A revolução do Jaguar

Adorado pelos amantes da arte automobilística, a história do Jaguar começa na Inglaterra dos anos 40 e chega aos dias de hoje com o mesmo luxo e prestígio


XK120: o primeiro grande carro da Jaguar

Em 1923, na tranqüila cidadezinha de Blackpool, na Inglaterra, Williams Lyons, jovem herdeiro de carvoaria e fabricante de side cars, estava contente com a prosperidade dos seus negócios, mas sentia que faltava alguma coisa. Um dia, recebeu uma encomenda inusitada: um amigo, dono de um pequeno Austin (carro popular inglês), queria personalizar seu veículo, mas não sabia de que jeito. Ao incumbir a tarefa ao Sr. Lyons, surgiu o Austin Seven, com pintura em duas cores e um pára-brisas menor e mais esportivo.

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Naquele momento, sem se dar conta, Lyons acabava de dar início a pequenas mudanças que revolucionariam o mundo automobilístico. Dois anos depois, no Salão do Automóvel de Londres, ele apresentaria diversas criações que iriam de cupês esportivos a limusines. O faturamento de sua fábrica cresceu e, em 1931, ele seduziu os amantes do automobilismo com um modelo inovador. Partindo do conhecido chassis Morris, Williams rebaixou a suspensão, incrementou o motor e criou um alojamento para o motorista muito maior do que os padrões da época. Para batizar o conversível, ele se inspirou em um felino conhecido pela beleza e velocidade. Nascia o Jaguar, aliando velocidade, belo acabamento e preço acessível.

E-Type: objeto de desejo de celebridades como o Príncipe Rainer e sua esposa Grace Kelly

A partir da década de 1940, a Jaguar passou a inscrever seus carros, sempre pintados de verde – cor oficial da Inglaterra –, em corridas de prestígio internacional. A vitória aumentava o prestígio da marca e a demanda pelos carros. Para atendê-la, algumas modificações tiveram de ser feitas para adaptar o XK 120 às linhas de produção. A principal mudança foi a substituição do alumínio pelo aço.

Apesar do enorme sucesso do veículo, Lyons desejava inovar mais. Em 1954, apresentou com sucesso, no Salão de Londres, o XK 140, com motor mais potente e sistema de operação mais moderno e preciso. Três anos depois surgiu o último representante da série, o XK 150, com pára-brisas curvo, uma janela traseira maior e curva no cupê. A produção desse carro foi encerrada em 1961, com 9.300 veículos produzidos. A partir daí, a Jaguar passou a produzir o revolucionário E-Type.

A Jaguar chegou ao século 21 a 250km/h

O E-Type causou furor quando foi apresentado em 1961, pela primeira vez, no Salão de Genebra. Tinha desenho de linhas agressivas, grande capô, estrutura leve com cabine recuada, um sub-chassi tubular para abrigar o motor, freios a disco nas quatro rodas e suspensão independente. Ao longo dos anos, o E-Type teve diversas modificações, principalmente na mecânica do veículo, para torná-lo mais veloz. O E-Type encantou os poderosos empresários europeus, assim como as celebridades da época, como o Príncipe Rainier, de Mônaco, e sua esposa, a atriz Grace Kelly, que possuíam o veículo. No Brasil, o Jaguar é a marca preferida de personalidades como Jô Soares, Juca Chaves, Ronnie Von, Adriane Galisteu e Luciana Gimenez.

O E-Type parou de ser produzido em 1975, mas até hoje é um dos veículos preferidos pelos amantes da arte automobilística, o grande desejo de colecionadores assíduos e apreciadores de veículos revolucionários. Desde então, a Jaguar se dedicou à produção de veículos XJS, entre 1975 e 1996, e XK8, fabricado até 2005.

A partir desse ano, os apreciadores desta marca de prestígio tem mais um motivo para comemorar. O mais novo membro da família Jaguar, batizado de XK 2007, foi apresentado na última edição do Salão do Automóvel de São Paulo. Ele inicia uma nova era da marca, onde o design arrojado e o excelente desempenho se aliam ao luxo, conforto, qualidade e segurança, características que a Jaguar sempre preservou ao longo de tantas décadas. O novo modelo tem motor V8 de quatro válvulas por cilindro, desenvolve 300 cavalos de potência, chega a 100 quilômetros por hora em apenas 6,2 segundos, e sua velocidade pode chegar a 250 km/h. Possui, ainda, câmbio seqüencial de seis marchas para a troca por meio de botões no volante, até então inédito nos carros da Jaguar. A marca evoluiu com os avanços da tecnologia, sempre mantendo a filosofia de Williams Lyons em produzir veículos velozes e confortáveis, mas sem perder o estilo apreciado pelos lordes ingleses.

Fernando Roveri

Publicado em 23 de Novembro de 2006 às 12:39


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Artigo publicado nesta revista