Após 12 anos de silêncio, Vinha do Fojo renasceu preservando a identidade de um dos raros ícones do Douro

por Dado Lancellotti @contra_rotulo
A história da Quinta do Fojo é um daqueles enredos raros onde o peso da linhagem familiar se funde perfeitamente com a audácia de transformar o Douro em algo inesperado.
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Tudo começa com a figura de Jorge Borges, um dos maiores donos de terras de sua época, cujas propriedades eram o alicerce de marcas lendárias como Churchill, Morgan e Niepoort. Entre suas sete vinícolas, a Quinta do Fojo destacava-se no coração do Cima Corgo, erguida na margem esquerda do Vale do Pinhão, a 350 metros de altitude. Foi nesse cenário de vinhas velhas com mais de 80 anos que a neta de Jorge, Margarida Serôdio Borges, decidiu escrever seu próprio nome na história da denominação.
O nome “Vinha do Fojo” carrega consigo a força de um terroir que foge ao quebra-cabeça tradicional de castas do Douro, priorizando a Tinta Roriz, a mesma Tempranillo espanhola, para criar uma identidade profunda e envolvente.
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Lançado pela primeira vez em 1996, o vinho nasceu sob a consultoria do enólogo australiano David Baverstock, radicado há anos em terras lusitanas, e a colaboração de seu irmão, Jorge Serôdio Borges, hoje um dos maiores nomes da viticultura portuguesa, com sua inovadora Wine&Soul. A proposta era clara: inspirar-se nos clássicos de Bordeaux, mas com a alma indomável do Douro.
O misticismo em torno do rótulo cresceu devido à sua raridade. Os deuses do vinho estavam com eles e em apenas cinco colheitas geraram dois ícones que causaram impacto junto à crítica especializada: o Fojo, principal e mais caro, e o Vinha do Fojo. Entretanto, a trajetória da vinícola sofreu uma interrupção súbita em 2001, quando Margarida escolheu silenciar as adegas para se dedicar inteiramente à vida familiar e aos filhos.
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Esse hiato de doze anos transformou suas garrafas em tesouros difíceis de encontrar, mantendo a aura da marca viva na memória dos grandes apreciadores. Somente após esse longo descanso é que Margarida retornou, unindo-se à enóloga Rita Ferreira Marques e ao primo António Taveira para relançar a sua vinícola.
O Vinha do Fojo não é apenas um vinho. É o registro líquido de uma pausa necessária e de um retorno triunfante, provando que o tempo, para as grandes linhagens e os grandes vinhos, é apenas um detalhe que acentua a personalidade.
A seguir, confira os melhores Vinha do Fojo degustados por ADEGA: