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Vinho - 31.Mar - Selo fiscal

"Selo Fiscal não resolverá problema e é retrocesso"


Diante da pressão para a implantação do Selo Fiscal nos vinhos, o setor se dividiu e muitos não acreditam que esta seja uma solução eficaz para os problemas de contrabando. Nomes importantes do setor defendem que a medida não reflete o pensamento da categoria e servirá para encarecer o produto.

Celso Panceri, Presidente do Sindicato dos produtores de Vinho de Santa Catarina e dono da Vinícola Panceri, afirma que o grande problema do Brasil é a fiscalização e que isso não irá mudar nada com a adoção do selo. "Não somos contra o controle, muito ao contrário, concordamos que existem vários problemas em nossa indústria, mas o sacoleiro do vinho, que leva de porta em porta nos restaurantes e bares do interior do país, vai continuar existindo. O comprador também quer pagar menos pelos produtos e se não há fiscalização alguma, o que vai mudar?", pergunta.

Celso ainda reclama que a entidade que ele preside não pôde fazer parte das negociações, que foram deixados de fora: "Os gaúchos adoram falar em nome dos catarinenses e eu acho tudo isso uma conspiração maldosa de um grupo de tecnocratas que está manipulando os produtores ao invés de trabalhar para combater o que realmente prejudica nossa indústria: fiscalizar e punir o contrabando, diferenciar as bebidas compostas que são vendidas como vinhos a preços ridículos, renegociar os contratos de importação que deixam os impostos sobre nossos vinhos maiores do que os de muitos importados", completou.

"Esse governo nos traiu e mostrou que está do lado do agronegócio. Desde o início, queríamos que essa questão fosse amplamente debatida, o que não ocorreu. Foi uma medida autoritária, de reserva de mercado para os grandes produtores", atesta Luis Henrique Zanini, presidente da União das Vinícolas Familiares e de Pequenos Vinicultores (Uvifam). "Várias associações que apoiaram a ideia do selo voltaram atrás depois de serem informadas dos custos e da burocracia que terão de enfrentar", completa.

"Precisamos que o governo estabeleça uma isonomia tributária, que faça uma pressão no Estado de São Paulo para que tenha valor único para a ST-IVA e não essa vergonha que vemos hoje, que praticamente está nos excluindo do mercado. Temos que lutar contra o preconceito do vinho brasileiro e pior ainda com toda essa carga tributária", defende Everson Suzin, proprietário da Vinícola Suzin de São Joaquim (SC). Contrário à adoção do selo, ele afirma que, sendo dono de uma pequena vinícola, seus vinhos perdem ainda mais competitividade no mercado com o custo do selo e de sua implantação. Ele acredita que o selo foi proposto somente como forma de mais controle fiscal e não para resolver os problemas que mais prejudicam quem cultiva uvas e faz vinhos.

Ciro Lila, proprietário das Importadoras Mistral e Vinci em São Paulo, também é contrário à adoção do selo: "É o maior retrocesso que poderia ser cometido contra o vinho no Brasil agora. Esse selo é tão bom que é adotado apenas em três países do mundo: México, Polônia e Rússia, todos sem relevância no mundo do vinho e não exatamente modelos de boas práticas fiscais", ironiza.

Saiba Mais:

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Sílvia Mascella Rosa E Arnaldo Grizzo
Publicado em 31/03/2010, às 12h42 - Atualizado em 27/07/2013, às 13h46


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