Revista ADEGA

100 anos de Belle Époque

Símbolo de um período artístico, cultural e político Paulistano, o Teatro Municipal marcou a história de São Paulo

Da redação em 3 de Maio de 2011 às 12:55


Fotos: Divulgação

Dia 13 de fevereiro de 1922. A casa estava cheia, era a abertura oficial do evento. Durante o restante da semana, o estabelecimento seria palco de um dos movimentos mais experimentais do Brasil. Era a histórica Semana de Arte Moderna, que contou com a presença de alguns dos nossos artistas mais prestigiados, como Graça Aranha, Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfati, Di Cavalcanti, Heitor Villa-Lobos, Menotti Del Picchia e Victor Brecheret. O modernismo estava se mostrando ali, ao grande público, pela primeira vez.

Para a produção de um acontecimento desse porte, foi preciso escolher bem o local. E a Semana de Arte Moderna fez história no memorável Teatro Municipal de São Paulo. Assim, a ideia mais antiga que muitos brasileiros têm do teatro é durante o período que compreendeu a Semana de 22, mas a verdade é que naquela época ele já estava de pé há 11 anos.

O ideal Inicialmente, o Municipal foi construído para atender a aspiração da nova burguesia paulista, que vivia o boom do café desde 1906, quando foi firmado o Convênio de Taubaté. Essa nova burguesia, endinheirada, queria que São Paulo estivesse à altura dos centros culturais europeus.

Em fins do século XIX, a capital paulista não era uma cidade desenvolvida. Podemos dizer que chegava a ser bucólica. A luz elétrica ainda não havia chegado e a rotina dos paulistanos se resumia a atividades diurnas e vespertinas. Foi através dos barões do café e o poder econômico gerado por eles que se introduziram novos hábitos. Depois da luz elétrica, o próximo passo foi o investimento em centros de cultura e lazer, que incluíam um grande teatro, onde seria possível promover óperas e concertos.

Somente em 1988, quando o Teatro São José, o principal da cidade na época, foi destruído por um incêndio, o projeto do Teatro Municipal de São Paulo iniciou. O escritório técnico do prestigiado arquiteto Ramos de Azevedo apresentou uma proposta e, junto a Cláudio Rossi, ficou encarregado do projeto.


Na inauguração, mais de 20 mil pessoas se aglomeraram em frente ao teatro


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Fotos: Divulgação
Estilo arquitetônica é inspirado nos grandes teatros europeus, especialmente no Ópera de Paris

Nova era
O local escolhido foi o Morro do Chá e, em 1903, as obras se iniciaram. Com estilo arquitetônico inspirado nos grandes teatros europeus e especialmente na Ópera de Paris, foram combinados os estilos Renascentista, Barroco e Art Nouveau. Por conta de um atraso em um dos cenários, a inauguração que era para ter sido no dia 11 de setembro de 1911 acabou ficando para o dia seguinte. Em 12 de setembro, um mar de pessoas reuniu-se nos entornos do Municipal. A iluminação sem igual, que vinha de dentro do teatro, maravilhou as milhares de pessoas que passavam por lá (a eletricidade ainda era novidade).

Naquele dia, pelo menos um terço dos aproximadamente 100 automóveis de São Paulo estavam no Morro do Chá. A abertura da noite ficou por conta da leitura de um trecho da obra “O Guarani”, de Carlos Gomes, e logo depois veio a estrela da noite: o célebre italiano Titta Ruffo, encenando a ópera “Hamlet” no papel principal, diante da burguesia e de mais de 20 mil pessoas do lado de fora, que se acotovelavam para conseguir um espaço. A partir daí São Paulo passou a integrar, de vez, o roteiro internacional de espetáculos grandiosos.

Com o passar dos anos, o status magnânimo do teatro foi ratificado, e cada vez mais ele impressionava tanto por seus ricos detalhes – paredes decoradas, cristais, medalhões, colunas neoclássicas, mosaicos e mármores – quanto pela iluminação. A visita ao Teatro Municipal de São Paulo passou a integrar o roteiro dos turistas, e o que era para ser um teatro que abrigava exclusivamente óperas foi também palco de muitas outras manifestações artísticas, incluindo performances de bailarinas de renome como Anna Pavlova e Isadora Duncan.

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Foto: Divulgação
Estilo arquitetônica é inspirado nos grandes teatros europeus, especialmente no Ópera de Paris

Reformas
Nas décadas que seguiram, a opulência e grandiosidade do Municipal foram “ofuscadas” por outras grandes edificações no centro da cidade, que transformaram a função cultural das redondezas. Além disso, grande parte dos detalhes originais foram perdidos durante a primeira grande reforma, que aconteceu entre 1952 e 1955 e descaracterizou o teatro. Como o edifício foi repintado, muitos dos afrescos italianos foram encobertos. O verde das poltronas, que era visto como uma espécie de “brasilianismo”, foi substituído pelo vermelho.


Prédio vem passando por seguidas reformas para recuperar aspectos originais e se modernizar

Já a segunda reforma, realizada na década de 80, procurou restaurar o projeto original. Durante as obras, foi redescoberto um espaço subterrâneo conhecido atualmente como o Salão dos Arcos. Nos primeiros anos do teatro, o salão era uma espécie de depósito e também servia como uma passagem direta para os artistas que vinham se apresentar, uma vez que ligava a praça Ramos de Azevedo a um luxuoso hotel do centro da cidade. Hoje, o espaço é utilizado como sala de exposições.

Em 2008 foi realizada a mais recente reforma do local. Durante quase dois anos, foram restaurados a fachada do prédio, o salão nobre e as áreas do bar e do restaurante, além dos vitrais do teatro, fabricados originalmente na Alemanha. E em 2011, o Teatro Municipal completa seu centenário sendo considerado um dos locais mais respeitáveis do país.


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