Revista ADEGA

Quanto vale uma relíquia engarrafada?

Aprenda a garimpar vinhos empoeirados na adega de seus antepassados e participe de leilões, reais ou virtuais, de raridades

Marcelo Copello em 21 de Agosto de 2006 às 14:21

fotos: Luca e Zapa Csitul/Stock.XchngColecionar vinhos é a paixão de muitos brasileiros. Existe, provavelmente, uma quantidade significativa de grandes garrafas adormecidas em adegas pelo país. Algumas delas chegaram há décadas. Podem, por exemplo, ser fruto de alguma viagem de navio de nossos avós à Europa, quando não havia limite de peso para as bagagens. Estas preciosidades podem estar sendo ninadas como tesouros, ou relegadas ao esquecimento em algum canto da casa.

Quem ama vinhos os guarda ou degusta, raramente pensa em vendê-los. Porém, desfazer-se de belas coleções é, às vezes, inevitável. Uma enfermidade pode ter impossibilitado o enófilo de desfrutar das suas relíquias. Ou ainda, a viúva de um colecionador pode estar diante de uma verdadeira herança líquida. Há também quem simplesmente busque lucros, afinal, boas garrafas são um ótimo investimento a longo prazo.

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Seja qual for o motivo da venda, como avaliar o valor de um produto que não se encontra mais no mercado? Ao esbarrar com uma velha garrafa esquecida na adega do vovô, como saber se ela tem valor comercial? A saída é procurar especialistas que podem estimar o preço do exemplar. Vários consultores, lojas especializadas ou leiloeiros prestam este serviço. O valor da garrafa depende de seu estado de conservação.

Tanto para quem vende como para quem compra as precauções são as mesmas. Procure saber o histórico da garrafa. Vinhos mantidos em adegas climatizadas valem mais. Brancos, salvo exceções, têm valor menor, pois resistem menos ao tempo. Verifique o nível do líquido, se estiver baixo o preço cai em igual proporção. Observe se há sinais de vazamento, manchas de vinho no rótulo ou na cápsula. Esses sinais podem prenunciar estragos no líquido. Rasgos na etiqueta não comprometem a qualidade da bebida, mas indicam maus tratos. Uma nota fiscal de compra também ajuda a minimizar o perigo de um vinho falsificado, por exemplo. Para quem compra é bom estar ciente de que aquisições desta natureza sempre envolvem um certo risco, pois é impossível ter absoluta certeza de que a bebida não virou vinagre.

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Preciosidades arrematadas: Chateaux Mouton Rothschild 1945 e 1982

Uma vez avaliado, o próximo passo é converter o nobre fermentado em moeda. Para tal, além dos meios corriqueiros, como vender a conhecidos ou colocar anúncios, uma prática que cresce no país são os leilões de vinhos. Na Europa e nos EUA , a venda pública é freqüente e movimenta milhões. As prestigiadas Sotheby's (http://search. sothebys.com) e Christie's (http://www. christies.com) são os nomes mais conhecidos. Com sedes em Londres e Nova Iorque, respectivamente, essas casas de leilão realizam, quase mensalmente, vendas de preciosidades engarrafadas. Cada pregão chega a arrecadar alguns milhões de euros nas centenas de lotes oferecidos. Alguns arremates são memoráveis como uma um lote de seis garrafas de "Chateau Mouton Rothschild 1945" que alcançou a cifra de 55.714 euros na Sotheby's, em 2002, ou uma única garrafa de 6 litros (double-magnum) de "Château Lafite-Rothschild 1865", que recebeu a martelada aos 39.250 euros na Christie's, em 2001.

No Brasil, os leilões de vinhos ainda não atingem esta magnitude. A importadora Club du Taste-Vin é um das poucas que promove esses eventos, praticamente um por ano desde 1998. A importadora faz as avaliações gratuitamente e não cobra comissão sobre as vendas. "Nosso interesse é divulgar o Club du Taste-Vin, já que somos especialistas em vinho francês", destaca François Dupuis, proprietário da empresa. A idoneidade do produto recebe o aval de experts, mas, naturalmente, não há garantias sobre a sanidade do fermentado. Entidades como a SBAV-SP (Sociedade Brasileira de Amigos do Vinho de São Paulo) e o Solar do Vinho do Porto de São Paulo também já organizaram licitações "báquicas".

Outro estilo de pregão parece se adaptar melhor ao mercado brasileiro, ainda tímido neste segmento. São os leilões virtuais, que têm diversas vantagens sobre os pregões convencionais. O mais importante são os custos, bem menores, pois não há necessidade de impressão de catálogos, contratação de leiloeiros, aluguel de local físico para o evento, gastos com seguros, contratação de pessoal etc. Entre outras vantagens do martelo digital se pode citar a democracia na web, o anonimato aos compradores, a eliminação dos riscos no transporte e exposição das garrafas e o fato de não ocorrer em uma data, hora e local específico, abrangendo um número maior de participantes e dando a eles mais tempo para estimar seus lances e tomar a decisão de compra. Em um leilão promovido pelo site gastronômico Basilico (www.basilico.com. br), o clique de um mouse levou uma garrafa magnum de "Château Mounton Rothschild" 1982 pela bagatela de R$ 5.790,00. Sites especializados em compras e vendas, como o Arremate (www.arremate.com.br) ou o Mercado Livre (www.mercadolivre.com.br), oferecem, esporadicamente, algumas garrafas do fermentado, normalmente exemplares mais comuns.


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