Alemanha. Aromas de rosas e lichias são os mais típicos. Produz desde líquidos secos até excelentes doces. É de cultivo difícil. No Brasil, infelizmente, não se dá muito bem.

Moscatel - Não se trata de uma casta, mas de uma família (Moscatel, Moscato, Muscat, Muscadelle). Há vários tipos, como o de Alexandria, Lipari, España, Setúbal, Ottonel e assim por diante. São uvas aromáticas muito usadas em vinhos de sobremesa e espumantes. É a base do Asti Spumanti, do norte da Itália. No Brasil, é muito difundida e produz bons espumantes, tanto na região Sul, como no Nordeste. Faz muitos vinhos generosos como o português Moscatel de Setúbal ou o italiano Passito di Pantelleria.

Riesling (ou Riesling Renano) - Uma das melhores variedades brancas do mundo. Usada também para fazer vinhos secos ou doces. É reconhecida por seu aroma floral e de frutas, como maçã verde, e de minerais, como petróleo ou querosene. Sua expressão máxima acontece na Alsácia (França) e na Alemanha. A Austrália é também um bom terroir para esta cepa. Pode gerar brancos de grande estrutura, acidez elevada e notória longevidade, quase sempre sem passar por barris de carvalho, preservando toda a sua expressividade varietal. Não confundir com o que chamam de Riesling Itálico, variedade muito cultivada no sul do Brasil, muito diferente da Riesling (Renana), sendo pouco intensa e de perfil leve e cítrico.

Sauvignon Blanc - É originária de Bordeaux e do Vale do Loire, França, onde faz o Sancerre e o Pouilly Fumé. Gera vinhos de boa acidez e aromas potentes, lembrando grama cortada, ervas frescas, cítricos, grapefruit e aspargos. Em exemplares clássicos do Loire, aromas típicos são descritos como "pedra de isqueiro" e "pipi de chat" (xixi de gato). Fora da França, os Sauvignon Blancs mais famosos são os da Nova Zelândia, mais frutados que os franceses, às vezes agregando maracujás e pêssegos ao conjunto.

Sémillon - é a base dos brancos de Bordeaux, onde é misturada à Sauvignon Blanc e às vezes a uma pequena quantidade de Muscadelle. Por sua estrutura e longevidade é a alma do Sauternes, o maior branco doce do mundo. No Hunter Valley, na Austrália, a Sémillon gera vinhos de grande longevidade (mais de dez anos), acidez marcante e baixo teor alcoólico (cerca de 11%), que desenvolvem aromas de mel, avelãs e nozes com a idade.

Marcelo Copello

Publicado em 14 de Dezembro de 2006 às 08:53


Escola do vinho

Artigo publicado nesta revista